A Companhia Vale S.A. veio ao mercado, nesta quinta-feira (28), anunciar que já está disponível, em seu site de relacionamento com investidores, apresentação acerca das ações emergenciais tomadas pela companhia em resposta ao acidente de Brumadinho e dos impactos operacionais e financeiros do mesmo.

 

A administração da companhia afirma que está provendo suporte médico com cerca de quatrocentos profissionais trabalhando em cinco postos de atendimento em Brumadinho, Nova Lima e Barão dos Cocais.

Foram realizadas mais de 6.800 consultas médicas e psicológicas neste sentido. Além disso, a companhia disponibilizou 322 acomodações e alugou mais de 125 casas para as famílias afetadas pelo acidente.

Mais de 940 pessoas foram alocadas em moradias provisórias, hotéis, pousadas ou casa de amigos e parentes, conforme suas escolhas.

A organização também adotou medidas para auxiliar o transporte dos indivíduos, disponibilizando pouco mais de 1300 assentos em ônibus, veículos leves e ambulâncias.

Também foram realizadas doações para as famílias das vítimas, residentes da Zona de Auto-Salvamento, pessoas que tiveram seus negócios impactados e para famílias moradoras da ZAS da barragem Sul Superior da Mina de Gongo Soco em Barão de Cocais.

O total doado chega a R$32.240.000,00 até 25 de março de 2019. Somado a este valor, a companhia despendeu de pouco menos de R$400 milhões para prestar suporte financeiro à diversas instituições envolvidas nos resgates.

Destes, mais de R$289 milhões foram alocados para aquisição de medicamentos, água equipamentos e outros custos logísticos.

Quanto aos impactos operacionais, a administração informou que as decisões publicadas por órgãos do governo comprometeram a produção de cerca de 93Mtpa, conforme gráfico a seguir.

Em adição aos impactos na operação, o Ministério Público de Minas Gerais e outras instituições estipularam bloqueios judiciais que totalizam R$16.55 bilhões de reais, como indicado na figura a seguir.

A companhia ainda foi multada pelo Ibama e pelo Governo de Minas Gerais, nos respectivos valores de R$250 milhões e R$99 milhões. A multa referente ao Ibama envolve cinco autos de infração no valor de R$50 milhões cada, o máximo previsto na Lei de Crimes Ambientais.

A Vale foi multada por causar poluição que possa resultar em danos à saúde humana;  tornar área urbana ou rural imprópria para a ocupação humana; causar poluição hídrica que torne necessária a interrupção do abastecimento de água; provocar, pela emissão de efluentes ou carregamento de materiais o perecimento de espécimes de biodiversidade; e lançar rejeitos de mineração em recursos hídricos.

Como podemos notar, a tragédia foi bastante prejudicial para a companhia e, devido às inúmeras incertezas que envolvem o futuro da organização, preferimos nos distanciar do ativo.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.