Por: Tiago Reis

Mercado de capitais: entenda como funciona esse sistema

Para se desenvolver, todo país necessita de capital e de investimentos de risco. E, desse modo, o mecanismo proporcionado pelo mercado de capitais é fundamental para viabilizar o direcionamento dos recursos na economia.

Por isso, é preciso que todo investidor saiba o que é o mercado de capitais e como ele funciona. Assim, será possível entender como os ativos financeiros são negociados e como essa negociação beneficia toda a economia.

O que é Mercado de Capitais?

O mercado de capitais é o mecanismo de distribuição de valores mobiliários que tem como objetivo a negociação dos títulos emitidos pelas empresas que estão pretendendo viabilizar um processo de capitalização.

Ressalta-se que todo país necessita de capital e de investimentos de risco para poder se desenvolver. E, desse modo, o mecanismo proporcionado pelo mercado de capitais é fundamental para viabilizar o direcionamento dos recursos na economia.

Isso porque é por meio dele que os investidores brasileiros e até estrangeiros conseguem, por exemplo, injetar dinheiro nas empresas. Essas empresas, por sua vez, realizam investimentos e movimentam a economia como um todo, gerando desenvolvimento.

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Essa é uma das funções do mercado de capitais. E apesar de ser confundido com o mercado de ações, ele também permite a negociação de outros valores mobiliários. Alguns deles são:

  • Debêntures;
  • Derivativos;
  • Títulos públicos;
  • Títulos de crédito privado;
  • Direitos e recibos de subscrição.

Todos esses valores mobiliários são de fundamental importância na economia. E é por meio do mercado de capitais que eles podem ser transacionados, estimulado o mercado de investimentos.

Caso essa negociação não fosse possível, a demanda por valores mobiliários por investidores seria menor, o que atrasaria o desenvolvimento econômico.

É por isso que o mercado de capitais pode ser considerado como um dos mais importantes meios de criação de riquezas de uma sociedade. Viabilizando o direcionamento dos recursos oriundos da poupança diretamente para o comércio, indústria e empresas no geral.

Destaca-se ainda que esse mercado faz parte do sistema financeiro, juntamente com o mercado monetário e de crédito.

Mercado de capitais brasileiro

mercado de capitais

No Brasil, o mercado financeiro ainda é, infelizmente, muito pouco desenvolvido. Essa falta de avanço é observada sobretudo quando comparada aos países desenvolvidos e até com os seus pares emergentes.

No entanto, essa baixa penetração contrasta com a fácil acessibilidade que os investidores têm para iniciar suas operações nesse mercado. Isso porque não há tanta burocracia para abrir uma conta em uma corretora e os custos com corretagem estão cada vez menores.

Nesse sentido, por conta da competição por preço entre as corretoras, algumas delas zeraram as taxas de corretagem para a negociação de diversos ativos do mercado de capitais. Por exemplo, para a compra de ações, fundos imobiliários e de minicontratos.

Além disso, o acesso à títulos públicos e privados por meio dessas corretoras se tornou bastante facilitado nos últimos anos.

Como funciona o Mercado de Capitais?

O mercado de capitais funciona por meio do mercado primário e secundário, sendo que cada um deles tem fundamental importância para a manutenção de todo o sistema. A seguir, será possível conferir as principais características de cada um deles.

Mercado Primário

No mercado primário é onde uma empresa consegue captar recursos objetivando financiar as suas atividades. Por exemplo, a Petrobras necessitando de recursos para fazer frente as suas dívidas precisou realizar o IPO da BR Distribuidora. Isto é, lançar suas ações no mercado primário por meio de uma oferta pública inicial.

Isso significa que, a partir do IPO (Initial Public Offering), investidores podem adquirir ações exclusivamente da distribuidora. Enquanto antes isso não era possível, e a exposição à BR Distribuidora só poderia acontecer por meio das ações da Petrobras.

Ressalta-se que é comum em mercados otimistas o constante lançamento de IPOs por parte das empresas. Isso porque as mesmas estão objetivando obter altos lucros com o investimento dos recursos captados por essa oferta inicial.

Além disso, quando o mercado está mais otimista, investidores ficam dispostos a pagar mais pelo lucro das empresas. Por isso, é o melhor momento para as empresas de capital fechado abrirem capital na bolsa. Afinal, poderão captar mais recursos.

Mercado Secundário

Já o mercado secundário é bem diferente, já que os títulos mobiliários emitidos no mercado primário agora são negociados de um proprietário para o outro.

