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Governança Corporativa: importante critério na avaliação de empresas

By 1 de dezembro de 2017 No Comments
Governança Corporativa é um critério importante para avaliar empresas

O cada vez mais a governança corporativa vem sendo considerada um fator de decisão no que diz respeito a análise de empresas abertas por parte de investidores de valor que se fundamentam no longo prazo.

Por isso, hoje em dia, estar alinhando com as principais práticas de governança corporativa das empresas de capital aberto da bolsa de valores se faz uma atitude fundamental no processo de aplicação de recursos financeiros.

Governança Corporativa – Conceito

O conceito de governança corporativa pode ser definido como um conjunto de práticas que visam alinhar os objetivos da administração de uma companhia aos interesses dos seus acionistas.

Dessa forma, quanto mais um empreendimento for comprometido com esse conjunto de pressupostos, pode-se entender, de certa forma, que maior será a transparência por parte de sua gestão no que diz respeito a suas relações com os acionistas, tanto majoritários como minoritários.

Há de se mencionar que, dentre os principais pontos que merecem destaque no que diz respeito aos princípios de governança corporativa, os mais relevantes são a transparência, a existência de um conselho de administração com conselheiro independente, um comitê fiscal, uma auditoria independente, sólida prestação de contas, mecanismos de proteção aos minoritários (como o Tag Along, por exemplo), dentre outros.

Níveis de governança corporativa

É importante mencionar, antes de classificá-las, que as práticas de governança corporativa não são obrigatórias e, dessa forma, as companhias as assumem por espontânea iniciativa, mas vale lembrar que essas atitudes são sempre vistas com bons olhos pelo mercado.

Assim sendo, existem, definidos pela Bovespa, cinco níveis de governança corporativa, definidos conforme abaixo destacado:

  • Bovespa Mais: geralmente concedido para empresas pequenas, apresentam regras adequadas para acesso gradual ao mercado de capitais;
  • BM&F Bovespa – Nível Básico: como o próprio nome sugere, atende somente ao básico do que a legislação exige.
  • BM&F Bovespa – Nível I: nesse grau, as companhias precisam realizar reuniões públicas com analistas e investidores ao menos uma vez por ano e, ainda, possuir 25% do seu capital social em circulação no mercado.
  • BM&F Bovespa – Nível II: aqui, a exigência é que a divulgação das demonstrações financeiras e de resultados das empresas devem ser feitas no padrão IFRS, além de as companhias necessitarem ter, no seu Conselho de Administração, cinco membros com mandatos de dois anos, sendo, no mínimo, 20% conselheiros independentes, e de apresentarem, também, um Tag Along de no mínimo 80%.
  • BM&F Bovespa – Novo Mercado: maior transparência na gestão e publicação no mercado de 100% de ações ordinárias, com 100% Tag Along. Ainda, no momento do IPO, será preciso uma movimentação mínima de R$ 10 milhões e também, no mínimo, 25% dessas ações sejam postas para circular no mercado.

Diante disso, é comum, atualmente, que novas empresas listadas na bolsa de valores já comecem no Novo Mercado, pois isso, na teoria, mostra aos investidores que a mesma segue as melhores práticas, possuem Tag Along, e estão alinhadas com os interesses dos acionistas, o que pode resultar numa melhor, por parte do mercado, de seus ativos.

Conclusão

Ficou claro perceber que, para um investidor com foco numa associação saudável de longo prazo, a atenção à governança corporativa das empresas é uma atitude bastante importante, que pode influenciar bastante no processo decisório de uma aplicação e que, por isso, necessita ser levado em consideração de maneira primorosa na avaliação de investimentos.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.