A Alpargatas enviou ao mercado na última sexta-feira (10) os seus números relacionados ao 2T18 e, neste sentido, os destaques se fizeram através uma receita líquida 3,6% maior na comparação com o 2T17, no valor de R$ 890,6 milhões; um lucro bruto de R$417,9 milhões (aumento de 6,8% com margem bruta de 46,9% foi superior em 1,4 ponto percentual frente ao mesmo período de 2017); Ebitda de R$ 64,1 milhões – 11,8% inferior – com margem de 7,2%; e um lucro líquido de R$ 18,3 milhões, 66,4% inferior, com margem de 2,1%.

Adicionalmente, há de se destacar que, em 30 de junho de 2018, a Alpargatas apresentava posição financeira líquida de R$ 39,9 milhões, resultante de saldo de caixa de R$ 657,4 milhões (a geração operacional somou R$ 563,3 milhões em 12 meses findos em junho de 2018) e endividamento de R$ 617,4 milhões.

Em relação a esses compromissos, é interessante destacar que R$ 282,5 milhões (46,0% do total) apresentavam vencimento no curto prazo, sendo R$ 76,7 milhões em moeda nacional.

A dívida de curto prazo em moeda estrangeira somava R$ 205,8 milhões, dos quais R$ 34,7 milhões possuem swap para reais, e financiava, principalmente, o capital de giro das subsidiárias no exterior. Importante verificar que do saldo de caixa da companhia, R$ 124,2 milhões são em moeda estrangeira.

Já o restante (R$ 334,9 milhões, ou 54,0%) era de vencimento no longo prazo, sendo a totalidade em moeda nacional.

Cabe destacar, ainda, o anúncio feito pela companhia, também na sexta-feira, da deliberação de seu Conselho de Administração para a distribuição de juros a título de remuneração sobre capital próprio.

De acordo com o reportado, o benefício contempla todas as 470.449.777 ações escriturais emitidas em que se divide o capital social, e se perfaz no montante bruto de até R$ 37,6 milhões, sendo R$ 0,07 por ação ordinária e R$ 0,08 por ação preferencial.

Ainda segundo a nota, farão jus ao recebimento dos juros os acionistas inscritos em 17 de agosto, sendo as ações negociadas “ex direito” aos juros sobre capital próprio a partir do próximo dia 20 de agosto.

O pagamento será efetuado em 18 de setembro de 2018.

No mais, em relação aos resultados da Alpargatas, entendemos que os mesmos foram bastante impactados pela greve dos caminhoneiros no período, que afetou o abastecimento de matérias primas nas fábricas.

Diante do acontecimento, a companhia foi obrigada a determinar a suspensão de atividades e de conceder férias coletivas, entre 7 e 10 dias dependendo da unidade produtiva, para minimizar os efeitos da paralisação, e antecipou a manutenção de equipamentos.

Adicionalmente, no Brasil houve postergação de faturamento do 2T18 de aproximadamente 4,0 milhões de pares de sandálias da carteira de junho e 60 mil pares de Mizuno, ao passo que, no mercado externo, o impacto foi mais significativo proporcionalmente, com uma carteira pendente de embarque pela greve ao final do trimestre de 1,0 milhão de pares de sandálias.

Importante ressaltar, no entanto, que não houve cancelamento de pedidos de clientes.

Nesta conjuntura, entendemos que a companhia ainda pode apresentar uma melhora em seus números no médio prazo, muito por conta da volta da normalização da sua operação e também pela alteração no controle acionário da empresa realizada em meados de setembro do ano passado, que passou a ter a Itaúsa – Investimentos Itaú S.A., Cambuhy I Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia e Cambuhy Alpa Holding S.A. como participantes.

Dessa forma, com a conclusão da transação de venda do controle acionário da Alpargatas para um controlador com bastante know-how, concluímos que a companhia poderá obter ainda mais sucesso na geração de valor para seus acionistas num futuro próximo.

Ademais, para os investidores que tenham interesse em se associar a esta companhia dona de marcas bastante conceituadas no mercado nacional e internacional, como Havaianas, Osklen, Topper e Mizuno, por exemplo, recomendamos que o façam através da holding Itaúsa, companhia essa que também possui participação relevante no Itaú, um dos bancos mais rentáveis do planeta.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.