Dessa forma, a função do mercado secundário é de dar liquidez aos ativos financeiros. Sendo que a compra e venda de ações acontece por meio do Home Broker.

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De maneira geral, no mercado secundário, um investidor vende a sua ação diretamente para outro investidor. Isto a fim de reaver o capital. Dessa forma, o preço da ação não mais vai ser direcionado para a empresa que emitiu o título, como no caso do mercado primário.

Destaca-se que o exemplo acima foi restrito para o mercado de ações. Contudo, é preciso lembrar que o mercado secundário torna possível a negociação de outros títulos de renda variável e também de renda fixa, os quais citamos anteriormente.

Ativos negociados no Mercado de Capitais

O mercado de capitais é composto por bolsas de valores, sociedades corretoras e outras instituições financeiras autorizadas pelos órgãos reguladores do setor. Essas instituições negociam os principais títulos mobiliários do mercado de capitais.

1. Ações

As ações são títulos emitidos por sociedades anônimas, que representam a menor fração do capital da empresa emitente. Então, o investidor em ações pode ser considerado sócio de uma empresa da qual é acionista.

Por isso, esses investidores possuem direitos, tais como o recebimento de dividendos oriundos da geração de caixa da companhia. Diversos investidores, inclusive, utilizam dos dividendos para viver de renda passiva, objetivo buscado por muitos e que só é possível por meio do mercado de capitais.

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2. Debêntures

As debêntures são títulos emitidos também por companhias. Sendo que os recursos captados através do lançamento de debêntures geralmente são destinados para o capital fixo de empresas. A contrapartida é que os detentores desses títulos são remunerados através de juros, participações nos lucros, etc.

3. Commercial Papers

Os commercial papers nada mais são do que notas promissórias de curto prazo, utilizado pelas empresas para financiar o seu capital de giro. Esses títulos são emitidos quando as empresas necessitam de capital com urgência e querem fugir dos altos juros de instituições financeiras.

Estrutura do Mercado de Capitais

Mercado de Capitais

O mercado de capitais funciona de acordo com uma estrutura que permite o seu bom funcionamento. Cada um dos componentes do mercado possui uma função específica, por exemplo, de auxiliar na negociação ou de fiscalizar a negociação dos ativos.

Instituições Financeiras

Outro agente fundamental na estrutura do mercado de capitais são as instituições financeiras. Essas instituições possuem papel fundamental no Sistema Financeiro Nacional, visto que otimizam a alocação e giro de capital no mercado por meio de empréstimos e financiamentos.

Ressalta-se que as financeiras, apesar de serem diferentes dos bancos, possuem algumas semelhanças e similaridades. Por exemplo, também são responsáveis por emitir investimentos, isto é, por “fabricar” novos títulos privados.

Além disso, destaca-se que esses títulos normalmente possuem uma rentabilidade maior do que aqueles oferecidos por bancos. Isso porque possuem maior risco em relação aos grandes bancos, justamente por serem empresas de menor porte.

A maior diferença entre as financeiras e os bancos é que a primeira não possui, por exemplo, conta corrente ou caderneta de poupança.

Bolsa de Valores

A bolsa de valores é, de fato, o veículo que permite as negociações e as trocas dos valores mobiliários. É por meio dela que as empresas podem fazer o IPO, passando a ser companhias de capital aberto.

Além disso, é por meio da bolsa que o investidor pode adquirir e negociar ações, opções, cotas de fundos e direitos. Por isso, ela é fundamental para o bom funcionamento do mercado.

Em alguns países os investidores têm a disposição mais de uma bolsa de valores, como nos EUA, que possuem a NYSE e a NASDAQ. Contudo, no Brasil, temos apenas uma bolsa de valores, a B3.

Sociedades corretoras e distribuidoras

As sociedades corretoras e distribuidoras são as responsáveis por intermediar o processo de compra e venda de títulos e valores mobiliários. Ou seja, elas são as responsáveis por interpor as operações envolvendo, por exemplo, ações, títulos públicos, derivativos e câmbio.

É por isso que uma das ferramentas oferecida ao investidor por essas corretoras é o Home Broker. Sendo que é por ele que investidores podem adquirir e trocar valores mobiliários entre si.

Além disso, é possível que o investidor tenha acesso à títulos privados e fundos de investimentos por meio dessas corretoras. Sendo que esses títulos e fundos podem ser, inclusive, oferecidos pela própria corretora.

Ao oferecer esses serviços, as distribuidoras cobram taxas de corretagem e de administração. Por isso, é preciso que o investidor se atente se os produtos oferecidos por elas são realmente rentáveis e vantajosos.

