guerra comercial

Nos últimos tempos, muito tem sido falado sobre uma provável guerra comercial entre EUA e China. Afinal, seguidas tarifas alfandegárias já vem sendo impostas por ambos os lados para vários produtos – e a expectativa é que esse movimento não pare tão cedo.

Porém, promover e entrar em guerra comercial é uma política muito controversa. Por ser uma medida altamente protecionista, essa prática pode trazer mais desvantagens do que vantagens – principalmente em um mundo cada vez mais globalizado e interdependente economicamente entre si.

O que é uma guerra comercial?

O termo guerra comercial é usado para descrever um conflito econômico entre países, onde os Estados começam a colocar barreiras comerciais como tarifas, taxas alfandegárias e restrições comerciais entre si. O movimento acontece sempre de forma escalonada, com um país retaliando outro consecutivamente com a aplicação de mais taxas e barreiras.

Na maioria das vezes, uma guerra comercial se inicia entre duas partes e acaba se espalhando para outros países, causando efeitos direitos e indiretos em todo o comércio internacional.

Uma guerra comercial é distinta de outras ações que têm efeitos prejudiciais nas relações comerciais entre dois países. As sanções, por exemplo, também podem ter objetivos humanitários ou políticos – enquanto uma guerra comercial costuma ser puramente econômica.

O que pode causar uma guerra comercial?

Na maioria dos casos, uma guerra comercial é motivada pelo protecionismo econômico de um dos países. Normalmente, as guerras comerciais começam quando um país entende que as práticas comerciais de outro país são injustas.

Com isso, o governo decide adotar ações e políticas para restringir o comércio internacional e valorizar sua balança comercial, geralmente com a intenção de barrar as importações dos concorrentes estrangeiros. Ou seja, para tentar estimular sua indústria doméstica e criar empregos, o país estabelece barreiras alfandegárias para impedir a entrada de produtos importados no seu mercado.

Dessa forma, o país que teve seus produtos taxados pode responder da mesma forma, adotando barreiras comerciais semelhantes ou até mesmo maiores em relação ao outro país. Logo, a situação pode desencadear retaliações dos dois lados, se tornando assim uma verdadeira disputa entre as partes.

Como guerras comerciais podem ser solucionadas?

Os países entram em conflitos comerciais com frequência. Para resolvê-los, eles podem ir à Organização Mundial do Comércio (OMC) e fazer com que a organização arbitre o disputas, eventualmente decidindo quem está certo e quem está errado.

Por isso, a OMC procura usar regras de aceitação geral entre os países, como o Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT), para tentar evitar que uma guerra comercial tome proporções exageradas.

Guerra comercial e o debate sobre o protecionismo

Os críticos do protecionismo argumentam que, no longo prazo, uma guerra comercial pode custar empregos e afetar o crescimento econômico de todos os países envolvidos. O protecionismo também causa inflação e afeta o poder de compra das pessoas no curto prazo. Isso acontece principalmente devido aos produtos industrializados, que costumam ser muito mais cara no mercado interno.

Porém, os defensores do protecionismo argumentam que políticas bem elaboradas podem trazer vantagens competitivas e criam mais empregos para o país. Além das tarifas, políticas podem ser implementadas colocando um limite nas cotas de importação, definindo padrões claros de produtos ou implementando subsídios do governo para estimular a economia. Dessa forma, segundo esse ponto de vista, uma guerra comercial pode ser benéfica economicamente para o país em questão.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.