guidance

No mercado financeiro, o ativo mais valioso é, sem dúvidas, a informação. Nesse sentido, as próprias empresas podem ajudar o mercado a se informar e investir melhor, publicando projeções e estimativas sobre si mesma. Para isso, uma das práticas mais utilizadas pelas companhias é a divulgação do guidance.

O guidance é uma forma de oferecer ao público um acesso direto e transparente das próprias informações financeiras da empresa. Isso fortalece a confiança do mercado no papel e reduz o nível de desinformação dos investidores em geral.

O que é o guidance?

Guidance é o conjunto de estimativas e informações futuras que uma empresa fornece sobre si mesma para o mercado.

Como o próprio nome sugere (em português, guidance significa “orientação”), a prática consiste em situar os investidores em geral sobre as perspectivas e projeções que a empresa faz dos seus próprios resultados.

Que tipos de informações são apresentadas em um guidance?

Um guidance costuma relatar as expectativas da empresa para diversos aspectos do negócio, como:

  • Projeções de faturamentos e receitas futuras.
  • Projeções de margens e lucros futuros.
  • Previsão de investimentos.
  • Previsão de volume de vendas.
  • Previsão de custos e despesas.
  • Indicadores operacionais e financeiros (fluxo de caixa descontados, evolução patrimonial, produtividade, expansão de negócios, entre outros);

Porém, também são comuns guidances para abordar questões mais amplas. Os temas normalmente são relacionados às perspectivas sobre o setor de atuação da companhia ou até mesmo para falar do desempenho geral da economia.

Como é realizado o guidance?

Geralmente, um guidance é elaborado e veiculado junto com o relatório de ganhos trimestrais ou na demonstração financeira anual da empresa. Porém, em alguns casos o guidance também pode divulgado em situações específicas. Isso acontece principalmente em importantes transações de mercado ou durante reuniões de analistas.

As empresas que emitem declarações prospectivas precisam manter um alto nível de clareza e cautela nas informações divulgadas. Para se proteger de qualquer questão legal, as empresas tomam o cuidado de sempre ressaltar que as projeções são baseadas em circunstâncias sem garantia de realização.

A importância do guidance para o mercado de investimentos

Relatórios de guidance que estimam os resultados futuros de uma empresa podem ter uma grande influência sobre o mercado. Com base nele, os analistas e investidores podem mudar suas expectativas sobre a ação da empresa. Logo, o guidance tem o poder alterar a decisão do mercado de comprar, manter ou vender um ativo.

Por exemplo: a administração de uma empresa divulgar um guidance que projete lucros bem abaixo do esperado. Com, isso a consequência mais provável seria uma expectativa menor sobre o valor da empresa no mercado – o que faria suas ações caírem.

Porém, o guidance é considerado pela maioria do mercado como um instrumento amplamente benéfico. Dentre as vantagens que ele agrega, estão:

  • Melhora na qualidade das informações: Por se originar diretamente na empresa, o guidance é uma boa ferramenta para transmitir informações ao mercado. Isso diminui assimetrias, alinha expectativas e melhora a comunicação com os investidores.
  • Aumento de interesse do mercado: Devido a maior disponibilidade de informações, o guidance atrai mais analistas e potenciais investidores. O resultado disso beneficia indiretamente a liquidez e o volume de negociação da ação.
  • Diminuição do risco associado: Com projeções mais confiáveis, a previsibilidade dos números da empresa seria maior. Ou seja, possíveis surpresas nos resultados da empresa se tornariam mais raras, diminuindo assim o risco em negociar as suas ações.

A prática do guidance no mercado brasileiro

Não existe uma determinação legal que obrigue ou regule a prática de guidance no Brasil. No entanto, se trata de uma política cada vez mais comum no mercado brasileiro. Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (Ibri), 76% das empresas brasileiras de capital aberto companhias com valor acima de R$ 1 bilhão fornecem algum tipo de projeção periódica sobre seus negócios.

Como no Brasil o número de analistas que acompanham empresas é menor do que nos mercados internacionais, a divulgação de relatórios prospectivos tem o potencial de gerar inúmeros ganhos.

Logo, com guidance todos tem acesso a mais informação, fazendo o risco do investimento cair, o número de interessados aumentar e volatilidade das ações diminuir. No final das contas, a prática não beneficia apenas a empresa, mas também todo o mercado.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.