TIRM
Por: Tiago Reis

TIRM: entenda como funciona a Taxa Interna de Retorno Modificada

A Taxa Interna de Retorno Modificada (TIRM) serve, assim como a Taxa Interna de Retorno convencional (TIR), para avaliar a viabilidade econômica de um determinado projeto. Logo, essa rentabilidade encontrada é usada para auxiliar no processo de tomada de decisão de um investimento.

Entretanto, diferentemente da TIR convencional, a TIRM leva em conta o custo de capital da empresa. Dessa forma, ela consegue se aproximar mais da realidade financeira do projeto analisado. Por isso, é fundamental conhecê-la e saber como seu cálculo é feito.

O que é a TIRM?

A Taxa Interna de Retorno Modificada (TIRM) é um método de análise da viabilidade de empreendimentos que traz os fluxos de caixa negativos a valor presente líquido; e que leva os fluxos de caixa positivos para valor futuro.

Esse método é importante porque o fluxo negativo (investimento da empresa no projeto) necessita de ser descontado a uma taxa que represente seu custo de capital.

Nesse sentido, conforme o tempo do empreendimento passa, o primeiro investimento feito já “custa mais caro”, levando em conta que temos a inflação, os juros de empréstimos, e a taxa livre de risco.

Além disso, a utilização dessa técnica permite representar que os retornos obtidos do empreendimento serão reinvestidos a uma taxa de reinvestimento definida, normalmente a TMA (Taxa Mínima de Atratividade).

Vantagens da TIRM

Esse método de análise de viabilidade é muito utilizado por gestores porque resolve alguns problemas chave da convencional Taxa Interna de Retorno (TIR). Portanto, algumas das vantagens da TIRM são:

Leva em conta o custo de capital

Vamos supor que para realizar determinado empreendimento uma empresa tome um empréstimo bancário com juros de 1% ao mês. Utilizando apenas a TIR convencional, o custo desse passivo não seria levado em consideração na viabilidade do projeto – o que é possível com a TIRM.

Determina uma taxa de reinvestimento

No cálculo da TIR, os fluxos de caixa positivos gerados pelo projeto são reinvestidos à própria TIR. Isso, muitas vezes, não compreende a realidade. No caso da TIRM, é possível determinar essa taxa de reinvestimento – normalmente, utiliza-se a TMA.

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Como fazer o cálculo da TIRM?

O cálculo da TIRM leva em conta alguns conhecimentos de contabilidade, como do fluxo de caixa. Esses conhecimentos são fundamentais para o investidor conhecer melhor a companhia que está analisando. Além disso, eles também servem para dar mais segurança ao realizar um determinado investimento.

Por isso, preparamos um minicurso gratuito de contabilidade para investidores, onde abordamos os conhecimentos contábeis mais importantes para se fazer uma análise segura de um investimento.

A seguir, mostraremos como o cálculo da Taxa Interna de Retorno Modificada é feito no Excel, ferramenta que calcula essa taxa por meio de uma fórmula com alguns critérios.

Cálculo da TIRM no Excel

tirm

Para esse fluxo de caixa de um determinado projeto, levaremos em conta as seguintes premissas:

  • Custo de Capital (Taxa de Financiamento): 10%;
  • Taxa de Reinvestimento: 6%.

Então, para calcular no Excel usamos a fórmula da TIRM, que é: =MTIR(valores; taxa_financ; taxa_reinvest):

TIRM

Desvantagens da TIRM

As desvantagens da TIRM são justamente os pontos em que ela se difere da Taxa Interna de Retorno (TIR).

  1. Não é apropriado utilizar a Taxa Interna de Retorno Modificada quando a taxa de reinvestimento dos fluxos positivos é igual à taxa de retorno do próprio empreendimento.
  2. Também não se deve utilizar esse método quando não se conhece o custo de capital da empresa ou a taxa de reinvestimento.

Exemplo de TIRM e de TIR

Viabilidade de Incorporadoras

É possível que vendas ocorram ao longo do andamento da construção de um prédio residencial, por exemplo. Nesse caso, o capital recebido dessas vendas (fluxos positivos) é usado para financiar o próprio empreendimento. Por isso, o fluxo positivo desse empreendimento é reinvestido à própria TIR.

Este, portanto, é o melhor método de análise de viabilidade econômica para o projeto da Incorporadora, e não a TIRM.

Viabilidade de Concessões Rodoviárias

Por outro lado, no caso de concessões rodoviárias, há um aporte de capital intensivo no começo do empreendimento, gerando um grande investimento inicial. Durante o período desses investimentos para a instalação da concessionária, via de regra, não existem fluxos positivos (receitas com pedágio).

Então, após o início da operação da concessão, e com o fim dos grandes aportes iniciais, os fluxos positivos começam a ser gerados. Contudo, eles não são reinvestidos a própria TIR, pois o investimento no projeto já foi feito integralmente.

Por isso, é preciso estimar qual será a taxa de reinvestimento dos valores recebidos pela cobrança de pedágio, visto que eles serão destinados, por exemplo, a aplicações financeiras, e não ao próprio empreendimento.

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Usar a TIR ou a TIRM?

Como foi visto, o uso de cada um dos métodos resultará em taxas diferentes. Por isso, antes de fazer o cálculo, é fundamental escolher qual o critério de avaliação de viabilidade (TIR ou TIRM) que irá traduzir melhor a realidade de empreendimento. Essa escolha será essencial para fornecer a melhor informação para o processo de tomada de decisão de um investimento.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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