long short

Uma das estratégias mais conhecidas para lucrar no mercado financeiro consiste em aproveitar a diferença de preços entre um ativo e outro. Essa operação, conhecida como arbitragem, pode ser utilizada também no sobe e desce da bolsa de valores, através da estratégia de Long Short.

O Long Short apresenta a grande vantagem de ser uma operação de risco reduzido, algo incomum para o mercado de renda variável. Porém, por ser um tipo de arbitragem mais estruturada, é preciso entender bem do que a estratégia se trata antes de se arriscar.

O que é a estratégia de Long Short?

O Long Short (ou Long & Short) é uma estratégia onde o investidor mantem, simultaneamente, uma posição comprada em um papel e uma posição vendida em outro.

Nesse caso, o objetivo é lucrar com a diferença na variação de preços entre os dois ativos, que precisam ser relacionados. Dessa forma, pode-se dizer que o long short é uma operação de arbitragem.

Como funciona o Long Short?

O intuito do long short é aproveitar a correlação existente entre um ativo e outro. Basicamente, o long short ocorre quando um desses ativos é comprado (long) e o outro ativo, vendido (short).

Ou seja, são operados, ao mesmo tempo, dois papéis que possuem algum tipo de ligação – e, por isso, tendem se comportar de forma parecida no mercado. Essa relação pode ser calculada, sendo chamada no mercado de índice beta.

Logo, o ganho da operação está na pequena distorção de comportamento que ambos ativos sofrem. Isso acontece porque, normalmente, um dos ativos sempre se valoriza mais do que o outro.

Com isso, o long short espera que a ponta comprada (o papel que valoriza mais) tenha um aumento de preço maior que a sua contraparte vendida (o papel que se valoriza menos), ou vice-versa. A diferença de performance entre as duas pontas, conhecida no mercado como spread, será o lucro da operação.

Vantagens da operação de long short

  • Não depende do desempenho geral da bolsa, mas apenas de duas ações correlacionadas e sua variação.
  • É possível ser realizado tanto em momentos de alta como de baixa;
  • Permite a alavancagem, já que a ponta comprada serve como garantia para a ponta vendida.

Tipos de Long Short

Assim que identificada a correlação, um long short pode acontecer com qualquer ação listada na bolsa. Porém, considerando as características dos ativos envolvidos, as operações de long short mais comuns são:

Long Short Intra-setorial

Acontece com as ações de duas empresas que atuam no mesmo segmento de mercado. Logo, se tratam de papéis fortemente correlacionados, que normalmente irão acompanhar a variação dos seus pares.

Em ações do setor financeiro, por exemplo, um tipo de long short pode ocorrer entre Banco Itaú PN (BVMF:ITAU4) com Bradesco PN (BVMF:BBDC4).

Ação ON versus ação PN

É a operação mais comum de long short. Como se tratam de papéis da mesma empresa (ações ordinárias e preferenciais), o comportamento de ambos no mercado os dois é exatamente o mesmo. Logo, tanto na parte comprada quanto na parte vendida comprada, o risco do long short é muito baixo.

Porém, quanto maior a correlação entre as duas pontas, menor é a rentabilidade. Por isso, um long short com ações da mesmo companhia não costuma ser tão lucrativo.

Na bolsa brasileira, um long short muito comum acontece entre a ação Petrobrás ON (BVMF:PETR3) com Petrobrás PN (BVMF:PETR4);

Controlada versus Controladora

Como algumas empresas de capital aberto são controladas por empresas que também possuem ações na bolsa, os papéis de ambas costumam apresentar forte correlação. Essa proximidade entre as duas companhias facilita a operação de arbitragem entre suas ações e minimiza os riscos.

Um exemplo desse tipo de long short é a operação entre Banco Itaú PN (BVMF:ITAU4) com Itaú S.A.PN (BVMF:ITUB4).

Exemplificando como funciona um long short

Para exemplificar a operação, suponha que um investidor faça um long short comprando ações da empresa A e vendendo o mesmo valor em ações da empresa B. Logo após, as ações das empresas A e B, que atuam no mesmo setor, se valorizam 5% e 3%, respectivamente.

Com isso, o investidor irá ganhar 15% com a sua ponta comprada em A. Ao mesmo tempo, a ponta vendida irá gerar um prejuízo de 10%. Ao subtrair o lucro da compra pelo prejuízo da venda, o investidor terá lucrado 2% com o seu long short.

Compartilhe a sua opinião
Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.