A Grendene divulgou ontem (25) ao mercado o seu resultado do 3T18 e 9M18 e, de acordo com a companhia, os acontecimentos até este momento foram piores que as suas expectativas iniciais do ano, e diferentemente do que a Grendene esperava, o consumo não apresentou recuperação durante o ano apesar de os juros terem sido mantidos bastante baixos.

Neste cenário a companhia sofreu uma redução no resultado financeiro e também não obteve um crescimento no resultado operacional para compensar este efeito o que ocasionou queda no lucro líquido ao invés do pequeno crescimento que a mesma esperava inicialmente.

Isto posto, vale ressaltar aqui a receita líquida da companhia atingiu, no 3T18, R$ 599,1 milhões ante R$ 596,3 no mesmo período de 2017, o que representou uma variação positiva de 0,5%. Já no acumulado dos nove meses do ano, a companhia obteve uma receita líquida de R$ 1.591,0 milhões, um aumento de 2,9% frente aos R$ 1.546,6 milhões observados no 9M17.

É importante destacar que o negócio da Grendene é de baixa intensidade de capital sendo a depreciação em torno de 3% da receita líquida nos 9M17 e 9M18.

Assim, a empresa regularmente investe um valor equivalente à depreciação para manter sua capacidade de produção atualizada.

Adicionalmente a empresa mantém caixa líquido positivo e não tem encargos financeiros que devem ser pagos com recursos originados da operação.

Desta forma entendemos que a análise do EBIT (Earnings Before Interests and Taxes – lucro operacional antes dos efeitos financeiros) faz mais sentido para a gestão operacional da companhia.

Em outras palavras, a companhia, por possuir uma grande posição de caixa que gera receitas financeiras expressivas, o lucro operacional de sua atividade caracterizado pelo Ebit é um melhor indicador de sua performance operacional.

Dito isso, ressalta-se aqui que o Ebit da Grendene no 3T18 foi de R$ 96.378 milhões, uma redução de 13,5% frente aos R$ 111.462 milhões observados no mesmo período do ano passado. No acumulado do ano, o número foi de R$ 279.015 milhões, variação positiva de 0,2% frente aos nove meses de 2017, quanto esse resultado foi de R$ 278.358 milhões.

Adicionalmente, nos 9M18 o resultado financeiro líquido foi positivo em R$101,5 milhões, mas R$90,3 milhões menor que o resultado financeiro obtido nos 9M17 conforme demonstrado no quadro a seguir:

Importante lembrar que a queda de juros (TMS) entre os 9M17 e 9M18 foi de 40,4% (de 10,9% a.a. para 6,5% a.a).

Com isso, a queda no resultado financeiro nos 9M18 em relação aos 9M17, foi de R$90,3 milhões, bem maior que o pequeno aumento no resultado operacional, EBIT, de R$0,7 milhão.

De acordo com a companhia, o mercado interno apresentou um cenário de baixa demanda, o que também aconteceu em diversos destinos de exportação, especialmente na América Latina.

A desvalorização cambial, a greve dos transportes e as incertezas políticas se traduziram em aumento de preços em diversos insumos, impedindo que a Grendene atingisse o seu objetivo de compensar a queda nos resultados financeiros com igual ou melhor evolução nos resultados operacionais.

Diante disso, o lucro líquido nos 9M18 foi de R$334,2 milhões – 18,6% menor que o mesmo período observado no ano de 2017.

Adicionalmente, nos 9M18, o caixa gerado nas atividades operacionais de R$427,0 milhões foi destinado para: pagamento de: empréstimos no valor líquido de R$55,4 milhões, investimentos em imobilizados e intangíveis no valor de R$54,3 milhões, aplicações financeiras no valor líquido de R$24,5 milhões, dividendos e JCP no valor total de R$274,0 milhões e no resultado líquido negativo de R$29,1 milhões na venda de ações em tesouraria pelo exercício dos detentores de opções de compra outorgadas pela empresa, o que resultou na redução de R$10,3 milhões do valor mantido em conta corrente e aplicações financeiras de curtíssimo prazo.

Ainda ontem, a companhia também informou ao mercado que o seu Conselho de Administração, em reunião realizada na mesma data, deliberou e aprovou a 3ª distribuição antecipada de dividendos referente ao saldo disponível no período até 30/09/2018, no valor de R$47.225.071,31 cabendo aos acionistas titulares de ações ordinárias, o valor de R$0,052457439 por ação (excluídas as ações em tesouraria, conforme legislação em vigor).

Tais dividendos serão pagos a partir de 21/11/2018, sem remuneração ou atualização monetária e sem retenção de Imposto de Renda, conforme legislação em vigor.

Farão jus ao recebimento destes dividendos os acionistas titulares de ações ordinárias (GRND3) inscritos nos registros da Companhia em 05/11/2018. Desta forma, as ações da companhia passarão a ser negociadas ex-dividendos a partir de 06/11/2018, na B3 S.A. – Brasil, Bolsa, Balcão.

Por fim, a companhia informou, ainda, que o seu Conselho de Administração também aprovou, ainda ontem, o encerramento do programa de aquisição de ações ordinárias nominativas, sem valor nominal, da companhia que foi aprovado na reunião do prórpio conselhor realizada em 27 de julho de 2017, esclarecendo, ainda, que foram adquiridas 3.937.029 ações de sua própria emissão no âmbito do referido programa.

No mais, avaliamos que os resultados da Grendene, muito por conta de terem se mostrado abaixo das expectativas, possam contribuir para que um cenário de queda nos preços das suas ações possa vir a surgir, o que se traduz em boas oportunidades de entrada a preços descontados e com margens de segurança satisfatórias para os investidores de valor focados no longo prazo.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.