igp-m
Por: Rodrigo Wainberg

IGP-M: Conheça um importante indexador de investimentos

Você sabe para que serve o IGP-M? Esse é um importante índice utilizado por vários participantes do mercado de capitais e outros agentes econômicos.

É comum que muitas pessoas, em diversas etapas de suas jornadas de investimentos, recorrentemente se deparem com terminologias e siglas que acabam por repassar certa insegurança no que diz respeito a suas tomadas de decisões financeiras e, dentre estes termos, o IGP-M se faz bastante presente.

O IGP-M é a sigla para Índice Geral de Preços de Mercado e é um dos índices utilizados para medir a inflação no país. Ele é utilizado como um importante indexador de contratos, especialmente em negócios imobiliários.

Dito isso, o quanto antes uma pessoa que tenha um perfil de investidor e interesse no mercado financeiro buscar entender a definição deste índice certamente melhor será a sua compreensão diante de muitos fatores que preenchem esse ambiente.

Ambiente este que transmite, ao mesmo tempo, bastante curiosidade e aversão por uma grande parte da população.

O que é o IGP-Mo que é o igp-m

O Índice Geral de Preços de Mercado é um índice que mede a inflação no Brasil, e é calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

E esse índice nada mais é do que uma versão do IGP, o Índice Geral de Preços.

É por conta disso que, em muitas vezes, esse índice é citado pelos meios de comunicação através da expressão IGP/FGV.

Como é possível medir a inflação em dias, semanas, meses ou anos, é preciso se convencionar um período.

E por isso, esse indicador compreende o período entre o dia 21 do mês anterior até o dia 20 do mês de referência.

Dessa forma, ao se analisar essa métrica financeira de mercado do mês de novembro, por exemplo, é preciso que se entenda que está se levando em consideração um intervalo de dias que compreende vinte dias de novembro e de mais alguns dias de outubro.

Além dele, também existem mais duas versões do IGP, que são o IGP-DI e o IGP-10.

O IGP-DI considera o período entre o dia 1 ao dia 30 do mês de referência.

Já o período de levantamento do IGP-10 é do dia 11 do mês anterior ao dia 10 do mês de referência.

Assim como no caso do IPCA, o IGP também é divulgado mensalmente.

Histórico do índice

O IGP de mercado começou a ser calculado pela FGV em 30 Junho de 1989, após um contrato firmado entre a FGV e a Confederação Nacional das Instituições Financeiras.

Abaixo está apresentado um gráfico do histórico do indicador desde o início da série:

histórico igp-m
É interessante notar que antes do Plano Real, em 1994, o indicador apresentava valores enormes no mês. Em Março de 1990, atingiu seu pico, chegando a quase 84% no mês.

Após 1994, contudo, o indicador arrefeceu significativamente. E em 2017, o acumulado no ano registrou valores negativos, uma situação chamada de deflação, e que não ocorria em 2009.

Mais adiante será mencionado o efeito de um IGP negativo nos seus investimentos.

Utilidade do IGP-Musos do indice de inflação

Além de servir como referência para a inflação aqui do Brasil, o IGP de mercado ainda possui outros usos, como por exemplo, reajustar contratos de aluguel, de luz, e também serve como indexador de alguns investimentos.

Reajuste de aluguéis

Apesar desse indicador ser pouco conhecido pela população em geral, seu efeito afeta quase todo mundo que vive de aluguel.

O que ocorre é que a maioria dos contratos firmados entre inquilinos e proprietários prevê uma cláusula de reajuste anual pela inflação.

E o índice utilizado para este propósito é justamente o IGP-M.

Veja este exemplo para ficar mais claro:

Imagine que você morasse de aluguel e, em 2016, você pagasse R$ 1.500 por mês.

O índice de inflação acumulado deste ano foi de 7,1907%.

Assim, o novo valor de aluguel para 2017 seria corrigido para R$ 1607,86.

E o que aconteceria quando este índice de inflação do ano fosse negativo?

É uma situação rara, mas que ocorreu em 2009 e 2017.

Em 2017, por exemplo, o acumulado do ano ficou em –0,5326%.

Portanto, na teoria, o valor do aluguel para o próximo ano deveria diminuir.

Entretanto, na prática nem sempre isso ocorreu.

Algumas imobiliárias simplesmente não repassaram esse desconto para o inquilino, e mantiveram o aluguel no mesmo valor, favorecendo o proprietário.

Essa é uma discussão longa. Algumas pessoas contestam que o reajuste somente nos casos em que o índice for positivo pode ser considerado uma cláusula abusiva nos contratos de aluguel.

