taxa de carregamento
Por: Tiago Reis

Entenda como a taxa de carregamento incide sobre os planos de previdência

Entrar em uma previdência privada é uma opção de investimento em longo prazo cada vez mais popular entre o público brasileiro. Porém, antes de se decidir, é necessário se informar sobre todos os detalhes que envolvem esse investimento  – como formas de tributação, aplicação, resgate e taxas cobradas. Dentre as taxas a serem pesquisadas, por exemplo, aquela que o interessado deve ter mais atenção é a taxa de carregamento.

A taxa de carregamento é um tipo de cobrança específica dos planos de previdência. Por isso, analisá-la antes de entrar em um plano pode fazer total diferença na rentabilidade obtida no futuro.

 O que e é a taxa de carregamento?

A taxa de carregamento é uma cobrança percentual realizada sobre o capital aplicado em um plano de previdência privada, como os PGBL ou VGBL. Ela existe para custear as despesas de administração e manutenção das aplicações, como os custos de venda e as corretagens do plano.

Normalmente, as taxas de carregamento praticadas no mercado podem chegar em até 5% do valor depositado pelos clientes. Porém, a sua cobrança não é obrigatória, e sim opcional. Logo, cabe ao próprio plano definir se a taxa será cobrada e qual será o seu valor. Existem vários planos no mercado que não efetuam esse tipo de cobrança, isentando seus clientes da taxa de carregamento.

Como a taxa de carregamento é cobrada?

Ao contrário de outras taxas, a taxa de carregamento não é cobrada regularmente. Ou seja, não se trata de um recolhimento feito periodicamente todo mês ou todo ano – como acontece com a taxa de administração, por exemplo.

A taxa de carregamento é cobrada apenas quando o beneficiário faz uma nova movimentação no seu plano, seja de entrada ou saída de capital. Ou seja, isso significa que a cada aporte ou saque realizado pelo investidor, o plano pode reter uma porcentagem do valor movimentado como taxa de carregamento.

Por isso, os planos de previdência pode cobrar a taxa de carregamento de três formas:

Cobrança na entrada

A taxa de carregamento antecipada ocorre no momento da contribuição e incide sobre o dinheiro que é depositado. Dessa forma, quanto maior for a quantia aplicada, maior será o valor cobrado. No mercado, esse tipo de cobrança é popularmente conhecido como “Taxa de Entrada”.

Exemplo:

O investidor aplica R$ 1000 no seu plano de previdência privada. Esse plano cobra uma taxa de carregamento de 3% na entrada.

Logo, dos R$ 1000, R$ 970 são aplicados e R$ 30 ficam com a instituição.

Cobrança na saída

A taxa de carregamento postecipada ocorre no momento do resgate do plano, quando o investidor for sacar seu dinheiro. No mercado, esse tipo de cobrança é popularmente conhecido como “Taxa de Saída”.

Porém, a instituição pode cobrar taxas de carregamento menores de acordo com o tempo de permanência no plano. Essa medida é feita para que os investidores mantenham suas aplicações por um prazo maior. Logo, quanto maior for o tempo de aplicação, menor a será a taxa.

Exemplo:

O investidor aplicou R$1000 em seu plano, e após 4 anos, o montante aplicado chegou a R$ 1500. A taxa de carregamento desse plano é cobrada na saída, e tem o valor de 2% para aplicações com mais de 3 anos.

Como a cobrança é feita sobre os R$ 1000 que foram aplicados no passado, a taxa de carregamento será de R$ 30. Dessa forma, o investidor recebe R$ 1470, e R$ 30 ficam com a instituição.

Cobrança dupla

Em alguns casos, a taxa de carregamento pode ser cobrada duplamente, tanto no momento da contribuição e quanto na retirada do dinheiro.

Exemplo:

O investidor aplica R$ 1000 no seu plano de previdência privada. Esse plano cobra uma taxa de carregamento de 1% na entrada e 2% na saída. Logo, no momento da aplicação, a instituição fica com R$ 10 e os R$ 990 são aplicados no plano.

Após dois anos, o montante acumulado no plano chega a R$ 1200 e o investidor decide realizar o resgate do dinheiro. Como os 2% de taxa de carregamento de saída serão aplicados sobre os R$ 1000 iniciais, a instituição fica com mais R$ 20 e o investidor recebe R$ 1180.

Efeitos da taxa de carregamento sobre a rentabilidade do plano?

A taxa de carregamento é um dos principais custos dos planos de previdência privada. Mesmo sendo um porcentagem pequena, cada cobrança retira do investidor uma quantia que poderia estar rendendo dentro montante investido. Por isso, como a previdência é um investimento de longo prazo, esse tipo de taxação acaba tendo um grande impacto na rentabilidade do plano.

Por isso, o recomendado é sempre pesquisar por instituições que ofereçam isenção na taxa de carregamento. Por meio da portabilidade de planos de previdência, é possível até mesmo mover um plano já existe para outra instituição que não cobre essa taxa.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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