Isso porque alguns investimentos oferecidos podem ser mais interessantes para as corretoras do que para os clientes. Isto por conta das diversas taxas que podem estar embutidas. Este é o caso, por exemplo, de alguns Certificados de Operações Estruturadas (COEs) ofertados por corretoras.

Instituições Reguladoras

mercado de capitais

Por conta da relevância desse mercado e da quantidade de agentes que atuam nele, é preciso que existam instituições reguladoras que acompanhem e fiscalizem as negociações e todos os agentes do mercado de capitais.

Então, para regularizar e fiscalizar o mercado, foi preciso a criação de algumas instituições, como a CVM, a Anbima e a Ancord.

1.   Comissão de Valores Mobiliários (CVM)

A CVM é uma instituição ligada ao Ministério da Fazenda que fica responsável por disciplinar, fiscalizar, normatizar e desenvolver o mercado de valores mobiliários brasileiro.

Por isso, é a principal responsável por defender o investidor minoritário, garantindo o cumprimento das regras de distribuição e negociação dos produtos de investimento. Nesse sentido, ela fiscaliza questões relacionadas à governança corporativa e à veracidade das informações divulgadas pelas empresas.

De acordo com o site da própria instituição, o objetivo da comissão é de:

  • “ Zelar pelo funcionamento eficiente, pela integridade e pelo desenvolvimento do mercado de capitais, promovendo o equilíbrio entre a iniciativa dos agentes e a efetiva proteção dos investidores.”

Portanto, toda a organização, operação e funcionamento das bolsas de valores, e de Mercadorias e Futuros estão sendo, a todo tempo, fiscalizadas pela CVM. Essa função é fundamental para garantir a confiabilidade e veracidade das informações.

2. Anbima

A Anbima é a associação responsável por representar instituições do mercado financeiro e por definir uma série de boas práticas para companhias. Entre os seus mais de 340 associados, estão:

  • Grandes bancos de varejo;
  • Bancos de investimento;
  • Corretoras;
  • Bancos múltiplos;
  • Gestoras de patrimônio.

Por isso, como a própria associação coloca, ela fala em nome de “instituições como bancos, gestoras, corretoras, distribuidoras e administradoras.” Nesse sentido, possui a função de representar, autorregular, informar e educar essas instituições.

Além disso, a Anbima também possui a função de oferecer diversas certificações para profissionais do mercado, sendo a maior entidade certificadora desses profissionais.  Por exemplo, os certificados de CPA-10, CPA-20,  CEA e CGA.

3. Ancord

A Ancord é a Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias. Ela tem o objetivo de regular o mercado, de representar e de fornecer conhecimento para profissionais da área.

Essa função de fornecer conhecimento é bastante relevante na associação. Sendo que é possível encontrar diversos cursos, treinamentos e certificações oferecidas pela Ancord para aqueles que se relacionam com o mercado de capitais e de investimentos.

Outro destaque da Ancord é o fato de ela ser a única associação reconhecida pela CVM para emitir certificações e regulamentar a atuação dos Agentes Autônomos de Investimentos (AAIs).

Esses AAIs atuam na prospecção e na captação de clientes, intermediando a relação entre investidores e as corretoras de valores. Assim, recebem uma corretagem ou percentual sobre os produtos adquiridos por seus clientes.

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Classificação do Mercado de Capitais

A estrutura do mercado de capitais muitas vezes é confundida com o mercado de bolsa de valores, por onde investidores compram e vendem ações. Contudo, existe uma grande variedade de mercados que compõem toda a estrutura do mercado de capitais.

Por isso, a seguir, veremos as principais características de cada um desses componentes do mercado de capitais.

Mercado à vista

O mercado à vista talvez seja o mais conhecido e utilizado entre os componentes do mercado de capitais. A sua principal característica é não ter uma data de vencimento para as operações. Isto é, elas ocorrem no momento do ato, sendo de fato uma troca entre valores mobiliários.

Esse é, portanto, o mercado pelo qual investidores compram e vendem ações durante o período do pregão. Então, ao comprar um determinado papel, a operação é liquidada no mercado à vista, sendo que o comprador realiza o pagamento e recebe as ações em D+3.

Mercado a termo

Diferente do mercado à vista, as operações do mercado a termo possuem uma data futura, ou seja, um prazo pré-determinado para ocorrerem. Além disso, essas operações possuem um preço fixado que depende da cotação no mercado à vista e de uma taxa de juros.

