título de capitalização

Você acha que título de capitalização é uma boa alternativa de investimento? É muito comum que as pessoas, por conta de não conhecerem, na maioria das vezes, outras alternativas de investimentos disponíveis no mercado, optarem por alocar os seus recursos nos títulos de capitalização.

O título de capitalização é uma alternativa de aplicação altamente questionável, apesar de sua grande popularidade.

A aplicação em título de capitalização funciona como uma espécie de reserva financeira. E ao mesmo tempo, o aplicador concorre a prêmios, distribuídos regularmente.

Contudo, será que vale a pena “investir” em títulos de capitalização?

Esse é um questionamento pouco feito, mas que deveria ser indagado todas as vezes por todo investidor antes de se decidir aplicar recursos em qualquer que seja o ativo financeiro em questão.

O que é o título de capitalização

O título de capitalização é um título nominativo, que pode ser adquirido a prazo ou à vista.

Através deste título, a pessoa que o compra passa a ter direito a concorrer ao sorteio de prêmios fornecidos pelas respectivas instituições.

Muito popular no Brasil, e geralmente estampado por meio de banners e cartazes, sempre de maneira bem chamativa nas agências bancárias em todas as partes do país, este tipo de produto financeiro utiliza parte dos recursos levantados com as vendas das cotas para formar um capital que será pago num curto prazo estabelecido.

Paralelamente, o restante dos valores pagos pelos compradores é usado para custear esses sorteios e as demais despesas administrativas do processo.

O titular dos títulos pode ser diferente de quem realiza os pagamentos. É a mesma lógica de quem adquire um seguro cujo beneficiário é outra pessoa.

Origem

A regulamentação formal dos títulos de capitalização remonta à década de 60. Nesta época foram feitos decretos abordando as funções das sociedades de capitalização, responsáveis por emitir os títulos.

Atualmente, estas sociedades são, em sua maior parte, divisões dos grandes bancos dos país ou seguradoras independentes.

Quem exerce a regulamenta é a Susep (Superintendência de Seguros Privados).

Prazo de pagamento

O prazo de pagamento é o prazo pelo qual o aplicador se compromete a realizar os pagamentos mensais para que possa ter direitos aos sorteios.

Existem, basicamente, três tipos de títulos de capitalização. São eles:

  • PU: pagamento único no ato da compra do título.
  • PM: prevê um pagamento a cada mês, por meio de parcelas mensais fixas, durante o período de vigência do título.
  • PP: não há correspondência entre o número de pagamentos e o número de meses de vigência do título.

Em caso de atraso nestes pagamentos, o título sofre algumas penalidades.

A primeira delas é a suspensão obrigatória dos direitos aos prêmios sorteados.

Outras penalidades podem ser aplicadas. Os pagamentos atrasados podem sofrer a incidência de multas moratórias e/ou atualização monetária.

Em alguns casos, o prazo de vigência também é prorrogado.

Caso ocorra um número predeterminado de pagamentos consecutivos em atraso, então os títulos são cancelados automaticamente.

Mas independentemente de qual for a penalidade, o titular continuará com seu direito de resgatar o valor acumulado na reserva de capitalização.

Reserva de capitalização, cota de capitalização ou provisão matemática

Apenas um determinado percentual dos pagamentos efetuados pelo titular será rentabilizado.

Esta parcela forma a chamada reserva de capitalização, cota de capitalização, ou provisão matemática.

Vale mencionar que a cota de capitalização é mensalmente atualizada, em geral, pela Taxa Referencial (TR). A TR é a mesma taxa utilizada para atualizar as contas da caderneta de poupança.

Além da TR, a reserva de capitalização também é remunerada mensalmente por uma taxa de juros pré-determinada, que não pode ser inferior a 20% da taxa aplicada aos depósitos da caderneta de poupança.

Ou seja, quando a Selic estiver acima de 8,5% ao ano, esta rentabilidade mínima será de 0,1% ao mês.

Por outro lado, quando a Selic for menor do que 8,5%, então o juro mínimo será de 14% do CDI.

Prazo de vigência e prazo de carência

O prazo de vigência é o prazo pelo qual os títulos continuarão sendo remunerados e administrados pela sociedade de capitalização.

Após este prazo, o titular não possui mais direitos sobre os sorteios e o seu capital para de ser remunerado.

Fazendo uma analogia com os títulos da renda fixa, este seria o vencimento da aplicação, que é quando o titular pode resgatar 100% do valor da sua reserva de capitalização.

Caso o titular queira resgatar seus títulos antes do vencimento, então a Sociedade de Capitalização poderá aplicar um fator de desconto de até 10%.

Em alguns casos, o título ainda possui um período de carência, durante o qual nenhum resgate poderá ser realizado.

