Por: Tiago Reis

Encontro com RI: AES Tietê

Para se tornar um bom investidor, é fundamental que você conheça profundamente seus investimentos. Quanto mais informações você possuir sobre os ativos em seu portfólio, melhor será seu desempenho. Compreender o modelo de negócios, a estrutura de capital, a alavancagem e as dívidas reduz significativamente os riscos do investimento.

Informações complementares àquelas encontradas nos demonstrativos financeiros da companhia podem auxiliar o investidor na tomada de decisão. A compreensão acerca dos riscos e tendências inerentes ao modelo de negócios e segmento de atuação são fundamentais para o sucesso do investimento.

Muitas vezes, conversar com pessoas que possuem mais informações sobre a empresa (colaboradores) pode facilitar a compreensão de tais riscos e tendências.

Todas as empresas de capital aberto possuem uma equipe de Relações com Investidores, responsável por fazer a intermediação de informações entre a empresa e o mercado.

Na tentativa de aproximar nossos assinantes das empresas em que investem (ou desejam conhecer melhor), decidimos realizar encontros periódicos em que convidamos alguns assinantes a participar de uma apresentação onde a equipe de Relações com Investidores de uma empresa relata o modelo de negócios e responde dúvidas pertinentes.

Aprenda como analisar uma ação

Na última sexta-feira (28), recebemos a equipe de RI da AES Tietê, empresa que atua no setor de energia, mais especificamente no segmento de geração.

Apresentarei a seguir, os pontos mais relevantes da apresentação, mostrando como conversar com funcionários da empresa pode ser esclarecedor quanto aos riscos do investimento.

O setor de energia é composto por diversos segmentos, entre eles a geração, distribuição e comercialização. Cada segmento envolve inúmeros subsegmentos, cada qual com seus riscos inerentes ao modelo de negócios.

A AES Tietê atua no segmento de geração de energia, através de três fontes distintas. Compondo parcela significativa do portfólio de ativos da companhia, está a geração hídrica (79%).

Esta parcela da operação está sujeita a um risco de sazonalidade. A geração de energia a partir da pressão de água depende das chuvas, e este fenômeno se concentra em uma determinada época do ano. Além disso, as mudanças climáticas podem afetar significativamente o ciclo das chuvas de modo a ampliar a imprevisibilidade da geração de energia.

De modo a reduzir os riscos, a companhia adota uma estratégia defensiva de não vender por contrato toda a capacidade produtiva. Caso o fizesse e vivenciasse um período de produção de energia reduzida devido à escassez de chuva, a companhia teria de comprar energia no mercado para honrar com os contratos, o que traria um custo elevado para a empresa.

Outra medida que a empresa toma para mitigar os riscos da sazonalidade e imprevisibilidade das chuvas é a diversificação do portfólio com outros ativos geradores de energia.

A empresa possui 12% do portfólio em geradores eólicos e 9% do portfólio em geração solar. O principal ativo eólico é o parque Alto Sertão II, que foi adquirido em 2017, como forma de diversificar o portfólio e executar sua estratégia de expansão baseada em M&A (fusões e aquisições).

Além da geração eólica, a empresa acredita que a energia solar seja fundamental para a expansão em São Paulo. Com a conclusão das obras do complexo solar Guaimbê, em 2018, e as obras do complexo solar Ouroeste previstas para serem concluídas em meados de 2019, a companhia busca um EBITDA estimado de R$160 milhões por ano proveniente destes complexos.

Aprenda a Investir em Dividendos

Em complemento ao pilar de crescimento e diversificação, a gestão defende a excelência operacional e comercial como peças-chave para o sucesso de longo prazo.

Para atingir tal excelência, a companhia possui um centro de operação em Bauru, o que permite ganhos de sinergias operacionais com novas aquisições, reduzindo o custo marginal de expansão.

Recentemente, a empresa reestruturou parte de sua dívida, alongando o prazo de pagamento de 3,9 anos para 6 anos. Em adição, os custos foram reduzidos de 6,8% ao ano para 6,2%.

Com essas e outras medidas, a equipe de Relações com Investidores da AES Tietê mostrou para nossos assinantes que a companhia possui um modelo de negócio sólido e preparado para absorver as mudanças relacionadas às tendências futuras do setor.

Ademais, foi possível compreender, de maneira profunda, os riscos associados ao modelo de negócios da companhia, bem como as ações que a gestão adota para mitigar tais riscos.

Caso você tenha interesse em participar de eventos futuros, fique atento à sua caixa de entrada, pois enviaremos um e-mail para que você manifeste interesse.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

1 comentário

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  • Leonardo Bruno 1 de julho de 2019

    Parabéns a todos da equipe da Suno, por compartilhar um conteúdo enriquecedor como este. Sucesso!

    Responder
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