“O investimento de sucesso leva tempo, disciplina e paciência. Não importa o tamanho do esforço ou talento, algumas coisas levam tempo: você não pode produzir um bebê em um mês deixando nove mulheres grávidas” – Warren Buffett.

 

O universo dos investimentos frequentemente faz uma relação errônea entre volatilidade e risco. A literatura apresenta essa relação através do Beta, indicador frequentemente utilizado na análise de riscos. Entretanto, segundo Buffett, o indicador não reflete, muitas vezes, o que ocorre na realidade.

A oscilação da cotação de uma ação é resultado de uma série de fatores que, muitas vezes, não estão relacionados ao valor intrínseco da companhia. Notícias acerca do cenário econômico doméstico e internacional podem afetar de forma significativa o preço da ação, porém nem sempre tais comunicados afetam de forma proporcional, a capacidade da empresa de gerar valor para o acionista no longo prazo.

Warren Buffett, um dos maiores investidores de todos os tempos, defende que o risco está associado à possibilidade de perda permanente do capital. Diferente do que o mercado acredita, Buffet vê a volatilidade como geradora de oportunidades.

A teoria do mercado eficiente diz que o preço do ativo reflete todas as informações existentes sobre o mesmo. Entretanto, o mercado financeiro não funciona dessa forma. Os indivíduos tendem a agir de forma irracional quando o assunto é dinheiro e os preços encontrados no mercado de capitais são basicamente regidos pela lei da oferta e da demanda.

Quando a demanda é superior à oferta, geralmente existem indivíduos dispostos a pagar um preço maior pela aquisição do ativo, o que eleva a cotação da ação. Este fato não se reflete na operação da empresa. Muitas vezes a empresa está performando bem, porém algum evento insignificante pode derrubar os preços de suas ações.

O inverso também é válido. Algumas empresas que performam aquém do esperado podem ter seus papéis valorizados por algum fator irrelevante. Neste momento, o investidor impaciente entra em cena e, irracionalmente, realiza operações que não deveria.

Muitas vezes, em momentos de crise, onde as cotações estão despencando, o investidor impaciente vende seus ativos com receio de perder seu dinheiro, quando na realidade, ele deveria estar realizando aportes, pois a volatilidade está do seu lado.

Em tempos de alta, na expectativa de que o mercado continue subindo, o investidor impaciente realiza aportes em empresas que estão supervalorizadas e, muitas vezes, o futuro fará o preço tender ao valor da empresa, o que faz com que este tipo de investidor não obtenha sucesso em seus investimentos no longo prazo.

Por outro lado, temos o investidor de valor, aquele que crê na oscilação do preço como fato imprescindível para a realização de aportes. Em épocas de crise, este buscará as barganhas que o mercado tem a oferecer e em épocas de intensa valorização dos papéis, o investidor estará ciente de que o aumento nos preços não reflete o valor intrínseco da companhia.

Assim como Buffet, acreditamos que a volatilidade é mágica. Os investidores pacientes utilizam este recurso em seu favor, aguardando momentos em que a volatilidade mostra a irracionalidade do mercado. Assim, é possível encontrar ótimas companhias sendo comercializadas a um preço muito inferior ao seu valor.

Deste modo, o investidor de valor pode realizar seus aportes em apostas desproporcionais, onde a possibilidade de retornos positivos é muito superior à remota chance de perda permanente de capital. No longo prazo, a probabilidade se mostra vencedora e a volatilidade se torna grande aliada dos investidores pacientes.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.