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    Você sabe o que é o Relatório Focus e o que contém nesse documento?

    Você sabe o que é o Relatório Focus e o que contém nesse documento?

    Para um investidor de valor com foco no longo prazo, saber o conceito existente nos principais termos do cenário econômico é muito importante e, neste sentido, o Relatório Focus se enquadra com bastante relevância.

    Mesmo assim, muitos agentes do mercado financeiro ainda não possuem conhecimento acerca do Relatório Focus, porém nunca é tarde para se aprender algum novo conceito.

    O Relatório Focus, também conhecido como boletim Focus, é um documento que é publicado online e que contém um resumo das expectativas de mercado a respeito de alguns dos mais importantes indicadores de nossa economia.

    Esse resumo, em si, é o resultado de uma pesquisa de expectativas de mercado com cerca de 120 bancos, gestores de recursos e outras instituições financeiras.

    Essa publicação é tão relevante que é elaborada pelo Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin) do Banco Central do Brasil (Bacen).

    Vale mencionar que o relatório é divulgado semanalmente, às segundas-feiras, porém com data de publicação da sexta-feira anterior, através do portal do Bacen.

    1. Indicadores do Relatório Focus
    2. IPCA
    3. IGPM
    4. Taxa Selic Meta
    5. Taxa de câmbio
    6. PIB
    7. Considerações sobre o Boletim Focus
    8. Conclusão

    Relatório Focus: Indicadores [sta_anchor id=”1″ /]

    indicadores do boletim focusAtravés do Relatório Focus é que são divulgadas as expectativas de mercado dos principais indicadores da economia, tais como:

    • IPCA
    • IGPM
    • Taxa de Câmbio
    • Meta Taxa Selic
    • Crescimento do PIB

    Estas variáveis, cada uma de uma forma, possuem um grande impacto na economia.

    Para perceber a importância do relatório Focus, e realizar uma interpretação adequada do mesmo, é necessário saber o que cada variável acima representa.

    IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidos Amplo[sta_anchor id=”2″ /]

    Calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) através de coletas de dados feitas, normalmente, em estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços, além de concessionárias de serviços públicos e também diretamente nos domicílios, o IPCA é a abreviação para Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo e, atualmente, é considerado o índice oficial da inflação no Brasil.

    Mas afinal, o que é a inflação?

    A inflação representa a taxa com a qual os preços aumentam em uma economia.

    O IPCA é apresentado em uma taxa anual, ou dos últimos 12 meses.

    Por exemplo, quando se diz que a inflação no ano de 2017 foi de 4% isso quer dizer que, na média, a cesta de consumo da população teve o seu preço apreciado em 4%.

    Na prática isto quer dizer que se as famílias possuem um gasto em média de R$ 1 mil este gasto passará a ser de R$ 1,04 mil.

    É importante ressaltar que o IPCA é uma média e pode não representar propriamente a inflação de cada indivíduo.

    Afinal, as pessoas possuem hábitos de consumo muito diversos entre si.

    No entanto, no geral, o IPCA serve como uma boa base para a inflação da maior parte da população.

    Diferença entre desinflação e deflação

    Muitas pessoas em períodos de queda de inflação fazem o seguido questionamento “Se a inflação está mais baixa como os preços estão mais caros?”.

    Este questionamento se dá por uma confusão comumente causada entra desinflação e de deflação.

    A desinflação é somente uma queda do índice de inflação. Por exemplo: Se o IPCA cai de 10% para 4% se diz que houve uma desinflação, pois, a inflação perdeu 6 pontos percentuais.

    Já a deflação é um fenômeno raro de inflação negativa, neste caso os preços realmente ficam mais baratos.

    O que se observa, comumente, são períodos de desinflação e não de deflação.

    Períodos de desinflação são períodos em que os preços seguem aumentando, porém, eles aumentam a uma taxa mais baixa.

    É muito mais preferível que uma economia tenha uma inflação de, por exemplo, 2%, do que uma inflação de 10%, pois uma inflação mais baixa traz maior estabilidade ao sistema econômico.

    Mesmo assim, uma pequena inflação ainda é bem-vinda. Isto ocorre pois assim se cria uma margem de segurança contra a deflação.

    A deflação, embora possa parecer boa pois os preços diminuem, é, na realidade, nociva a uma economia.

    Isto ocorre pois se os preços estão em constante queda as pessoas tendem a adiar o consumo, e o consumo é a força que move a economia mundial.

    Sem o consumo o faturamento das empresas tende a cair, consequentemente o índice de emprego também tende a cair, e isto gera um efeito cascata muito prejudicial para a economia.

    Por isso, mesmo as economias mais desenvolvidas, trabalham com uma taxa de inflação meta ao redor de 2%, para conter o risco de uma deflação.