Cota de carregamento e cota de sorteio

Como foi visto, nem tudo o que é pago pelos compradores dos títulos será rentabilizado, haja vista que são divididas em três cotas tudo aquilo que é arrecadado.

Parte desses recursos é destinado a cotas de carregamento, que são reservas efetuadas para cobrir os custos e despesas operacionais e administrativas.

Este tipo de cobrança também é muito comum de ocorrer no caso de alguns planos de previdência privada, como PGBL ou VGBL.

Outra parte dos aportes destina-se à cota de sorteio, que é utilizada para custear os prêmios que serão distribuídos dos sorteios.

Desta forma, um determinado título poderia ter a seguinte distribuição de cotas:

  • Cota de capitalização: 70%
  • Cota de carregamento: 10%
  • Cota de sorteio: 20%

Assim, para cada pagamento de R$ 100, apenas R$ 70 iriam ser de fato remunerados.

Os outros R$ 30 seriam utilizados para o carregamento (R$10) e sorteio (R$20).

Estas alíquotas podem variar ao longo do tempo, dependendo do título escolhido.

Geralmente, a medida que o título se aproxima do vencimento, as porcentagens de carregamento e de sorteio vão diminuindo.

Mas de maneira geral, é preciso que fique claro que nem sempre o investidor consegue recuperar o que foi pago mediante a compra de um título de capitalização, visto que apenas uma parcela dos pagamentos é de fato remunerada.

Modalidades

  • Tradicional: modalidade mais popular do mercado, tem por objetivo restituir, ao final do prazo de vigência, no mínimo o valor total dos pagamentos efetuados no ato da compra, desde que não haja atrasos nos pagamentos.
  • Popular: essa modalidade possui um foco maior no sorteio, ou seja, não há necessidade de devolução integral dos valores pagos por quem o adquire. Geralmente recupera-se 50% ou mais do valor pago.
  • Incentivo: mais voltado para empresas, nessa modalidade os títulos são usados em ações promocionais, cedendo somente o direito aos sorteios para os clientes do plano.

Vale mencionar que, normalmente, o prazo de vigência de um título de capitalização, em qualquer modalidade, dura, em média, um período igual ou superior a 12 meses.

Ainda, os títulos podem ser subdivididos em:

  • PM
  • PU

Nos títulos PM, os pagamentos são mensais e sucessivos. Além disso, o prazo de vigência pode ser superior ao prazo de pagamento.

Já os planos PU possuem apenas um único pagamento. Uma parcela então deste pagamento será capitalizada, conforme a cota de capitalização.

Informações obrigatórias de um título de capitalização

O documento obrigatório que deve ser fornecido pela sociedade de capitalização ao aplicador é chamado de condições gerais.

As condições gerais devem conter explicar vários itens, como:

  • Vigência
  • Prazo de pagamento
  • Sorteios
  • Resgates
  • Remuneração
  • Impostos

Quanto aos sorteios, é importante que o comprador se certifique, antes da compra de um título dessa natureza, se o prêmio se encontra líquido ou não de Imposto de Renda (IR).

Uma outra informação obrigatória é a tabela de resgates do título. Nesta tabela, está exemplificado qual o valor mínimo que será resgatado de acordo com o período de pagamento.

Veja o exemplo da tabela do título Super Pic Itaú Uniclass – Modalidade: tradicional


Este é um título PU com prazo de vigência de 48 meses.

Na tabela acima está mostrado qual o valor mínimo, em função do pagamento realizado, que o titular poderá resgatar em um eventual resgate antecipado.

Ou seja, apenas para o resgate no vencimento, não ocorrerá perda de capital.

Para prazos inferiores, é possível que a remuneração oferecida pelo título não seja capaz de oferecer uma rentabilidade positiva.

Por este motivo, os títulos de capitalização podem dar prejuízos se o resgate for realizado muito cedo.

Vantagens e desvantagens do título de capitalizaçãovantagens e desvantagens dos títulos

Há quem diga que os títulos de capitalização possuem as seguintes vantagens:

• Ajuda a guardar dinheiro
• Possibilita receber prêmios
• Rende igual à poupança, mas recebe prêmios.

Argumento: ajuda a guardar dinheiro

Este talvez seja o principal argumento em favor dos títulos de capitalização.

Como o titular precisa realizar pagamentos para continuar com o direito de participar nos sorteios, então isto serviria como um incentivo a aportar no plano e consequentemente, guardar algum dinheiro.
Entretanto, este é um argumento bastante falacioso.

Por um lado, é verdade que o participante deste plano conseguiria guardar algum dinheiro, ao invés de gastar tudo em bilhetes de loterias, por exemplo.

Por outro lado, este é justamente o problema.

E mesmo neste caso em que o titular acabasse acumulando um dinheiro que de outra forma teria gastado, é provável que ele também gaste este capital acumulado.

