A Duratex comunicou ontem (21) aos seus acionistas e ao mercado em geral que, na mesma data, celebrou com a Lenzing AG, grupo austríaco líder mundial na produção de fibras de celulose, um acordo com a definição de termos e condições para formação de uma joint venture (nova companhia), para construção de uma fábrica para produção e comercialização de celulose solúvel, após decisão final das partes envolvidas.

“Este acordo não afetará a capacidade de fornecimento de madeira própria da Duratex para suas unidades de produção de painéis. Esta área florestal foi conduzida especificamente para suportar projeto de expansão de painéis de madeira anteriormente previsto e que não será desenvolvido”, ressaltou a companhia em seu comunicado.

A conclusão dos acordos e a constituição da nova companhia estão sujeitas ao cumprimento de condições precedentes, entre as quais, mas não se limitando, a negociação e assinatura de documentos complementares, obtenção de autorizações dos órgãos competentes (incluindo autoridades de defesa da concorrência no Brasil e no exterior e licenças ambientais) e viabilidade dos estudos de engenharia.

Por fim, a companhia destacou que a decisão final quanto a implementação do projeto ocorrerá no segundo semestre de 2019 e começo da produção está previsto para 2022.

“A Duratex reafirma o compromisso de maximizar a criação de valor para seus acionistas e demais stakeholders, fomentando a economia do Triângulo Mineiro. A associação com a Lenzing, referência em seu segmento, reforça o posicionamento de liderança da Duratex no Brasil”, finalizou.

 

No que tange tal comunicado, é interessante destacar que a Lenzing é um grupo internacional com sede na cidade que carrega o mesmo nome da companhia, na Áustria, e locais de produção em todos os principais mercados.

A Lenzing produz fibras de celulose à base de madeira, fibras modais e filamentos, utilizadas na indústria têxtil – no vestuário, nos têxteis-lar e nos têxteis técnicos – e na indústria dos não-tecidos. Além disso, a empresa atua na engenharia mecânica e de instalações. Algumas marcas de produtos da Lenzing são TENCEL, VEOCEL e LENZING.

Em relação à criação da joint venture entre as partes, que irá operar a fábrica e a floresta, a mesma será detida pela Duratex e Lenzing, com participação acionária de 49% e 51%, respectivamente. Assim sendo, os resultados da nova companhia serão reconhecidos no resultado da Duratex por equivalência patrimonial.

Além de estabelecer a governança da joint venture, o acordo também garante a venda da totalidade da produção de celulose solúvel para a Lenzing, em condições de mercado.

Ainda, a nova companhia terá como atividade a produção e comercialização de celulose solúvel do tipo viscose, com localização estratégica no estado de Minas Gerais, na região do Triângulo Mineiro, próximo a São Paulo. A capacidade anual deste projeto deverá ser de 450 mil tons de celulose solúvel, com estimativa inicial de investimento para construção da joint venture de aproximadamente USD 1,0 bilhão.

Para o investimento no capital social da nova companhia, a contribuição chave da Duratex será através do aporte de ativos florestais de cerca de 43 mil hectares de efetivo plantio de eucaliptos 100% certificados pelo FSC (Forest Stewardship Council) que possui na região, completando com aporte financeiro.

Para compor o montante total do investimento, a joint venture buscará recursos através de financiamento de terceiros, visando otimizar sua estrutura de capital.

Contudo, é importante mencionar que tal acordo não afetará a capacidade de fornecimento de madeira própria da Duratex para suas unidades de produção de painéis, segundo destacou a própria companhia. Esta área florestal foi conduzida especificamente para suportar projeto de expansão de painéis de madeira anteriormente previsto e que não será desenvolvido.

Com esta associação, é factível entender que a Duratex irá otimizar a utilização de seus ativos florestais atualmente excedentes, alavancando a rentabilidade das operações recorrentes.

Neste sentido, a propria Duratex destacou que “essa operação pretende diversificar os riscos da companhia, ampliando seu leque de atuação para o mercado de celulose, que possui menor exposição ao nível de atividade do mercado doméstico”.

Entendemos, com isso, que além da importância para o crescimento da companhia no longo prazo, o projeto representa um passo decisivo no processo de transformação do negócio florestal.

Ainda em relação a tal operação, a companhia informou que realizará uma teleconferência hoje (22) sobre o anúncio da formação de tal joint venture com a Lenzing, enfatizando que a mesma será realizada em português, com tradução simultânea para inglês.

É interessante lembrar que, recentemente, em meados de fevereiro desse ano, a Duratex assinou um acordo de venda com a Suzano para alienar 9.500 hectares de áreas rurais e 1.200.000 m³ de florestas – que reflete o potencial de produção das florestas existentes e já implantadas nas áreas adquiridas – na região central do estado de São Paulo, pelo preço de R$ 308,1 milhões.

No que diz respeito a Duratex, em si, entendemos que a companhia depende muito da performance do setor de construção civil que, como se sabe, vem apresentando certa dificuldade com o cenário político e econômico brasileiro dos últimos anos, apesar de um gradual princípio de recuperação ter sido observado ao final do ano de 2017.

É claro que, com a melhoria da conjuntura como um todo, que segue num caminho de retomada, esse setor de atuação tende, também, a acompanhar o otimismo do mercado.

Porém, como os produtos da Duratex são geralmente utilizados na fase final de acabamento das obras, entendemos que deva demorar um certo tempo a mais para que esse segmento, de fato, volte a se consolidar na economia.

É interessante lembrar, ainda, que a Itaúsa detém participação relevante na composição acionária da companhia, possuindo 40% de participação no negócio.

Dessa forma, os acionistas de Itaúsa indiretamente também possuem uma fatia da Duratex no seu portfólio através dessa holding que, diga-se de passagem, possui uma equipe de gestão muito competente e que entendemos que possa vir a fazer um trabalho a médio-longo prazo interessante na Duratex, no que diz respeito à sua performance e geração de valor para seus acionistas.

Assim sendo, entendemos que se associar diretamente no empreendimento nesse momento através da compra de seu papel DTEX3 não seria uma decisão segura e sólida a se tomar nesse momento, por conta disso, achamos mais prudente seguir de fora da Duratex.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.