    Países menos desenvolvidos, como o Brasil, tendem a ter como meta taxas um pouco mais altas. Por exemplo, no ano de 2018 o centro da meta da inflação brasileira foi de 4,5%.

    IGPM – Índice Geral de Preços de Mercado[sta_anchor id=”3″ /]

    Calculado mensalmente, este indicador da economia acompanha a inflação do país, que é calculada pela diferença de preços de um determinado conjunto de produtos.

    O IGP-M é a sigla para Índice Geral de Preços de Mercado e é definido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

    O IGPM possui um propósito diferente do IPCA. Enquanto o IPCA foca nos consumidores amplos, ou seja, na população em geral, o IGPM buscar ser o índice de inflação do atacado.

    Sendo assim, ele é muito importante para produtores e empresários da economia.

    Além disso, o IGPM serve como base para o reajuste de vários contratos firmados.

    Tais como contratos de empresas de energias ou contratos de aluguel de imóveis.

    O IGPM é composto pela média ponderada de 3 índices de inflação, são eles e seus respectivos pesos no IGPM:

    1. IPA – 60%
    2. IPC – 30%
    3. INCC – 10%

    O IPA é o índice de preço do produtor amplo. Justamente por este possuir maior peso no cálculo do IGPM é que esta é considerada a inflação do atacado.

    O IPC é índice do consumidor. Este índice é similar ao IPCA é avalia a mudança de preço em uma cesta de bens de famílias que ganham de 1 a 33 salários mínimos.

    O INCC é o índice de custo da construção e diz respeito à variação do custo para a construção de habitações.

    Taxa de câmbio[sta_anchor id=”4″ /]

    A taxa de câmbio é um fator muito importante para a economia.

    Principalmente pois ele afeta diretamente as exportações e as importações.

    A taxa de câmbio é comumente expressa na forma de moeda nacional por moeda estrangeira.

    Como a moeda mais utilizada no mundo é o dólar, o Boletim Focus apresenta a taxa de câmbio na forma de Reais / dólar. Ou seja, quantos reais são necessários para comprar um dólar.

    Se a taxa de câmbio for de R$ 3,50 isto signifique que o preço de um dólar equivale a R$ 3,50.

    Você pode se perguntar de que forma o preço do dólar afeta o fluxo de exportações e importação. Este é um raciocínio que pode ser observado de maneira intuitiva através de um exemplo.

    Antes de tudo é importante ressaltar que o comércio internacional é comumente realizado em dólar.

    Imagine, então, que você é importador de smartphones. Você deseja importar o total de 100 smartphonese como estes custam $ 1 mil dólares cada a sua importação será no total de $ 100 mil dólares.

    Caso o dólar esteja no valor de R$ 2 o seu custo, em reais, será de R$ 200 mil.

    Agora imagine que o Brasil esteja passando por uma crise econômica. Como é comum em períodos de crise, o dólar dispara chegando a R$ 4.

    O produtor que vende os smartphones para você ainda deseja receber os mesmos $ 100 mil dólares pela venda, afinal, para ele o valor do dólar não mudou.

    No entanto, para você que está importando o produto, o custo agora, em reais, será de R$ 400 mil.

    Isto torna as exportações muito caras e até inviáveis em algumas ocasiões. Se você não tiver a capacidade de repassar este custo extra para o consumidor final este aumento do dólar pode representar o fim do seu negócio.

    Consequências da taxa de câmbio

    Observa-se, portanto, a primeira consequência de uma alta da taxa de câmbio: O desestimulo para as importações.

    Um outro efeito da depreciação do câmbio se dá nas exportações. Neste caso o efeito é contrário ao das importações, um aumento do câmbio causa um grande estímulo para as exportações.

    Isto ocorre pois imagine que você agora exporta smartphones, e não mais os compra.

    Os $ 100 mil dólares recebidos por você, com o dólar a R$ 2, lhe garantem R$ 200 mil.

    No entanto, com o dólar valendo R$ 4 você irá obter um ganho de R$ 400 mil vendendo os mesmos 100smartphones.

    Ou seja, você estará vendendo a mesma quantidade, mas ganhando muito mais por isso.

    Por isso quando o valor do dólar sobe as empresas exportadoras são as principais beneficiadas.

    Inclusive este é um fato que pode ser muito bem observado na bolsa de valores.

    Quando o dólar está um dia de forte alta, as ações das empresas exportadores tendem a também sofrerem uma valorização expressiva.

    Os exemplos citados aqui se dão para uma alta do dólar.

    Em caso de queda do dólar os efeitos contrários se observam, ou seja:

    • As importações são estimuladas
    • As exportações são desestimuladas

    Taxa Selic Meta[sta_anchor id=”5″ /]

    A taxa Selic Meta é determinada pelo Copom, o comitê de política monetária do Bacen.

