A B3 – Brasil, Bolsa, Balcão – divulgou ontem (09) os resultados do segundo trimestre de 2018 (2T18) e, de acordo com o que foi repassado, foi possível perceber que a companhia obteve um forte desempenho, com os volumes atingindo níveis recordes tanto no mercado de derivativos quanto no à vista, impulsionados, principalmente, pelo aumento da volatilidade.

Nesse contexto, a companhia apresentou uma receita total que atingiu R$ 1.386,2 milhões no 2T18, 28,4% superior ao 2T17, reflexo do crescimento de receitas em todos os segmentos.

Já as despesas da companhia somaram R$531,6 milhões no 2T18, queda de 20,9% sobre o mesmo período do ano anterior.

Assim, no período, o Ebitda da B3 totalizou R$971,2 milhões, 43,8% superior ao 2T17. A margem EBITDA recorrente foi de 77,7%, alta de 808 bps na comparação com o mesmo período do ano anterior, conforme explicado abaixo.

Já a disponibilidade de caixa e investimentos de curto e longo prazo ao final de jun/18 totalizaram R$8.398,1 milhões, compostos, principalmente, por um caixa próprio da B3 que totalizou R$5.689,3 milhões e inclui de R$2,5 bilhões a R$3,0 bilhões em recursos necessários para as atividades da companhia; e R$1.813,5 milhões em recursos de terceiros que incluem, principalmente, as garantias depositadas em dinheiro por clientes nas clearings da companhia.

Adicionalmente, no final do 1T18, a dívida bruta da empresa era de R$5.681,6 milhões (72,4% de longo prazo e 27,6% de curto prazo), o que corresponde a 1,8x do EBITDA recorrente dos últimos 12 meses.

É importante lembrar que a posição de dívida bruta inclui o principal da dívida mais juros acumulados, assim como o valor líquido da posição em instrumentos financeiros derivativos.

Os principais vencimentos são: R$1,5 bilhões em dez/18, R$1,5 bilhões em dez/19 e R$2,0 bilhões (USD612 milhões) em jul/20. Ainda segundo relatou a B3, desde mar/18, os bonds que vencem em 2020, no valor de USD612 milhões, estão totalmente protegidos por hedge para o principal da dívida e juros.

Diante disso, e após os devidos descontos provenientes do resultado financeiro da B3 no período, o lucro líquido atribuído aos seus acionistas no segundo trimestre do ano atingiu R$ 724,4 milhões, alta de 343,6% em relação ao 2T17, refletindo o aumento das receitas, redução de despesas não recorrentes e impacto positivo do imposto de renda no trimestre.

Excluindo os itens não recorrentes destacados acima, o lucro líquido teria atingido R$857,9 milhões no 2T18, aumento de 80,3%, impactado, principalmente, pelo crescimento da receita, conforme mencionado anteriormente, e impacto positivo do imposto de renda no trimestre.

Adicionalmente, se ajustado pelo benefício fiscal resultante da amortização do ágio relativo à incorporação da Cetip, o lucro líquido teria totalizado R$977,5 milhões.

No mais, gostamos dos resultados da companhia e entendemos, ainda, que a B3 é uma empresa que pode ser muito beneficiada com a atual queda da taxa de juros no Brasil, visto que essa queda induz muitos investidores a migrarem da renda fixa para a variável, o que pode ocasionar uma dinâmica positiva de oferta e demanda nas transações operacionais da companhia.

Ainda, os aumentos do número de investidores ativos, além dos aumentos graduais e históricos do índice Ibovespa nos últimos meses, reforçam ainda mais essa tese que o mercado de renda variável irá continuar seguindo uma sequência de alta em suas negociações no médio prazo.

Adicionalmente, entendemos que a empresa adquiriu uma dívida natural para a aquisição dos ativos da Cetip, mas que, conforme a mesma for sendo “digerida”, a B3 – que tem potencial para ser uma excelente empresa em termos de geração de caixa – possa em algum momento vir a converter essa geração de caixa em dividendos para seus acionistas.

Esses fatores, aliados ao fato de ser a B3 uma excelente empresa, que apresenta uma geração de caixa consistente e que, basicamente, não possui competição em sua atuação, nos fazem apreciar ainda mais o case, o qual vislumbramos que possui um horizonte bastante promissor com a atual conjuntura de juros “baixos” e em um cenário de reaquecimento da economia.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.