Por: Tiago Reis

Os erros de John Bogle, o criador dos ETFs

De vez em quando, gosto de trazer alguns erros que investidores consagrados cometeram em suas carreiras. Considero que sejam oportunidades para aprendermos com grandes nomes que, mesmo errando em alguns pontos, alcançaram o sucesso.

Com John Bogle não foi diferente. Conhecido por ser o lendário criador dos fundos de índice (ETFs), ele também cometeu equívocos em sua carreira.

Antes de seu brilhante sucesso pelo Vanguard Funds, ele quase acabou com o Wellington Fund, um dos fundos mútuos mais respeitados durante décadas.

Voltemos ao começo da história. Walter Morgan criou um fundo, em 1928 que, posteriormente, se tornaria o Wellington Fund. Graças à gestão cuidadosa de Morgan e ao fato de que 38% dos seus ativos eram caixa quando o crash de 1929 veio, o fundo atravessou o crash e a Grande Depressão saindo ileso.

Bogle no Wellington Group

Morgan contratou Bogle em 1951. Em 1960, o promoveu ao comitê de investimentos. Em 1965, Morgan nomeou Bogle como seu sucessor à presidência do Wellington Group. Por fim, em 1970, Bogle chegou ao cargo de CEO.

Este também foi o momento em que mudanças estavam acontecendo. O ambiente do mercado começou a “esquentar”, uma vez que a natureza conservadora de Wall Street estava se transformando devido à entrada de uma nova geração que não havia sofrido com a crise.

Assim, a gestão do fundo decidiu que deveria seguir o ritmo dos demais. Bogle admite que, irracionalmente, “entrou na dança”.

Uma das coisas “irracionais” que Bogle fez foi fundir com outra empresa: Thorndike, Doran, Paine & Lewis, que contava com as mentes jovens brilhantes e populares.

Foi uma fusão ímpar. O equivalente, nos dias de hoje, seria a compra de uma empresa de trading de criptomoedas pela Vanguard. Esta operação transformou o Wellington Fund na antítese do que o levara ao sucesso.

Antes conservador, agora o fundo estava bastante concentrado em ações e realizando tradings. Sua taxa de turnover aumentou de 15% para 25% em um ano. Por um breve período, a situação esteve favorável. No entanto, em 1969, o Dow Jones começou a ruir: em 18 meses, registrou uma queda de 36%.

Bogle afirmou: “A fusão que busquei e realizei não apenas falhou na solução dos problemas do Wellington, como também os exacerbou”. Alguns dos fundos que foram criados dentro do grupo após a fusão registraram queda superior a 50%, enquanto outros acabaram fechando.

O Wellington Fund perdeu 40%. Foi um grande choque aos clientes de longo prazo, antes acostumados com estratégias prudentes e estáveis.

O aprendizado com os erros culminou na criação dos ETFs

Acredito que não seja surpresa que Bogle tenha sido demitido do cargo de CEO. Ainda assim, conseguiu convencer o board a mantê-lo como chairman e presidente. Após alguns trabalhos e pesquisas relacionando fundos mútuos e índices, o board do Wellington deixou que Bogle iniciasse um novo projeto, que posteriormente veio a ser o Vanguard Group.

Aprender com seus erros foi o que fez com que Bogle trouxesse vida a uma das inovações financeiras mais importantes: os fundos de índice (ETFs). John tomou todas as lições aprendidas e focou sua atenção em buscar um jeito melhor de fazer negócios.

O fundo começou com apenas US$ 11 milhões em ativos sob gestão e cresceu vagarosamente, em sua primeira década, até US$ 600 milhões. Em sua segunda década, subiu como um foguete, alcançando US$ 91 bilhões.

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Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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