    A Taxa Selic Meta é muito importante pois serve como referência para todas as demais taxas de juros da economia.

    O Bacen, quando deseja reduzir a inflação e desestimular o consumo, eleva a taxa de juros.

    Como boa parte do consumo, principalmente o de bens de alto valor, são financiados com taxa de juros, uma elevação desta taxa acaba por reduzir o consumo.

    Ainda, uma maior taxa de juros significa que o dinheiro destinado para poupança irá render mais.

    Assim, as pessoas tendem a poupar mais e consumir menos, o que causa uma queda da inflação.

    Já quando o Banco Central deseja estimular o consumo para aquecer a economia ele reduz a taxa de juros.

    Uma taxa de juros menor irá fazer com que as pessoas consumam mais pois o financiamento será muito mais barato.

    Além disso, como o dinheiro destinado a poupança irá render menos, as pessoas tendem a ter um maior estímulo para consumir e um menor estímulo para poupar.

    A Taxa Selic Meta é importante ainda na avaliação do valor de negócios, o famoso valuation. A Taxa Selic Meta afeta diretamente a taxa de desconto utilizada na avaliação de empresas.

    Isto ocorre, pois, muitas empresas para financiar os seus negócios captam dívida. Estas dívidas muitas vezes possuem como indexador a própria taxa Selic ou taxa diretamente relacionadas a ela.

    E como o custo da dívida é algo essencial para o sucesso de um empreendimento, a Taxa Selic Meta acaba por afetar estes valuation.

    No vídeo abaixo onde é apresentado o valuation a respeito da empresa M Dias Branco é falado um pouco mais sobre a taxa de desconto.

    Se você quiser saber mais sobre valuation você pode fazer o curso gratuito da Suno Research sobre o tema.

    PIB[sta_anchor id=”6″ /]

    O PIB é a variável que agrega todos os fatores da economia.

    A sigla representa o produto interno bruto, e é a soma de todos os bens produzidos pelo país.

    Ele pode ser considerado o termômetro da economia de um país.

    O fator do PIB comumente mais enfatizado pelos meios de comunicação é a sua variação.

    Esta variação é sempre exposta em termos percentuais, como por exemplo: “O PIB caiu 3% em 2017” ou “O PIB pode subir até 2% em 2018”.

    Considerações sobre o relatório Focus [sta_anchor id=”7″ /]

    Considerações sobre o relatório focusAinda a respeito do Relatório Focus, nele é relatado as expectativas para o fim do ano projetadas na semana corrente, há uma semana atrás e também há quatro semanas (um mês) anteriores.

    Dessa maneira, a comparação entre as expectativas previstas em uma semana contra semana anterior pode demonstrar a mudança de percepção do mercado quanto ao futuro da economia.

    Por que ler o relatório Focus?

    Ler o relatório Focus é essencial para auxiliar na tomada de decisão.

    Imagine por exemplo que você é um exportador ou um importador, foi visto nos exemplos acima que a taxa de câmbio possui um imenso poder sobre o seu resultado final.

    Portanto, quando tomando decisões de quanto ou quando exportar ou importar, é relevante ter a opinião de especialista e profissionais do mercado.

    E esta opinião pode ser obtida de graça e acessada muito facilmente se utilizando do portal do Bacen.

    As informações presentes no Boletim Focus são tão importantes que até o COPOM o utiliza para a definição da taxa Selic Meta.

    O relatório ainda é importante para a tomada de decisão de investidores.

    Pois as variáveis apresentadas no Boletim afetam diretamente os investimentos.

    Por exemplo: Um crescimento do PIB tende a levar a uma alta do Ibovespa, enquanto que a alta do dólar tende a favorecer as empresas exportadoras.

    Top 5 – Boletim Focus

    Existe, ainda no Relatório Focus, uma tabela definida como Top 5 que relata as previsões das cinco instituições que mais acertaram as previsões no passado, o que tende a repassar uma maior credibilidade para o usuário das informações no âmbito de sua leitura e interpretação.

    Conclusão sobre o relatório Focus [sta_anchor id=”8″ /]

    conclusão sobre o relatório focusO Relatório Focus, conforme destacado, é um documente, de fato, bastante útil e importante para interessados no mercado financeiro e de capitais, haja visto a quantidade de informação relevante nele contida que possui caráter de alterar de maneira direta a rentabilidade de financeiros disponibilizados no mercado.

    Tiago Reis
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    1 comentário

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    • Davi Bispo 6 de julho de 2020

      Excelente conteúdo!
      Se até o Copom tem como referência o Boletim Focus, quiça nós pobres mortais. Rsrs

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