indexação
Por: Tiago Reis

Indexação: Descubra o que é e como ela marcou a economia do Brasil

Você sabia que a indexação ocorria de forma recorrente no Brasil durante a década de 80?

A indexação, embora exista com o propósito de assegurar o poder de compra da moeda, pode causar mais inflação. Mas o que seria, de fato, a indexação da economia?

Indexação é o nome que se dá para o ato de indexar contratos ou preços de produtos e serviços a determinados índices. Tipicamente os índices utilizados são os de inflação. Dessa forma ela busca garantir que um produtor, vendedor ou assalariado não tenha prejuízos com a inflação.

Para você entender melhor este conceito, será apresentado aqui um exemplo. Imagine que você receba um salário mensal de R$ 10 mil.

No entanto, se em um ano ocorrer uma inflação de 10% os seus R$ 10 mil já não possuem mais o mesmo poder de compra do ano anterior.

Afinal, os preços da economia ficaram 10% mais caros, enquanto o seu salário se manteve o mesmo. Portanto, qual seria a solução do ato de indexar para este problema?

Para solucionar este problema muitas pessoas requisitavam a indexação dos seus salários ao índice de inflação. No Brasil o índice de inflação mais utilizado ao IPCA.

Portanto, se o IPCA foi de 10%, significa que o seu salário irá aumentar 10% no próximo ano. Ou seja, você vai passar a ganhar R$ 11 mil. Dessa forma, o seu poder de compra estará mantido, visto que o seu salário aumentou na mesma proporção da inflação.

A indexação da economia no Brasil

indexação da economia

Como dito anteriormente, o ato de indexar preços e contratos já foi bastante comum no Brasil. Atualmente ele ainda ocorre, porém em uma medida muito menor do que já foi feito.

O Brasil foi um país que, durante muito tempo, conviveu com a chamada hiperinflação.

Mais especificamente, este problema se agravou no final da década de 80 e no início da década de 90.

Para você ter uma ideia, a inflação do ano de 1993 chegou a incríveis 2.447,15%.

Isto significa que, se você tinha uma média de gastos de R$ 10 mil por mês em 1992, em 1993 esses gastos totalizariam R$ 244 mil.

A inflação também foi alta nos anos anteriores, como por exemplo:

  • 1989: 1.972%
  • 1990: 1.620%
  • 1991: 472,69%

Neste cenário, muitas pessoas tinham medo da inflação corroer o seu poder de compra. Sendo assim, os vendedores, produtores e assalariados brigavam por uma indexação da economia.

Por que não indexar?

A grande questão de indexar valores é que isto causa aumento de preços. Aumento de preços, como você sabe, é sinal de inflação.

O que ocorria, portanto, era uma corrida por partes dos agente econômicos para elevar os preços rapidamente e assim não incorrer em perdas inflacionárias.

Porém, isto paradoxalmente acabava por elevar ainda mais a inflação.

Sendo assim, este se tornou um problema crônico da economia brasileira, o que resultou em medidas muito elevada do IPCA como a que ocorreu em 1993.

A solução deste problema só se deu na ocasião do plano real. Atualmente, a indexação da economia brasileira é muito menor.

Isso está em linha com os países mais desenvolvidos, que possuem inflação baixa, em torno de 2%. Esses países também costumam ter poucos contratos indexados na economia, deixando os preços flutuarem livremente.

Observe abaixo, por exemplo, como os preços de cada setor da economia nos EUA variam independentemente da inflação.

indexação da economia americanaUma forma de proteger da inflação, mesmo sem a indexação, é realizando aplicações financeiras.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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