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Você conhece o Fundo Cambial? Sabe como funciona essa aplicação?

By 3 de janeiro de 2018 No Comments
Um fundo cambial aplica pelo menos 80% de seu capital em alguma moeda estrangeira

Para quem possui certa familiaridade com o mercado financeiro e também com os mais diversos tipos de investimentos disponibilizados pelas instituições financeiras, é muito provável que, em algum momento, já tenham se deparado com o termo fundo cambial.

Entretanto, é comum que grande parte das pessoas ainda tenha certa incompreensão a respeito desse meio de aplicação e, por conta disso, uma argumentação em torno do tema em torno de um fundo cambial se faz interessante.

Fundo cambial como funciona?

Um fundo cambial é um tipo de fundo de investimento que aplica, necessariamente, pelo menos 80% de sua carteira em ativos relacionados, diretamente ou sintetizados, via derivativos, à alguma moeda estrangeira.

Normalmente, os gestores desses tipos de fundos trabalham através de operações de Swap, compra de derivativos, ou algum outro ativo do gênero, de modo que que se consiga, de certa forma, “proteger” o capital contra as oscilações do câmbio, que naturalmente ocorrem em qualquer cenário econômico.

Nessa conjuntura, os 20% restantes do montante não aplicados em ativos em moedas estrangeiras são, normalmente, aplicados em títulos e operações de Renda Fixa mais conservadoras, para garantir, assim, uma rentabilidade estável no fundo.

Esse tipo de aplicação é recomendado como um meio de diversificação do portfólio de investimentos de uma carteira de aplicação, que geralmente atende ao perfil de investidores com perfil moderado, ou seja, com uma disposição média de exposição à riscos.

Ainda, esse tipo de fundo é muito indicado, também, para pessoas que preveem despesas no exterior, como um intercâmbio ou uma viagem a lazer com a família, por exemplo, haja vista que este tipo de aplicação tende a preservar o poder de compra em moeda de outras nacionalidades ao longo do tempo.

Dito isso, é possível afirmar, em outras palavras, que se especular em torno de fundos cambiais, de modo a se esperar altos retornos em curtos espaços de tempo não é uma atitude recomendável, e sim utilizá-los como uma forma de proteção no caso de surgir a necessidade de se utilizar grandes montantes em moedas estrangeiras.

Uma ponderação importante acerca desse investimento é que tanto o aporte quanto o resgate do montante principal são feitos em nossa moeda, ou seja, em Reais.

Vantagens de se investir em um fundo cambial

  • Segurança;
  • Dinheiro sendo gerido por um gestor qualificado, o que tende a se traduzir em operações mais rentáveis ao longo do tempo;

É importante salientar, contudo, que com tudo na vida, existe também a contraparte de se investir neste tipo de fundo, e a principal delas se faz presente no fato de existirem as famosas taxas de administração, tradicionalmente cobradas pelos fundos, que tendem a impactar a rentabilidade da aplicação.

Outro ponto de que merece um destaque de atenção diz respeito ao Imposto de Renda (IR), que normalmente é cobrado de maneira regressiva sempre em torno da rentabilidade, da seguinte maneira:

  • 22,5% da rentabilidade em até 6 meses de aplicação;
  • 20% da rentabilidade entre 6 meses e um ano de aplicação;
  • 17,5% da rentabilidade entre um e dois anos de aplicação;
  • 15% da rentabilidade depois de dois anos de aplicação;

Conclusão

Na conjuntura da aplicação financeira acima descrita, é válido ressaltar que os fundos cambiais mais tradicionais observados no mercado são aqueles atrelados ao Dólar ou ao Euro.

Ainda, para quantidades pequenas de dinheiro, como normalmente acontece com o investidor pessoa física comum, o mais vantajoso é, sem dúvidas, se realizar a compra dessas moedas em espécie, haja visto a comodidade e a maior facilidade das transações dessa natureza.

Ademais, ressaltamos que, dentre as modalidades de investimentos existentes, enxergamos as aplicações em ações e em fundos imobiliários muito mais viáveis do que o modelo de aplicação por meio de um fundo cambial.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.