Padrão-ouro
Por: Tiago Reis

Padrão-ouro: descubra como funcionava esse sistema monetário internacional

O padrão-ouro, conhecido também como estalão-ouro, corresponde a um sistema monetário que existiu, em sua primeira fase, do século XIX à I Guerra Mundial, antes do estabelecimento da globalização.

O que é padrão-ouro?

O sistema padrão-ouro estava fundamentado na teoria quantitativa da moeda. Esta era de autoria de David Hume, chamada de modelo de fluxo de moedas metálicas. Essa teoria abarcava as relações entre moeda e preços (inflação e deflação).

O padrão-ouro é um regime cambial fixo. Mas isso dentro do cenário internacional das grandes potências econômicas no final do século XIX. Nesse sentido, cada país firmou compromisso de fixar o valor de sua moeda diante de uma quantidade de ouro definida. Bem como praticar políticas de compra e venda de ouro.

O que ocorria, à época deste sistema, é que os países superavitários sofriam inflação e os deficitários, o contrário, convergindo para um equilíbrio. Assim, os bancos convertiam as notas bancárias que emitiam em ouro ou prata quando os clientes pediam.]

O estalão-ouro foi utilizado especialmente pela Inglaterra, ganhando estabilidade de meados de 1870 até o fim da I Guerra Mundial. No Brasil, foi adotado, de forma incompleta, entre o Segundo Reinado e o início da República Velha.

Agora que você já sabe o que é o padrão-ouro, veja como ele funcionava.

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Como funcionava o padrão-ouro?

Padrão-ouro

Este regime se fundamentava na obrigatoriedade de cada país manter parte significativa de seus ativos de reserva internacional em forma de ouro. Essas reservas determinavam as condições do comércio de cada nação.

Isso se explica pelo de os fluxos de ouro influírem sobre as balanças de pagamento: se os bens e serviços importados do Exterior se sobrepusessem aos bens e serviços exportados pelo país, a nação precisava exportar ouro para ajustar o deficit. Dessa forma, países superavitários se caracterizavam como importadores de ouro.

Em resumo: a quantidade de reservas de ouro de um país definiam sua oferta monetária.

Caso um país tivesse balança comercial superavitária, o padrão-ouro funcionava assim:

  1. Este país importaria ouro de países deficitários;
  2. Tal ação faria com que a oferta interna de moeda aumentasse no país, elevando a base monetária e aumentando os preços;
  3. Com a elevação dos preços, os produtos do país perderiam competitividade nos mercados internacionais, o que serviria para frear novos superávits.

Já se o país apresentasse balança comercial deficitária:

  1. Exportaria ouro para outros países;
  2. Teria contenção monetária;
  3. Com a contenção monetária, os preços internos cairiam, fazendo com que seus produtos se tornassem mais competitivos no Exterior.

Portanto, o estalão-ouro buscava propiciar o equilíbrio na economia internacional, permitindo que cada país tivesse uma base monetária significativa através da paridade cambial. A consistência da base monetária geraria o equilíbrio da balança comercial.

O fim do padrão-ouro

Em sua versão clássica, o padrão-ouro pode ser considerado o primeiro sistema monetário internacional, extinguido em meados de 1914. Nessa época o Reino Unido era uma potência no mercado internacional, e Londres, o centro financeiro do planeta.

Com o fim da I Guerra Mundial, o padrão libra-ouro também desapareceu. Apenas em 1944, após desordem monetária internacional, é que uma nova ordem monetária e econômica internacional passou a vigorar, através dos Acordos de Bretton Woods.

Os Estados Unidos emergiam como a grande potência mundial, impondo ao dólar a condição de moeda internacional, substituindo o padrão libra-ouro pelo dólar-ouro.

Mas o Bretton Woods não duraria muito.

A derrocada do sistema Bretton Woods

Em 15 de agosto de 1971, o sistema Bretton Woods teve seu fim. Nessa data os EUA definiram a extinção do padrão-ouro e engendraram a ascensão de um sistema flutuante. Um regime de flutuação livre baseado no dólar, no euro, no iene e na libra esterlina, também suscetível à intervenção dos bancos centrais.

Desde então, os regimes monetários nacionais tendem a se guiar por três moedas principais:

  • Dólar americano;
  • Euro;
  • Iene.

Existe a possibilidade de o iene ser substituído pelo renminbi chinês, visto que a China tem despontado como grande potência mundial.

Nenhuma nova paridade funcionou para alcançar o equilíbrio após o padrão-ouro. Portanto, desde 1973, com as mudanças pelas quais passou o Fundo Monetário Internacional (FMI), não existe um sistema monetário internacional formal. A despeito de a situação mundial não se apresentar caótica, o que coloca em xeque a real necessidade de um sistema monetário internacional formal.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

2 comentários

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  • Lívia 20 de agosto de 2019

    Isso se explica pelo de os fluxos de ouro influírem sobre as balanças de pagamento: se os bens e serviços importados do Exterior se sobrepusessem aos bens e serviços importados pelo país, a nação precisava exportar ouro para ajustar o deficit. Dessa forma, países superavitários se caracterizavam como importadores de ouro.

    Acredito que aqui você quis dizer, “se os bens e serviços importados do Exterior se sobrepusessem aos bens e serviços exportados pelo país”

    Responder
    • Suno Research 21 de agosto de 2019

      Realmente escapou, obrigado por avisar, corrigido.

      Responder
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