Por último, mas não menos importante, é interessante frisar que, em alguns setores da economia, como o de seguros, energia elétrica e o de construção e incorporação, por exemplo, o IGP de mercado é usado como referência para correção de preços e valores contratuais.

Contratos de locação em Fundos Imobiliários

O reajuste de aluguéis não ocorre somente quando o proprietário e inquilino são pessoa física.

Nos contratos entre fundos imobiliários e empresas, também é comum a prática de reajustes pelo IGP de mercado, independentemente se são contratos típicos ou atípicos.

Veja um exemplo abaixo do cronograma de pagamento dos rendimentos do fundo imobiliário Rio Negro:

RNGO11
Perceba o aviso na parte inferior do gráfico de que todos os contratos são reajustados pelo IGP-M.

Para quem não conhece, os fundos imobiliários podem ser uma ótima opção de acúmulo de patrimônio e renda no longo prazo.

Veja no vídeo abaixo a opinião sobre esse assunto, dada pelo CEO e fundador da Suno, Tiago Reis.

A influência do IGP de mercado nos investimentos

O IGP de mercado também faz parte da remuneração de vários investimentos, daqueles que são chamados de pós-fixados.

Por exemplo, é muito comum encontrar debêntures que pagam um prêmio sobre o IGP de mercado, o chamado juro real.

Outro exemplo de ativos que também são remunerados dessa forma são os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI).

Aliás, quem possui cotas de fundos imobiliários que investem em CRI é beneficiado diretamente com o aumento desse índice.

Nos fundos de “tijolo” o benefício de um aumento do IGP se dá de maneira indireta, via rendimento e/ou valorização das propriedades.

Entretanto, nem sempre esse benefício é garantido.

Existem problemas como revisionais nos aluguéis e, além disso, os imóveis podem desvalorizar, ou valorizarem abaixo da inflação.

Inflação e ações

O IGP de mercado também afeta os resultados de algumas empresas, como as empresas do setor de transmissão elétrico.

Após essas empresas ganharem leilões para construírem novas linhas de transmissão, elas passam a ter direito de receber uma renda anual corrigida pela inflação (geralmente pelo IGP de mercado).

Essa é a chamada Receita Anual Permitida, ou RAP. Sempre que o IGP de mercado for baixo, a companhia irá receber um reajuste menor na RAP.

Existe ainda uma questão de contabilidade, que não cabe ser explicada neste artigo, que faz com que o lucro reportado das empresas de transmissão sofram por conta de um menor IGP de mercado.

Nesse caso, os pagamentos de dividendos também tendem a ser reduzidos, pois geralmente são dados como uma porcentagem do lucro divulgado.

De fato, em 2017 muitos investidores se assustaram com a queda dos lucros de algumas transmissoras devido ao efeito de IGP de mercado negativo que ocorreu durante alguns meses deste mesmo ano.

Entretanto, é preciso reconhecer que valores negativos de índices de inflação, aqui no Brasil, é uma situação bastante rara. E portanto, se trata de um efeito não recorrente.

IGP de mercado e o investimento em ações

Quanto ao efeito do IGP de mercado para o retorno das ações em geral, se espera que as companhias repassem os aumentos de custos nos insumos para o consumidor final.

Afinal, essa é a própria definição de inflação para o consumidor. Quem decide aumentar o preço são as próprias empresas.

Neste sentido, à medida que os preços dos produtos que compõem este indicador econômico se reajustam, as companhias desses setores, normalmente, também corrigem os seus contratos de prestação de serviços em suas respectivas áreas.

Por isso a importância de se conhecer bem esse índice e sua influência, tanto na economia, como no mercado de capitais como um todo.

E por esse motivo, o investimento em ações a longo prazo é uma das melhores formas de proteger o poder de compra dos seus investimentos.

Por isso a importância de se conhecer bem esse índice e sua influência, tanto na economia, como no mercado de capitais como um todo.

IPCA X IGP de mercado

Uma dúvida que pode surgir ao longo da sua caminhada como investidor é saber qual indicador é melhor para os seus investimentos: IPCA ou IGP-M?

Então, veja o gráfico abaixo, comparando o IGP-M (laranja) com o IPCA (verde), desde 1994:

IPCA X IGP Mensal

Note como o IGP-M apresentou uma volatilidade maior do que o IPCA. E como na maioria dos meses a inflação é positiva, no acumulado o IGP-M é superior ao IPCA.

Não é possível garantir que esse cenário irá se repetir no futuro.

Mas com base apenas nesse raciocínio, um investimento com prêmio de 5% sobre o IGP-M deveria render mais do que se o indexador fosse o IPCA.

