sunk cost
Por: Tiago Reis

Sunk Cost: entenda o que significa um custo irrecuperável

A incerteza é um fator permanente em qualquer decisão de investimento, seja em maior ou menor grau. Por isso, não é anormal que o valor despendido para custear um algum projeto, por exemplo, nunca seja recuperado pelo investidor. Isso acontece, por exemplo, em uma situação chamada de sunk cost.

Porém, mesmo representando uma perda, é importante ressaltar que, para a economia, um sunk cost é diferente de um mero prejuízo.

O que é sunk cost?

Sunk cost é um termo econômico que significa custos irrecuperáveis. Ou seja, ele corresponde a uma despesa já paga em determinado serviço ou projeto que não pode ser recuperada. São classificados como custos irrecuperáveis, todos aqueles investimentos que a recuperação financeira não seja significante.

Além disso, osunk cost ou custo afundado, é diferente da perda econômica. Os custos irrecuperáveis são frequentemente estudados por profissionais da área de economia comportamental.

O conceito econômico dos custos irrecuperáveis

Economicamente, o sunk cost representa o custo passado. Assim, não deve considerado nas considerações de negócios futuros de uma instituição. Isso porque ele não vai ter nenhuma alteração no valor final porque a despesa já foi paga. Para as teorias da microeconomia, somente os custos futuros são relevantes na tomada de decisões.

A economia tradicional prega que as decisões devem ser tomadas sem influência do custo afundado. Mas isso nem sempre acontece, isso porque as tomadas de decisões não são 100% racionais e vários aspectos emocionais são levadas em considerações.

Se um custo irrecuperável puder ser eliminado das despesas de produção, ele se torna um fator relevante e deve ser parte das decisões futuras de qualquer instituição.

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Exemplos de sunk cost

Há diversos casos conhecidos pelos custos irrecuperáveis. Em 1962, a Inglaterra e França se uniram para construir um avião comercial supersônico, conhecido como Concorde. Mas os altos custos da aeronave e diversas questões políticas e legais fizeram os dois países manterem a produção até 2003. Durante o tratado dos países, foram produzidos 20 unidades.

Os altos custos do projeto, além do número limitado de compradores fez o projeto ser interrompido. Além disso, a aeronave tinha um potencial de poluição ambiental maior que outros modelos. Isso fez diversos países limitarem as operações em espaços aéreos. Mas não só aspectos legais que fazem exemplos de sunk cost continuarem.

O sunk cost e a aversão às perdas financeiras

Alguns aspectos do sunk cost estão ligados com questões emocionais. Muitos estudiosos relacionam o sunk cost com aversão à perdas financeiras.

Isso acontece porque os custos irrecuperáveis muitas vezes são levados em consideração na tomada de decisões. Por exemplo, muitos administradores têm aversão a desperdícios ou perdas. Assim, continuam investindo recursos em determinada ação que não traz retorno.

Muitos economistas chamam esse fenômeno de falácia do custo irrecuperável ou falácia de sunk cost. A construção das aeronaves Concorde são o caso mais popular de falácia.

Isso porque os governos francês e britânico tinham conhecimento que o projeto não era financeiramente viável. Além disso, anos depois se tornou evidente a falta de mercado para o modelo.

Mesmo com todas as evidências e análises, o projeto foi continuado por anos. Quando acabou, após o término do tratado, os países assumiram que o projeto deveria ter sido descontinuado antes. O governo britânico ainda declarou à imprensa o programa como “desastre comercial”.

Revertendo um custo irrecuperável

O sunk cost é caracterizado como uma despesa passada já paga e que não conseguirá ser recuperada. Entretanto, muitas empresas consideram custos irrecuperáveis diversos bens como:

  • Imóveis e propriedades;
  • Maquinário e ferramentas;
  • Softwares.

Algumas organizações aproveitam que já investiram nestas despesas e aproveitam para aumentarem a margem de lucro. Para isso, exploram opções de produtos diferentes que conseguem desenvolver com os mesmo recursos.

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Por exemplo, uma empresa pode aproveitar o maquinário e aumentar a variedade de um produto. Além disso, algumas empresas apenas trocam o público-alvo.

Logo, uma empresa pode aumentar os lucros diferenciando os produtos. Isso é, aproveitar todos os equipamentos e oferecer determinado produto ou serviço com materiais de melhor qualidade. É comum uma mesma empresa de calçado ter uma linha econômica e outra premium.

Sendo assim, essa seria uma forma de reverter a situação e aproveitar o sunk cost.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

1 comentário

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  • Elias Santos 8 de abril de 2020

    Obrigado pelo esclarecimento Tiago!

    Responder
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