Destaca-se que esse tipo de operação é fundamental para agentes do mercado que dependem da cotação de determinado ativo no futuro. Por exemplo, produtores e vendedores de commodities.

Então, para dar previsibilidade e para diluir riscos, esses agentes negociam um preço para o ativo em uma data específica no futuro. Para isso, pagam à contraparte uma taxa de juros para garantir o preço do ativo no futuro conforme estipulado no contrato. Essas partes ficam vinculadas até o fim do prazo do contrato.

Além disso, destaca-se que os prazos dos contratos a termo podem variar bastante, de 16 a 999 dias corridos. E quanto maior o prazo do contrato no mercado a termo, maior será o juros sobre o valor do ativo no mercado à vista. Afinal, há um aumento de incertezas e de risco.

Mercado futuro

O mercado futuro é, muitas vezes, confundido com o mercado a termo, por conta da semelhança entre eles. De fato, no mercado futuro os ativos também são negociados de forma que os participantes assumem o compromisso de comprar ou vender um ativo por determinado preço no futuro.

Contudo, a diferença é que, no mercado a termo, os desembolsos acontecem apenas na data de vencimento da operação. Por outro lado, no mercado futuro as variações de preços são apuradas todos os dias. Isto é, a operação é ajustada diariamente pela bolsa de valores.

No vencimento ou ao encerrar o contrato, o lucro ou prejuízo da operação é apurado de acordo com a soma dos resultados diários.

Mercado de opções

O mercado de opções é o responsável pela negociação de direitos (e não obrigação) de compra ou de venda de determinado ativo em uma data futura. Contudo, para deter esse direito, a parte compradora deve pagar um prêmio para a parte vendedora no instante que a operação inicia.

Essa é uma alternativa do mercado de capitais deve ser utilizada apenas por investidores qualificados e experientes. Isso por conta do alto risco que as operações envolvendo opções carregam.

Inclusive, o mercado de opções foi caracterizado pelo maior investidor de todos os tempos, Warren Buffett, como “a arma de destruição em massa do mercado de capitais”. Justamente pelo alto risco que o acompanha.

Invista como Warren Buffett

De maneira resumida, as opções podem ser de compra (calls) ou de venda (puts). Sendo que elas significam:

  • Calls: Permite que o investidor adquira um ativo por certo preço pré-determinado em uma data também pré-determinada;
  • Puts: Permite que o investidor venda um ativo por certo preço pré-estabelecido em uma data também pré-estabelecida.

Apesar de ser um instrumento utilizado como proteção de carteiras, as opções também podem levar investidores à falência. Isso porque são operações que podem alavancar muito o capital, podendo acarretar em grandes perdas.

Mercado de derivativos

Por fim, o mercado de derivativos é o responsável por englobar todas as operações de ativos que advém de outros ativos. Isto é, são operações “derivadas” de outros ativos.

Esse tipo de operação é utilizada por diversos agentes de mercado como Hedge de carteiras de investimento. Isso porque os derivativos são mecanismos de vender o risco que se enxerga em determinado ativo.

Nesse sentido, é possível, por exemplo, realizar contratos de derivativos envolvendo o preço da soja (SOJ), ou do dólar (DOL). Esses contratos são utilizados, de um lado, para reduzir riscos e dar previsibilidade.

Por outro lado, as operações envolvendo derivativos são usadas por especuladores como forma de alcançar ganhos financeiros no curto prazo. Isso porque é possível obter ganhos alavancados nesse mercado com a variação dos preços dos ativos.

Outros tipos de mercado

Além dos mercados citados anteriormente, que englobam o mercado de capitais, existem alguns outros tipos de mercado também muito relevantes no Sistema Financeiro Nacional. Isto é, o mercado monetário, de crédito e de câmbio.

Mercado monetário

mercado de capitais

O mercado monetário é o sistema responsável para as operações de curto ou de curtíssimo prazo, que são influenciadas pelo Banco Central e que também envolvem as instituições financeiras.

Nesse sentido, essas são as operações que influenciam na liquidez monetária da economia e, consequentemente, na taxa de juros. Algumas das operações possíveis no mercado monetário são:

  • Venda de títulos públicos pelo Banco Central para instituições financeiras;
  • Compra de títulos públicos pelo Banco Central de instituições financeiras;
  • Troca de títulos públicos entre instituições financeiras.