Portanto, o investidor que compra um título do Tesouro IPCA + com um prêmio de 5%, por exemplo, deveria ter uma rentabilidade inferior a uma debênture que pagasse IGP-M +5%.

Em outras palavras, é preciso que o juro real oferecido para títulos indexados ao IPCA sejam superiores aqueles oferecidos aos títulos indexados IGP-M para que a rentabilidade seja a mesma.

Como calcular o IGP-Mcomo calcular o igp de mercado

A forma de cálculo do IGP-M é basicamente uma ponderação de outros índices de inflação.

Nesse cálculo, a FGV leva em conta a distribuição da sua composição, que se faz da seguinte maneira:

  1. 60% é composto pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA)
  2. 30% é composto pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC)
  3. 10% é composto pelo Índice Nacional de Custo de Construção (INCC)

Cada um desses indicadores mede a evolução de diversos produtos e serviços durante o período de aferição dos índices.

Fica claro, na divisão acima referenciada, que o IPA é o índice que apresenta um maior peso na composição do IGP de mercado, seguido pelo IPC e o INCC.

É importante também lembrar que cada produto ou serviço tem um peso diferente em cada um dos três índices.

Componente mais importante: Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA)

O IPA é um índice de preços calculados desde Janeiro de 1944 e até Março de 2010 era chamado de Índice de Preços por Atacado.

Portanto, o objetivo do IPA é medir a variação dos preços recebidos pelos produtores brasileiros na venda de seus produtos domesticamente.

Nessa pesquisa de preços são considerados produtos em toda a cadeia de produção. Isto é, desde as matérias primas, bens intermediários até bens finais.

Este é um índice de abrangência nacional. Ao total, o IBGE consulta ao redor de 1.200 indústrias, que produzem cerca de 6.400 cotações de preços todo mês, relativos a 343 produtos diferentes.
São essas as categorias de produtos cobertos na pesquisa de preços:

  • Lavouras temporárias
  • Lavouras permanentes
  • Pecuária
  • Carvão mineral
  • Minerais metálicos
  • Minerais não-metálicos
  • Produtos alimentícios e bebidas
  • Produtos do fumo
  • Produtos têxteis
  • Artigos do vestuário
  • Couros e calçados
  • Produtos de madeira
  • Celulose, papel e produtos de papel
  • Produtos derivados do petróleo e álcool
  • Produtos químicos
  • Artigos de borracha e de material plástico
  • Produtos de minerais não-metálicos
  • Metalurgia básica
  • Produtos de metal
  • Máquinas e equipamentos
  • Equipamentos de informática
  • Máquinas, aparelhos e materiais elétricos
  • Material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicação
  • Veículos automotores, reboques, carrocerias e autopeças
  • Outros equipamentos de transporte
  • Móveis e artigos do mobiliário

Índice de Preços ao Consumidor (IPC)

O segundo componente do IGP-M é o índice de preços ao consumidor, com peso de 30%.

Este índice busca avaliar a variação nos preços de uma cesta de bens e serviços adquiridas por famílias que ganhem entre 1 e 33 salários-mínimos mensais.

Entretanto, esse índice pesquisa apenas sete capitais do país, que são Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

Ao total, são avaliadas despesas nas seguintes categorias:

  • Alimentação
  • Comunicação
  • Despesas Diversas
  • Educação, Leitura e Recreação
  • Transportes
  • Despesas Diversas
  • Comunicação

Índice de Nacional de Custo da Construção (INCC-M)

O INCC basicamente mede a variação dos custos para construção de habitações. Ou seja, são incluídas as despesas com estrutura, instalações, acabamento, mão de obra e outros serviços
A região de abrangência é a mesma daquela do IPC, ou seja, as sete capitais mencionadas acima.

Conclusão sobre o IGP-Mconclusão igpm

Ficou claro que este termômetro do aquecimento da inflação possui uma importância e uma relevância bastante grande no mercado.

E a sua variação pode influenciar, de maneira direta, os resultados de um investidor que tenha interesse em aplicar em qualquer que seja o ativo de seu interesse.

Portanto, é muito importante para uma pessoa que pretenda multiplicar os seus recursos, que compreenda de antemão e bem claramente os principais conceitos do IGP-M e sua posição de bastante influência nesta grande engrenagem econômica a qual estamos todos conectados através de seu eixo de ligação.

Rodrigo Wainberg

Profissional aprovado no Level III da certificação CFA, investidor em ações há 6 anos. Possui registro de Analista e Consultor de Valores Mobiliários e é Bacharel em Física pela UFRGS.

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