O investimento em ações costuma geralmente assustar algumas pessoas, que associam o mercado de ações a um grande cassino e um mercado muito volátil, onde só se ganha tendo sorte e onde é muito fácil perder dinheiro, sendo que geralmente o mercado é visto como uma forma de ganhar (ou perder) dinheiro rápido, e nada mais do que isso.

Dessa forma, por terem medo de enfrentarem perdas consideráveis, além do receio à volatilidade, a maioria dos poupadores e investidores brasileiros até hoje prefere evitar a bolsa de valores, preferindo permanecer na comodidade da renda fixa, especialmente na poupança.

Isso é bastante negativo, pois de acordo com estudos e dados, o investimento em ações costuma ser a modalidade de investimento mais rentável entre todas, no longo prazo, mesmo apresentando alguma volatilidade durante essa trajetória, e quem evita este mercado, também está evitando retornos maiores no futuro.

Infelizmente, com tamanho receio por parte da maior parte dos poupadores e da sociedade em geral em relação à bolsa, se já não é fácil encontrar um investidor disposto a entrar na bolsa, é ainda mais raro ver alguém com um plano de construir um patrimônio na bolsa no longo prazo.

Se olharmos para o histórico de rentabilidade da poupança, a modalidade de investimento mais popular entre os brasileiros, a mesma entregou um retorno nominal de cerca de apenas 39% de janeiro de 2014 a agosto de 2018. A inflação, medida pelo IPCA neste mesmo período, foi de 32,5%, o que demonstra um ganho real extremamente pequeno neste período.

Mesmo com a inflação controlada atualmente, como as taxas de juros caíram muito, atingindo os menores patamares históricos, o retorno real da renda fixa segue muito baixo, e a expectativa é que permaneça abaixo dos 3% reais nos próximos 12 meses.

Portanto, sabemos que ter uma boa parcela da carteira em ativos de renda variável vem fazendo cada vez mais sentido e se torna necessário, mas como superar o medo de investir em renda variável e se focar no longo prazo?

 O que a maioria dos investidores e poupadores desconhece é que investir na bolsa com uma menor volatilidade, de forma mais segura e consistente, e focado em um prazo bastante longo é totalmente possível, aliás, não só possível como é o recomendável, à medida que os estudos (Triumph of The Optimists) mostram que, no longuíssimo prazo, ações são sempre muito mais rentáveis.

Investindo em empresas sólidas, resilientes, boas pagadoras de dividendos, e principalmente, empresas inseridas em setores perenes, o investidor consegue reduzir de forma considerável a volatilidade de sua carteira e consegue navegar com tranquilidade nesses mares geralmente revoltos, obtendo retornos muito acima da média no longo prazo.

Existem muitas empresas que tendem a continuar crescendo, gerando muito caixa e expandindo suas operações, com resiliência, no longo prazo, e essas empresas tem algumas coisas em comum.

Além de serem empresas de boa rentabilidade, forte geração de caixa, elas geralmente estão inseridas em setores perenes, ou seja, aqueles segmentos menos vulneráveis a grandes mudanças e que certamente continuarão tendo grande demanda e utilidade por muito tempo.

Sabendo que muitos investidores têm interesse em investir na bolsa de valores de uma forma mais segura, e focada no longuíssimo prazo, no Suno Call de hoje, apresentamos três ações que avaliamos que sejam interessantes para aquele investidor que visa um período de pelo menos 20 anos.

Taesa – TAEE11

A Taesa, empresa que atua no segmento de transmissão de energia elétrica, operando inúmeras linhas de transmissão pelo Brasil, é um exemplo de companhia resiliente, inserida em um segmento perene, e que se encaixa perfeitamente num investimento rentável para os próximos 20 anos.

O setor de energia elétrica é um setor considerado anticíclico e perene, afinal de contas, é improvável que a humanidade deixe de consumir energia elétrica no futuro ou a substitua.

Independente dos próximos governos que venham a assumir o país, ou mesmo da expansão da matriz de energias renováveis, a transmissão de energia continuará se fazendo necessária, e dessa forma, vemos a Taesa como uma ótima opção para os próximos 20 anos.

Além disso, o segmento de transmissão, mais especificamente é o menos volátil, e mais previsível, sendo também o que demanda maiores investimentos para o longo prazo no país.

A expectativa é que até 2026 ocorra uma expansão considerável nos grids de transmissão, e com a tendência de crescimento na matriz energética, com o sistema de transmissão ainda defasado e sendo um “gargalo” no setor, a tendência é que este segmento continue se expandindo de forma consistente.

Por fim, como a companhia está sempre focada no crescimento e na geração de valor aos seus acionistas, a tendência é que a Taesa continue expandindo o seu número de concessões, o que deverá garantir um bom crescimento no longo prazo.

Itaúsa S.A – ITSA4

A Itaúsa, holding do Itaú Unibanco, um dos maiores bancos do país e também o mais rentável, é outra empresa que entendemos que seja uma ótima opção para o longuíssimo prazo, e inserida em um setor perene.

Com uma história centenária ao redor do mundo, e no Brasil com mais de 200 anos de existência, entendemos que, por mais que ocorram modificações estruturais na nossa economia e a própria revolução tecnológica, o setor bancário não deixará de existir e vemos este setor como um segmento extremamente perene e seguro para o longo prazo.

Além de estar em um setor perene, o Itaú também é um ótimo exemplo de rentabilidade, eficiência operacional e possui um excelente histórico, fatores esses importantes e que devem ser analisados para carregar uma posição acionária por tanto tempo.

Ao longo de sua história, o Itaú (que representa mais de 95% do portfólio da Itaúsa) apresentou um crescimento bastante atrativo, respaldado por um crescimento do crédito e da chamada “bancarização” no país, além de aquisições estratégicas, que foram fundamentais para o crescimento da rentabilidade e dos resultados.

Por mais que o segmento bancário brasileiro seja ainda bastante concentrado, e deva enfrentar uma maior concorrência, nós vemos que a grande capilaridade do Itaú, elevada escala, a força de sua marca, além da possibilidade do banco continuar realizando aquisições estratégicas, são fatores que devem continuar garantindo competitividade ao banco.

Ambev S.A – ABEV3

Por fim, nossa terceira e última ação apresentada como uma boa opção para os próximos 20 anos é a Ambev, líder do segmento de bebidas no Brasil.

A Ambev, por ser líder no mercado brasileiro, e estar inserida em um segmento menos cíclico, além de possuir operações e marcas consolidadas em outros países, tem entregue ótimos retornos aos seus acionistas ao longo de sua história, e acreditamos que essa tendência permanecerá para o longo prazo.

Por mais que essa gigante do mercado brasileiro venha enfrentando uma maior dificuldade para crescer nos últimos anos, especialmente pela recessão que afetou o mercado brasileiro, este ano a empresa já vem apresentando melhora em seus resultados e entendemos que para o longo prazo, a Ambev deve continuar entregando fortes resultados, tanto pelo crescimento orgânico no mercado brasileiro e externo, como por possíveis aquisições, especialmente no exterior.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.