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    Radar do Mercado: BRF (BRFS3) – Situação da companhia continua instável

    Radar do Mercado: BRF (BRFS3) – Situação da companhia continua instável

    A BRF comunicou ontem (12) ao mercado que recebeu, às 22:42hs da véspera, correspondência enviada pelo Sr. Walter Malieni Júnior manifestando a sua recusa em participar da chapa aprovada pelo Conselho de Administração da companhia, e requerendo a exclusão de seu nome da referida chapa.

    Segundo o informado pela empresa, o Sr. Walter Malieni Júnior informou que somente aceitou a indicação para compor a Chapa para o Conselho de Administração da BRF originalmente apresentada pelos acionistas Caixa de Previdência do Funcionários do Banco do Brasil – Previ e Fundação Petrobras de Seguridade Social – Petros.

    A companhia finalizou a nota comunicando que manterá seus acionistas e o mercado devidamente informados sobre qualquer eventual nova informação a respeito da matéria objeto do referido informativo.

     

    A atual situação da BRF é bastante polêmica, e vem causando bastante incerteza frente a seus acionistas e ao mercado em geral.

    Na véspera do comunicado acima ressaltado, a companhia havia informado, em outra nota, que havia recebido correspondências enviadas pelos Srs. Augusto Marques da Cruz Filho, José Luiz Osório de Almeida Filho e Roberto Antônio Mendes também manifestando as suas recusas em participar da Chapa aprovada pelo Conselho de Administração da companhia, também e requerendo a exclusão de seus nomes da referida chapa.

    Vale lembrar, ainda, que há pouco mais de um mês, com a ajuda de documentos obtidos por meio de uma ação trabalhista, investigadores da Polícia Federal (PF) denunciaram que a companhia, dona das marcas Sadia e Perdigão, adulterava resultados de análises relativas à presença de salmonela em seus produtos.

    O objetivo, segundo a investigação, era burlar a fiscalização sanitária e continuar exportando para destinos que têm uma tolerância menor à presença da bactéria na proteína, afirmaram delegados e representantes do Ministério da Agricultura, durante coletiva sobre a 3ª fase da Operação Carne Fraca.

    A salmonela, comum em carnes, é permitida para comercialização até determinados níveis e não é necessariamente é nociva à saúde se a carne for cozida adequadamente.

    Porém, 12 importadores têm uma exigência mais elevada em relação à presença da bactéria e, neste sentido, estes mercados colocam isso como requisito de restrição para a compra do produto e podem devolver os lotes, caso o nível não seja atendido.

    Entre os destinos, estão a União Europeia, China, Coreia do Sul, Arábia Saudita, Rússia e África do Sul.

    Diante desse cenário, na mesma data de tal fato o Ministério da Agricultura suspendeu as atividades de três unidades da BRF, 5, após tal deflagração da 3ª fase da Operação Carne Fraca, intitulada Trapaça.

    Com isso, as plantas de Rio Verde (GO), Curitiba (PR) e Mineiros (GO) foram interditadas e suas exportações de carne de frango foram paralisadas preventivamente.

    A partir de então, elas estão proibidas de realizar envios para esses 12 países que têm o nível de exigência maior sobre a presença de salmonela.

    Geraldo Samor, jornalista do Brazil Journal, escreveu uma matéria bastante esclarecedora sobre o fato, que inclusive sucumbiu na prisão, na época, de Pedro Faria, ex-CEO da BRF.

    Com esses escândalos na mídia, as ações da BRF (BRFS3) apresentam um cenário de queda bastante acentuado nos últimos meses.

    É sempre desafiadora a situação de uma empresa que apresenta escândalos dessa magnitude divulgados na mídia de maneira bastante intensa, tendo executivos presos e sendo impactadas com medidas e punições com possuem caráter de alterar significativamente as suas receitas operacionais e, por conta disso, fica bastante coerente recomendarmos a não participação na BRF.

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    Tiago Reis
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