Por: Tiago Reis

Radar do Mercado: Petrobras (PETR4) – postergação de dívida é uma boa alternativa?

A Petrobras informou, na última sexta-feira (26), que sua subsidiária integral Petrobras Global Finance B.V. (PGF), enviou notificações de resgate antecipado aos investidores dos títulos 3,000% Global Notes e 7,875% Global Notes, em dólares norte-americanos, e 3,250% Global Notes, em euros, todos com vencimento em 2019.

De acordo com o reportado, o valor total do resgate equivale a aproximadamente US$ 2,1 bilhões, excluindo os juros capitalizados, os quais também serão pagos na data da liquidação e considerando a taxa de câmbio de US$ 1,2396/€ para o título 3,250% Global Notes denominado em euros.

A companhia finalizou o comunicado afirmando que a liquidação financeira da recompra ocorrerá em 26 de fevereiro próximo.

No mesmo dia, a companhia emitiu outro comunicado, através do qual informou que precificou, na véspera, a emissão do título 5,750% Global Notes com vencimento em 2029, emitido através da sua subsidiária integral Petrobras Global Finance B.V. (“PGF”), no volume total de US$ 2 bilhões, de modo que, assim possa utilizar os recursos líquidos da venda do título para a liquidação voluntária antecipada dos títulos referenciados anteriormente.

De acordo com a petroleira, a oferta foi registrada na SEC (U.S. Securities and Exchange Commission) e conta com a sua garantia total e incondicional.

Segundo o reportado, os termos da emissão do novo título se fizeram da seguinte maneira:

  • Emissão: Global Notes a 5,750% com vencimento em 2029;
  • Volume Emitido: US$ 2 bilhões;
  • Cupom: 5,750% a.a.;
  • Datas dos pagamentos de juros: 01 de fevereiro e 01 de agosto de cada ano, iniciando em 01 de agosto de 2018;
  • Preço de emissão: 98,402% do montante do principal;
  • Rendimento ao investidor: 5,950% a.a.;
  • Vencimento: 01 de fevereiro de 2029;

“Caso haja recursos remanescentes, serão utilizados para o pré-pagamento de outras dívidas e para fins corporativos gerais”, ressaltou a Petrobras.

 

De acordo com o reportado pela estatal, é plausível concluir que a Petrobras – maior emissor de dívida do Brasil – aproveitou-se da forte onda de alta observada no mercado em meio à condenação de Lula, na última quarta-feira (24), para levantar o referido capital de US$ 2 bilhões com bônus com vencimento em 2029 no intuito de postergar parte da sua dívida em janeiro.

Conforme destacado, os títulos saíram com um retorno ao investidor de 5,95%, ao passo que os recursos serão usados para propósitos gerais pela empresa, incluindo o pagamento de dívidas mais próximas, como os títulos que vencem em janeiro, março e abril de 2019.

De acordo com portais de notícias, a operação teve demanda de quase US$ 10 bilhões.

Tudo indica que a Petrobras segue firme na sua proposta de desinvestimentos que, conforme já divulgado anteriormente, prevê levantar US$ 21 bilhões com a emissão de dívidas e também com a venda de ativos até o final de 2018.

Neste sentido, há de se destacar que, ao final do terceiro trimestre do ano passado, a companhia apresentou um endividamento total de R$ 359 bilhões, resultado 7% menor que os R$ 385 bilhões ao final do ano passado.

A companhia também reduziu os seus investimentos.

No terceiro trimestre de 2017, a empresa investiu R$ 10,435 bilhões, menor que os R$ 12,259 bilhões do mesmo período do ano de 2016.

Até então, em 2017, a Petrobras havia somado R$ 33,4 bilhões, queda de 19%.

Nenhuma pessoa precisa ser especialista no setor de óleo e gás para perceber que o patamar de dívida da Petrobras ainda se encontra em níveis extremamente altos.

Também é visível que seus resultados operacionais não demonstram um aumento de performance compatível com esses compromissos.

Ainda, o fato da companhia emitir mais títulos de dívida de modo a postergar boa parte dos seus compromissos nos faz enxergar de maneira pouco confiante o case.

Entendemos que, em casos como esse de alto endividamento, o mais prudente é esperar de fora o desencadeamento dos fatos e as próximas estratégias da gestão no que diz respeito ao manuseio dessa desafiadora situação.

Ademais, o fato da companhia ser estatal, além de toda a investigação por trás da empresa no âmbito da operação Lava-Jato – que já constatou ser este um dos maiores escândalos de corrupção da história da humanidade – nos faz sentir desinteressados pela Petrobras.

É provável que, no longo prazo, o seu atual quadro de gestão consiga privatizar gradualmente essa gigante – realizando vendas pontuais de ativos, conforme já vem sendo feito pouco a pouco – que, no momento, se encontra bastante fragilizada pelos abusos a qual foi submetida ao longo de sua história.

Até lá, nos sentimos mais confortáveis em ficar de fora da Petrobras e recomendamos o mesmo a nossos assinantes.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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