Por: Tiago Reis

Radar do Mercado: Banco Inter (BIDI4) – Importante gestora aumenta participação no banco

O Banco Inter comunicou ao mercado ontem (17), por meio de nota, que na mesma data recebeu correspondência da BlackRock, Inc., investidor não residente com sede registrada em Nova Iorque – sob representação legal do Citibank Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários – informando que, no âmbito da Oferta Pública de Ações realizada na B3 – Brasil, Bolsa, Balcão, adquiriu 3.850.000 ações preferenciais de emissão da companhia, passando a deter, de forma agregada, a participação de aproximadamente 7,73% das ações preferenciais emitidas pela instituição.

O Banco Inter ressaltou que a BlackRock, Inc. informou, ainda, que o objetivo da participação societária acima mencionada é estritamente de investimento, não objetivando alteração do controle acionário ou da estrutura administrativa da companhia.

 

Em meio a tantos ruídos emitidos recentemente na mídia a respeito do Banco Inter sobre um suposto ataque cibernético e consequente vazamento de dados de seus clientes – evento esse que a companhia já se pronunciou a respeito dizendo se tratar de uma inverdade – a informação a respeito do aumento de participação acionária de um relevante e importante acionista se faz bastante expressiva dentro do contexto acima relatado.

Em relação ao acionista, é importante destacar que a BlackRock – muito famosa dentro do mercado financeiro – é uma companhia americana de gerenciamento de investimentos de nível global, e que hoje é responsável por administrar um patrimônio total de mais de US$ 6 trilhões de dólares, além de possuir uma capitalização de mercado de mais de US$ 86 bilhões e operar servindo os seus clientes com a venda de fundos mútuos, fundos de aposentadorias, entre muitos outros serviços.

Para saber mais sobre a BlackRock, sugerimos a leitura do artigo que escrevemos sobre a mesma.

Diante de tal conjuntura, avaliamos que o Banco Inter apresenta um potencial para uma maior expansão de suas operações no médio prazo, e os resultados do primeiro trimestre de 2018 da companhia – o primeiro como companhia aberta – reforçaram bem essa nossa opinião.

Novamente, é preciso destacar que, em relação às notícias veiculadas sobre uma suposta invasão aos seus sistemas e vazamento de dados, noticiadas em 4 de maio, que a companhia reafirmou que, após detalhado estudo, realizado juntamente com empresas especializadas em segurança da informação, foi concluído não ter havido invasão dos seus sistemas por hackers ou agentes externos, acarretando em vazamento de dados.

O Banco Inter também reiterou que não houve nenhum prejuízo aos seus clientes, ao passo que reforçou ainda que conta com o que há de mais moderno em segurança de sistemas e proteção de dados.

No mais, vale lembrar que em 26 de abril de 2018 o Banco Inter concretizou sua oferta pública inicial de ações (IPO), que resultou na distribuição de 39.024.392 ações preferenciais de sua emissão, no valor de R$ 18,50 por ação, resultando na captação bruta de R$ 722 milhões, dos quais R$ 541 milhões foram destinados ao Banco Inter pela emissão primária de ações.

Tal oferta consistiu na distribuição primária de 29.268.294 novas ações preferenciais de emissão do banco e na distribuição secundária de 9.756.098 ações preferenciais de emissão do banco e de titularidade dos acionistas vendedores, incluindo o lote suplementar.

O Banco Inter, que está listado no Nível 1 da B3 – Brasil, Bolsa, Balcão, iniciou negociação de suas ações no dia 30 de abril de 2018.

A liquidação da oferta ocorreu mediante a entrega de Units (B3: BIDI11) aos investidores, as quais foram desmembradas em 4 ações preferenciais (B3: BIDI4) no último dia 11 de maio, após a homologação do aumento do capital social pelo Banco Central do Brasil.

Ademais, o Banco Inter é um banco múltiplo totalmente focado no ambiente digital, provedor de serviços bancários disruptivos, que possui como um de seus maiores diferenciais a satisfação de seus clientes, ao contrário dos bancos tradicionais, que de maneira geral, oferecem serviços caros e possuem um atendimento mal avaliado.

O Banco, com sua essência fintech, uma estrutura enxuta, que não opera com agências bancárias e nem com um grande quadro de funcionários como os bancos tradicionais, e principalmente, focado na expansão através dos canais digitais, tem crescido de forma expressiva a sua base de clientes nos últimos anos, o que tem possibilitado também um grande crescimento nos resultados do banco, através principalmente da carteira de crédito, conforme foi possível observar em seu resultado trimestral.

Isto posto, acreditamos que o banco tem tudo para continuar crescendo nos próximos anos e se consolidar cada vez mais em seu segmento, sendo um banco que alia serviços baratos e gratuitos (como conta corrente gratuita, cartão de crédito sem anuidade) com um atendimento e qualidade de serviços satisfatórios aos clientes.

Além disso, com o grande potencial de cross-sell na sua base de novos correntistas (que em geral ainda não utilizaram serviços do banco), além da continuidade da expansão do número de correntistas, o que deve permitir ao banco cada vez mais aumentar sua escala e ganhar eficiência, através da redução do custo por cliente, vemos que o banco tem um grande potencial de elevação de Retorno Sobre Patrimônio Líquido e melhoras nos indicadores de eficiência.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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