A motivação de guardar dinheiro deve ser embasada em objetivos financeiros reais, como garantir uma aposentadoria, um bom patrimônio, ou adquirir algum bem.

Dessa forma, quem tem dificuldades para guardar dinheiro deve se conscientizar da importância de economizar, e não buscar incentivos errados para isso.

Seria o mesmo caso de alguém que deseja fazer exercício físico apenas para poder comer porcarias, ao invés de realmente se preocupar com sua saúde.

Argumento: Possibilita receber prêmios

Sim, isto é verdade.

Ao adquirir um título de capitalização, você terá direito de participar de sorteios regulares.

Dessa forma, os premiados realmente fizeram um bom negócio ao adquirir os títulos. Irão ganhar algo em torno de 100 vezes a 2000 vezes o valor do PU.

Entretanto, estes são uma minoria.

A maioria dos participantes não irá ganhar nada devido às baixíssimas probabilidades do seu título ser sorteado.

Afinal, se as chances fossem altas, porque as sociedades de capitalização iriam perder dinheiro com isso?

Para dar o exemplo de quão difícil é ser sorteado, veja o exemplo do título do Itaú, apresentado no exemplo anterior.

De acordo com as regras do plano, foram emitidos ao total 250.00 títulos.

Cada título dá direito a 4 números de seis algarismos, que variam de 0 a 9.

No total, existem 1 milhão de números diferentes com seis dígitos.

Além disso, cada título terá direito a participar de 96 sorteios.

Desta forma, a probabilidade do titular ser sorteado alguma vez durante a vigência do plano é de 4 X 96 / 1 milhão, ou seja, 0,0384%.

Portanto, é quase certo que você não irá ser sorteado.

Argumento: Rende igual à poupança, mas paga prêmios

Este argumento é falso.

A rentabilidade dos títulos de capitalização é sempre menor do que a da poupança.

O motivo é muito simples.

Na poupança, todo o valor depositado é remunerado de acordo com as regras da caderneta.

Já nos títulos de capitalização, apenas uma parcela dos pagamentos será remunerada.

Além disso, não necessariamente a rentabilidade dos títulos de capitalização será idêntica à da poupança.

Como foi visto, os títulos podem pagar até 20% dos juros pagos para os aplicadores da poupança.

Por fim, caso haja lucro no resgate dos títulos, este lucro será tributado. Já os depósitos da poupança são isentos de Imposto de Renda.

Em teoria, poderia existir um título que rendesse mais do que a poupança, caso os juros fossem tão altos a ponto de compensar o carregamento, cota de sorteio e tributação.

Entretanto, esta opção provavelmente não deve existir no mercado, visto que a maioria das pessoas que aplicam em capitalização se preocupam com os sorteios e não acúmulo de patrimônio.

Viver de renda não é possível com títulos de capitalização

A renda fixa está se tornando cada vez mais, um lugar perigoso para proteger o seu dinheiro da inflação.

Como é possível notar no gráfico acima, a renda fixa está rendendo cada vez menos, quando se desconta a inflação.

E está se tornando cada vez mais frequente o juro real ser negativo, isto é, a remuneração oferecida pelo CDI não superar a inflação do mês.

Desta forma, quem busca remunerar seu capital de forma digna terá que inevitavelmente começar a investir em renda variável.

Se você quiser investir em ativos de renda variável com as orientações de especialistas, não deixe de conferir as recomendas da Suno.

Para aqueles que desejam caminhar com as próprias pernas, a Suno já publicou dois livros para iniciantes.

E o último deles se chama Guia Suno de Contabilidade, que ensina a linguagem dos negócios para quem deseja investir em ações.

Se você se interessa por este assunto, no vídeo abaixo o CEO e fundador da Suno, Tiago Reis, ensina como analisar balanços:

Construindo uma carteira previdenciária

Os títulos de capitalização também não distribuem rendimentos.

Gerar renda passiva é um dos principais objetivos de quem busca construir uma carteira previdenciária, que irá complementar a aposentadoria do indivíduo.

Por exemplo, se você se interessa, em rendimentos imobiliários, mas não tem muitos recursos para investir em inóveis, o Professor Baroni tem ótimas recomendações para você!

Conclusão sobre título de capitalizaçãoconclusão título de capitalização

Aplicar em títulos de capitalização é apenas uma forma de enganar a si mesmo em relação aos seus objetivos financeiros.

Apesar de muito populares no Brasil, o título de capitalização não deve ser encarado como um investimento, mas sim como um sorteio, e, pelo fato de apresentar uma rentabilidade muito baixa – inferior inclusive à da caderneta de poupança – esta é uma aplicação completamente disponível.

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Rodrigo Wainberg

Rodrigo Wainberg

Profissional aprovado no Level III da certificação CFA, investidor em ações há 6 anos, possui registro de Analista e Consultor de Valores Mobiliários, e é Bacharel em Física pela UFRGS.