Cada uma dessas operações altera a oferta de títulos na economia, o que influencia na taxa de juros. Para facilitar o entendimento, confira os seguintes exemplos:

  • Venda de títulos pelo BC

Quando o Bacen vende títulos para instituições financeiras, ele oferece o título e recebe capital (moeda) em contrapartida. Por isso, a venda de títulos reduz a liquidez monetária.

Destaca-se que essa é uma política monetária contracionista, já que reduz a demanda por títulos. Reduzindo a demanda por títulos, a taxa de juros tende a subir, para compensar a demanda inferior.

  • Compra de títulos pelo BC

A compra de títulos pelo BC significa que o Bacen está oferecendo moeda e recebendo, em contrapartida, títulos emitidos anteriormente. Por isso, essa operação injeta moeda na economia e aumenta a liquidez monetária.

Por isso, essa operação é uma medida expansionista, visto que a compra de títulos pelo Banco Central aumenta a demanda por títulos. E o aumento na demanda por esses títulos tende a reduzir a taxa de juros.

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Mercado de crédito

O mercado de crédito é uma outra modalidade do sistema financeiro em que ocorrem os processos de tomada e de concessão de crédito. Sendo que essas operações dependem de duas partes, uma credora e outra devedora.

Então, a parte credora oferece liquidez à parte devedora em troca de um prêmio de liquidez e de risco. Isto é, em troca de juros. Sendo que o mercado de crédito abrange empréstimos, financiamentos e depósitos à vista.

Ressalta-se que o mercado de crédito possui fundamental importância dentro de uma economia. Isso porque é por meio dele que empresas podem se alavancar com capital de terceiros para desenvolverem seus projetos.

Esses projetos, construídos com o capital de credores, são responsáveis por gerar empregos e por aumentar a produção da economia. Portanto, conclui-se que o mercado de crédito possui estreito vínculo com o crescimento do PIB.

Mercado de Câmbio

O mercado de câmbio nada mais é que um sistema global onde ocorrem as negociações das diversas moedas. Por isso, ele representa as compras e vendas realizadas envolvendo duas moedas que, ao longo do tempo, determinam a cotação de cada moeda.

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As cotações, por sua vez, representam o quanto cada moeda vale em relação a outra. Por exemplo, quantos reais por dólares, reais por euros e euros por dólares. Além disso, o mercado de câmbio é dividido em dois grupos:

  • Mercado primário: onde ocorre o fluxo de transferências de moedas que entram e saem de um país;
  • Mercado secundário: onde os agentes autorizados trocam e vendem moeda estrangeira entre si, o que não altera o fluxo entre países.

Destaca-se que muitos investidores, com o objetivo de realizar a diversificação de seus investimentos, optam por se expor ao mercado de câmbio. Sendo que isso pode acontecer por meio de fundos cambiais, minicontratos ou de investimentos diretamente no exterior.

Esse tipo de exposição é recomendada para que haja uma proteção contra a desvalorização da moeda local no mercado de câmbio. Isso é fundamental principalmente para indivíduos que possuem parte das suas despesas relacionadas a outras moedas.

Histórico do Mercado de Capitais no Brasil

histórico do mercado de capitais

Como foi colocado inicialmente, o mercado de capitais brasileiro ainda é pouco desenvolvido. Esse fato se comprova ao comparar o nível de articulação desse mercado no Brasil com seus pares internacionais.

Essa situação está diretamente ligada ao histórico brasileiro de se investir majoritariamente em imóveis. Isso porque havia uma desconfiança sobre a segurança de comprar títulos privados e públicos.

Contudo, como bem vimos, esses títulos são de fundamental importância para a economia. Afinal, é a forma de direcionar o capital e a poupança de toda a sociedade para o governo e para as companhias, o que aquece a produção de um país, gerando empregos e renda.

Por isso, o Brasil passou por algumas reformas no mercado de capitais ao longo do tempo que tiveram o objetivo de desenvolvê-lo e aumentar sua penetração na sociedade. A seguir, veremos alguns dos principais momentos do histórico do mercado de capitais no país.

Mercado de Capitais na década de 60

Na década de 60, o mercado de capitais estava extremamente sub penetrado na sociedade brasileira. Nesse sentido, existia uma grande desconfiança dos indivíduos em relação a adquirir títulos privados e públicos.

Essa desconfiança era embasada, por exemplo, no ambiente de inflação crescente e na Lei da Usura, que limitava a 12% a taxa de juros máxima anual. Por isso, a melhor alternativa para os indivíduos era de investir em imóveis, devido à correção inflacionária do seu valor e ao seu caráter físico, que fornece segurança.

