mão invisível
Por: Tiago Reis

Mão ínvisivel: entenda a teoria liberal do mercado que se autorregula

Com a crescente popularização do liberalismo como corrente filosófica e econômica, alguns termos vem ganhando cada vez mais destaque. Um deles é a conhecida “mão invisível do mercado” um conceito teórico que pode até mesmo influenciar governos e sua política fiscal.

Por mais que o tema tenha voltado a ganhar destaque recentemente, a ideia da mão invisível do mercado não é algo criado a pouco tempo. Essa ideia já vem ganhando destaque desde o século XVIII, através de filósofos e pensadores adeptos do liberalismo.

O que é a mão invisível?

A mão invisível do mercado é um termo criado pelo escocês Adam Smith, no livro “Uma investigação sobre a natureza e a causa da riqueza das nações”. O conceito afirma que o próprio mercado pode se autorregularizar, sem precisar da intervenção do Estado para isto.

Dessa forma, a mão invisível seria o mecanismo básico que forneceria as condições para o funcionamento do chamado livre mercado.

Este é um termo utilizado recorrente pelos defensores do liberalismo econômico e que têm grande significado tanto teórico quanto prático.

Adam Smith e a mão invisível

mão invisível

Adam Smith nasceu em 1723, e foi um dos grandes expoentes do chamado Iluminismo Escocês, que marcou o século XVIII.

O fato de seu rosto estar atualmente estampando as notas de 20 pounds (libra esterlina) do Reino Unido mostra a sua relevância enquanto teórico.

Smith é um dos principais, se não o principal, nomes do liberalismo econômico. Seu trabalho até hoje é referência quando o assunto é Economia. E há um motivo para isso.

É importante ressaltar que o autor nasceu e cresceu durante o mercantilismo, prática caracterizada pelo controle estatal da Economia.

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Talvez por isso o pensador tenha se proposto a analisar diferentes sociedades para descobrir o segredo para se tornar um país rico.

Sua conclusão, após anos de estudo, foi que a divisão de trabalho era a responsável por isto.

Isso porque, para Smith, alguém com grande conhecimento em determinada área produziria melhor do que uma pessoa com experiência prática em outro segmento.

Desta forma, a seu ver, nações mais prósperas eram as que propiciavam e incentivavam novas formas produção e trabalho. Inclusive por meio do empreendedorismo.

A mão invisível e o liberalismo econômico

mão invisível

O liberalismo econômico defende que o Estado não interfira no mercado. Mas interferir de que forma?

Regulamentando, intervindo em casos de variação no valor de moedas e produtos ou subsidiando-os. Ou mesmo taxando-os excessivamente. Algo que é recorrente no Brasil, por exemplo.

Uma economia liberal, em tese, trabalharia com autorregulação. Por isso, o liberalismo econômico acredita que as próprias empresas se ajudariam em caso de necessidade. E isto seria feito por tais empresários, ainda que não intencionalmente.

Segundo Adam Smith, só seria aceitável a intervenção do Estado em três casos:

  • Para o estabelecimento e manutenção da Justiça;
  • Em caso de necessidade de defesa do país/nação; ou
  • Com a realização de obras públicas de instituições que não despertassem o interesse privado.

A mão invisível, a oferta e a demanda

A teoria da oferta e da procura ainda é um dos principais pontos que reforçam a existência da mão invisível do mercado.

Ela afirma que um mesmo produto pode seguir dois distintos caminhos.

Um deles é uma grande oferta com baixa demanda, o que acarretaria na queda do preço do produto.

O segundo é a pouca oferta com uma grande demanda, o que encareceria este produto.

Algo que, comprovadamente, acontece. É possível ver tais alterações até mesmo em tarefas cotidianas, como uma ida à feira.

Na época de chuvas, o preço das hortaliças tende a ser menor, porque a produção e a oferta são maiores. Já no verão estes produtos se tornam escassos e mais, automaticamente, mais caros.

Críticas ao liberalismo e a ideia do mercado autorregulável

É importante destacar que o liberalismo econômico, assim como todas as demais teorias, não é aceita como o melhor caminho por todas as pessoas.

Entretanto, é impossível negar a sua influência no mundo capitalista. Tanto que ele é amplamente apresentado em uma série de leituras importantes para quem deseja investir.

Por isso, a Suno Research organizou uma lista com os 10 livros que todo investidor deveria ler. Vale a pena conferir.

Ainda que seja difícil encontrar uma economia que não demande a interferência do governo eventualmente.

Talvez a mão invisível que vemos hoje não seja apenas do mercado, mas tenha também ao menos um dedo do Estado.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

3 comentários

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  • Mauricio 12 de novembro de 2019

    O conflito entre capital e trabalho na determinação dos salários indica que a mão invisível não é tão justa assim. (Basta olhar “A Instituição de Poupança Pública” do Luís Fernando Azevedo Lopes).

    Responder
    • Rogerio 14 de dezembro de 2019

      Zona de conforto é uma merda, o capital está sempre lhe dizendo que se não está satisfeito com o seu salário que vá aprender algo novo e melhore a renda.

      Responder
      • Lorem Ipsum 16 de janeiro de 2020

        simplista de merda

        Responder
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