O Banco Bradesco comunicou ontem (18) aos seus acionistas e ao mercado em geral que sua Diretoria, em reunião realizada na mesma data, decidiu propor ao Conselho de Administração da companhia, que deliberará em reunião que será realizada no próximo dia 29 de junho, o pagamento de juros sobre o capital próprio (JCP) intermediários relativos ao primeiro semestre de 2018, no valor total de R$ 1.212.000.000,00, sendo R$0,172465322 por ação ordinária e R$0,189711854 por ação preferencial.

No mesmo comunicado, a companhia destacou que, se aprovada a proposta, serão beneficiados os acionistas que estiverem inscritos nos registros da sociedade em também no dia 29 de junho (data da declaração), passando as ações a ser negociadas “ex-direito” aos juros intermediários a partir do dia 2 de julho.

Ainda, o pagamento ocorrerá em 16 de julho pelo valor líquido de R$0,146595524 por ação ordinária e R$0,161255076 por ação preferencial, já deduzido o Imposto de Renda na Fonte de 15%, exceto para os acionistas pessoas jurídicas que estejam dispensados da referida tributação, que receberão pelo valor declarado.

 

Essa pode ser interpretada como uma notícia positiva e relevante para os acionistas do Bradesco, banco este que é uma das quatro maiores instituições bancárias do Brasil e um dos mais rentáveis do planeta em seu segmento de atuação.

No âmbito de tal declaração de possível pagamento de JCP intermediários, é interessante destacar que os proventos propostos representam, aproximadamente, 10 vezes o valor dos juros sobre o capital próprio mensalmente pagos pelo banco, líquidos de imposto de renda na fonte, e serão computados no cálculo dos dividendos obrigatórios do exercício previstos no estatuto social.

No mais, esse fator, juntamente com o resultado mais uma vez bilionário do Bradesco apresentado no primeiro quarto do ano, reforçam nosso posicionamento de avaliarmos essa companhia, e também o segmento bancário no Brasil como um todo, como uma conjuntura que apresenta um dos ambientes mais rentáveis do planeta, e muitos fatores indicam que esse cenário extremamente abundante tende a se ampliar nos próximos trimestres.

De fato, tais condições corroboram a visão prospectiva benigna do Bradesco em relação aos segmentos que atua.

O que não gostamos neste momento, contudo, é do atual preço de cotação de BBDC4, o que nos coloca numa posição de espera até que boas oportunidades de entrada no ativo possam ser observadas.

Seguimos com nosso posicionamento racional e paciente em relação às empresas que se destacam no mercado de capitais brasileiro, mas que se encontram com seus preços acima daquilo que gostaríamos de pagar e, neste sentido, seguimos aguardando que uma conjuntura diferente da atual faça com que os preços das ações do Bradesco se enquadrem em uma situação que proporcione uma boa margem de segurança a nossos assinantes.

Até lá, seguimos de fora aguardando por um momento dessa natureza, ao passo que recomendamos o mesmo àqueles que nos seguem. O mercado brasileiro é um mercado de oportunidades, e em uma conjuntura de volatilidade como a qual nos encontramos agora, juntamente com a proximidade das eleições presidenciais, é possível que tal cenário se torne factível em algum momento dentro dos próximos meses.

Neste sentido, recomendamos também a leitura do nosso relatório Suno Dividendos, que enviamos para nossa base de assinantes no último dia 14 de junho, no qual destacamos as principais nuances que envolvem o banco Bradesco e, inclusive, destacamos qual seria o preço teto de entrada ideal (segundo nossa avaliação) que proporcionaria uma margem de segurança satisfatória no âmbito de um investimento de longo prazo na instituição bancária.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.