Mercado de Capitais brasileiro na ditadura

Esses fatores que dificultavam o desenvolvimento do mercado de capitais tentaram ser reformados em 1964, após o Golpe Militar. Nessa época, algumas medidas e leis foram editadas para incentivar o desenvolvimento do mercado de capitais.

Nesse sentido, as principais medidas estabelecidas foram:

  • Lei 4.537/64, que instituiu a correção monetária, por meio da criação das ORTN (Obrigação Reajustável do Tesouro Nacional);
  • Lei 4.595/64, a lei da reforma bancária, que transformou o sistema financeiro e criou o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional;
  • Lei 4.728/65, a primeira lei do mercado de capitais, que estabeleceu normas para o mercado e determinou medidas para impulsionar o seu desenvolvimento.
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Mercado de Capitais brasileiro na década de 70

A década de 70 foi marcada por um boom e depois por um período de recessão. No início dessa década, entre 1970 e 1971, as cotações subiram de maneira expressiva. E nos anos seguintes, amargaram diversas quedas, causando uma depressão no mercado.

Para conter as quedas incessantes, o governo se reinventa, por meio dos recursos oriundos do Fundo PIS/PASEP. Além disso, se esforça para retomar as cotações por meio da criação das Sociedades de Investimento e da procura por investimentos externos no Brasil.

Outro destaque da década de 70 foi a criação da lei das S.A, em 1976. A lei, foi instituída como forma de modernizar as regras vigentes para as empresas constituídas como Sociedades Anônimas.

Mercado de Capitais brasileiro na década de 90

A década de 90 foi marcada pela necessidade de captação de investimentos de estrangeiros. Por isso, foi observado nessa época uma abertura do mercado de capitais, aumentando o volume de investidores estrangeiros investindo no Brasil.

Isso foi possível, por exemplo, por meio da abertura de capital de empresas brasileiras em bolsas americanas.  Então, as companhias do Brasil negociadas nos EUA passaram a conviver com a demanda exigente de investidores estrangeiros e da SEC, reguladora do mercado norte-americano.

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Contudo, existia uma falta de transparência, de proteção ao minoritário e de mecanismos que para a supervisão das empresas brasileiras. Esses fatores contribuíram para o aumento das incertezas a respeito dos investimentos no Brasil, o que aumenta significativamente o risco.

O aumento desse risco por conta de incertezas e de falta de transparência fizeram com que o mercado de capitais brasileiro perdesse espaço no mercado internacional.

Mercado de Capitais brasileiro na atualidade

mercado de capitaisO mercado de capitais brasileiro foi sendo desenvolvido desde o início dos anos 2000 para aumentar as boas práticas de governança pelas companhias e a segurança das negociações dos valores mobiliários.

Essas medidas contribuem para o aumento da confiabilidade em todo o mercado de capitais, o que estimula a sua penetração e o desenvolvimento da economia. Então, uma das importantes medidas adotadas foi o aumento da participação de instituições reguladoras e fiscalizadoras no mercado.

Além disso, a reforma da Lei das S.A e a criação do Novo Mercado pela Bovespa também foram outras atitudes que estimularam o desenvolvimento do mercado de capitais no Brasil.

Perguntas Frequentes sobre Mercado de Capitais

Qual é a função do mercado de capitais?

O mercado de capitais é o sistema responsável pela distribuição de valores mobiliários que tem como objetivo dar liquidez aos títulos emitidos por companhias. Além disso, esse mercado é fundamental para o processo de capitalização e de investimentos dentro da economia.

O que é e como funciona o mercado de capitais?

O mercado de capitais é um mecanismo que funciona de modo a dar liquidez e permitir a distribuição e negociação de valores mobiliários dentro de um sistema financeiro. Por isso, é o responsável por direcionar o capital de poupadores para a economia como um todo.

Quem regula o mercado de capitais?

As operações e os agentes do mercado de capitais são regulados, fiscalizados por três principais instituições, sendo elas: a CVM, ANCORD e ANBIMA

O que é CVM e qual sua importância?

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) é a instituição responsável por fiscalizar o mercado de capitais no que se refere às atividades envolvendo valores mobiliários. Essa função fornece segurança nas operações e confiabilidade nas informações divulgadas pelas companhias.

O que são valores mobiliários?

Os valores mobiliários são quaisquer títulos ou contratos de investimentos negociados e ofertados publicamente que oferecem o direito à participações acionárias, juros, parcerias ou remunerações. Podem ser ações, direitos, títulos de crédito privado, contratos futuros, etc.

Bibliografia

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Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.