Warren Buffett costuma dizer que o bom investidor não é aquele com QI mais alto, mas sim, o que tem o melhor temperamento.

Apesar disso, há pouco material a respeito de como desenvolver esse temperamento correto.

É uma questão longe de ser trivial.

Será que esse bom comportamento já nasce com a pessoa? É desenvolvido com o tempo? Ou uma combinação de ambos?

Eu enxergo dois grandes desafios comportamentais do investidor.

1º Desafio: Paciência

O primeiro deles se refere à paciência. Pouquíssimas pessoas conseguem esperar anos para verem resultados significativos nos seus investimentos.

No gráfico abaixo apresentamos o tempo médio que um investidor americano permanece com suas ações. Perceba que a média vem caindo vertiginosamente, e atingiu pouco mais de 8 meses em 2016. Quem espera ficar rico em 8 meses não serve para ser investidor.

Como desenvolver a paciência?

Posso dizer o que funciona para mim, que é focar em ativos geradores de renda. Em fundos imobiliários caem rendimentos todo mês. Já em relação às ações, no máximo em 12 meses o investidor irá receber seus proventos.

Ou seja,o investidor pensará duas vezes antes de vender no pânico seus ativos, abrindo mão desse “”pinga pinga”. Dito de outra forma, o fluxo de rendimentos serve como uma recompensa de curto prazo para um objetivo de longo prazo. É uma excelente combinação.

Os dividendos sempre são positivos, independentemente se a bolsa sobe,cai ou fica de lado.

2º Desafio: Volatilidade

A volatilidade (para baixo) da bolsa assusta os iniciantes, não há dúvidas disso. Temos diversas pessoas no nosso grupo do Facebook mesmo que andam nervosas com base nas quedas dos últimos dias.

É normal. Conheço excelentes gestores que andavam nervosos. Não pensem que eles não sofrem. Quase todos sofrem.

Quando a bolsa cai 50% em 2 meses, a reação normal é “panicar”. Seu patrimônio foi cortado pela metade. Você de fato ficou mais pobre, ao menos momentaneamente.

E temos o viés comportamental de “ancorar” valores do passado. Dessa forma, quando a bolsa sobe, você se sente melhor pois está mais rico. E quando cai, se sente mal pois empobreceu.

O grande problema vem agora…

Devido a essa sensação boa e esse otimismo exacerbado, a maioria das pessoas projeta que essas valorizações se perpetuarão no futuro e portanto, se tornam mais tolerantes ao risco quando a bolsa sobe, comprando ações na alta.

A mesma lógica se aplica quando a bolsa cai. Todo mundo acha que as ações irão a 0 e portanto, resgatam os investimentos antes do pior.

Não preciso dizer o que acontece quando você compra na alta e vende na baixa.

O desafio é inverter esse comportamento primitivo.

Como lidar com a volatilidade?

No meu entender, a volatilidade das ações é algo com que você se acostuma, tanto através de prática quanto de conhecimento.

Como costumamos dizer, investir em ações é nadar em alto mar. Então o caminho inicial é investir via fundos imobiliários, que possuem uma fração da volatilidade das ações.

Depois de alguns anos, você vai se acostumando.

Somente quem já tem boa experiencia na bolsa consegue realmente ficar feliz com as quedas de curto prazo.

Ficam felizes porque sabem que as cotações irão recuperar. Já viveram outras “crises”. E além disso, ficam também felizes pois sabem que os preços baixos permitem comprar boas ações muito descontadas, que fornecem um bom Dividend Yield e ótima margem de segurança.

Estes investidores se tornam contrarians. É um estágio mais avançado.

Quem chega neste patamar consegue suprimir os instintos animais em prol da racionalidade estrita.

E você, já chegou lá?

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.