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    Radar do Mercado: JBS (JBSS3) segue com plano de desinvestimentos

    Radar do Mercado: JBS (JBSS3) segue com plano de desinvestimentos

    A JBS comunicou ao mercado hoje que, no contexto do seu programa de desinvestimentos, celebrou um acordo para alienação da totalidade de sua participação acionária na Moy Park para a Pilgrim’s Pride Corporation (PPC), por um enterprise value de 1 bilhão de libras esterlinas.

    A JBS deve ficar com cerca de R$ 3,2 bilhões do valor total de venda (790 milhões de libras esterlinas).

    De acordo com a JBS, a transação foi aprovada por unanimidade pelo Comitê Especial do Conselho de Administração da PPC, que seria composto apenas por membros independentes representando os acionistas minoritários, e que teve ainda autoridade delegada pelo Conselho de Administração para analisar, negociar e aprovar a aquisição, complementou a JBS na nota divulgada ao mercado, de acordo com a companhia.

     

    Ao que tudo indica, os recursos obtidos com a transação serão utilizados para amortizar dívida de curto prazo no Brasil, numa clara tentativa da JBS de melhorar o perfil do seu endividamento e liquidez.

    O montante da dívida líquida da companhia ao final do último trimestre encontrava-se no patamar de R$ 50 bilhões (valor este 5,4% maior que o trimestre anterior).

    Cabe destacar ainda que a Pilgrim’s Pride é controlada pela JBS e a Moy Park, subsidiária integral da empresa.

    Pode-se concluir, com isso, que a venda faz parte do programa de desinvestimento de ativos que prevê a entrada de R$ 6 bilhões de recursos, anunciado no dia 20 de junho, e que já concretizou, dentro do programa, a venda de 19,2% na empresa Vigor Alimentos, os ativos da Five Rivers Cattle Feeding, fazendas nos Estados Unidos e Canadá, além de ativos na América do Sul.

    Vale ressaltar, também, que a JBS controla a Pilgrim’s Pride desde 2009, após pagar 2,8 bilhões de dólares pela participação.

    Já a Moy Park foi comprada pela JBS em 2015, por cerca de US$ 1,5 bilhões, incluindo dívidas.

    Entende-se, com isso, que a transação das partes – ambas pertencentes ao grupo JBS – poderia favorecer o resultado da compradora, com a redução de gastos com imposto de renda, devido à captação de dívida, além de poder ajudar a controladora a abater dívidas de curto prazo.

    É cabível destacar, contudo, que um dos donos da JBS, o empresário Joesley Batista, delator da Lava Jato, se entregou à Justiça neste domingo (11) e segue preso, acusado de omitir informações em acordo de delação premiada.

    Por conta disso, e seguindo uma das recomendações de Décio Bazin em seu livro “Faça Fortuna com Ações” que sugere aos investidores que evitem empresas envolvidas em escândalos de corrupção e repercussões do gênero, preferimos nos manter de fora da empresa por tempo indeterminado até que tudo fique bem claro e os resultados da companhia venham a se solidificar no médio prazo.

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    Tiago Reis
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