Por: Tiago Reis

E se o Ibovespa passar dos 100 mil?

Mercados em alta podem ser mais perigosos do que aparentam.

Quando o índice da bolsa brasileira começa a romper máximas semana após semana, novos investidores ficam tentados a aplicarem grande parte dos seus recursos de maneira rápida no mercado.

Vários destes investidores se tornam clientes da Suno. E quando abrem as nossas carteiras recomendadas, constatam que várias ações e FIIs já passaram do preço teto.

Logo, se sentem frustrados por não poderem adquirir novas ações e FIIs.

Por isso, achamos por bem retomarmos o tema da margem de segurança.

Acreditamos que sim, preço importa, e importa muito.

Desta forma, não estamos dispostos a comprar um determinado ativo independentemente do seu preço.

Em mercados que sobem rápido, os investidores podem se tornar mais lenientes nas suas decisões de investimento, e com medo de ficarem de fora da “festa”, acabam fazendo maus negócios.

Por isso, elencamos abaixo algumas atitudes necessárias para proteger a rentabilidade de longo prazo dos investidores. 

Seletividade extra

Em mercados aquecidos, as oportunidades se tornam cada vez mais raras.

Ativos que antes negociavam com grande desconto podem passar a ser precificados de maneira mais justa, ou mesmo se tornarem caros. Temos exemplos nas nossas carteiras desta situação.

Alguém poderia argumentar que esta valorização é consequência de melhores perspectivas para o negócio. Portanto, o preço justo também deveria ser revisado para cima.

Entendemos este argumento, mas devemos lembrar que já consideramos as expectativas de resultados futuros dentro das nossas estimativas de valor intrínseco.

Portanto, quando o preço sobe e o valor não acompanha, o ativo se torna relativamente mais caro.

Cuidado com IPOs

De acordo com os principais bancos de investimentos do país, 2019 deve ser um ano repleto de novas empresas entrando na bolsa.

Muito cuidado com IPOs. Geralmente, são precificados de maneira agressiva.

Quando falamos de emissões secundárias, precisamos entender as motivações da venda de ações.

Pode ser uma necessidade urgente de liquidez do controlador, ou apenas um movimento especulativo.

Isto é, vender caro e recomprar tudo na baixa.

Conhecemos vários casos assim.

Mesmo quando a oferta é primária, os conflitos de interesse não deixam de existir.

É o caso dos bancos de investimentos e distribuidores, que ganham comissão de acordo com o volume arrecadado.

Aqui na Suno já acompanhamos diversas ofertas de ações. A maioria nos pareceu caro.

E os resultados corroboram esta tese. Praticamente todos estes lançamentos que recomendamos ficar de fora hoje negociam abaixo do preço do IPO.

Estaremos a todo vapor em 2019 para acompanhar as novas emissões.

Paciência

Do ponto de vista de quem deseja investir, mercados em alta são um inimigo.

Como diz o Barsi, em mercado de alta “o meu dinheiro está em crise”.

Desta forma, é necessária uma dose extra de paciência.

Como atenuante, quem comprou na baixa pode ver o seu patrimônio e dividendos valorizar, o que ajuda a manter a serenidade e esperar momentos melhores para investir novamente.

Dinheiro em caixa

Importante lembrar que a bolsa não é homogênea.

Mercado em alta significa que as ações que compõem o Ibov, em média, estão subindo.

Mas nada impede que uma (ou várias) ações do índice estejam caindo. E, dependendo do ativo, pode ser uma oportunidade.

Além disso, fora do Ibovespa existe um universo muito mais amplo de ações, como as Small Caps e Micro Caps, que podem estar se movendo em direção contrária ao resto da bolsa.

É importante lembrar que papéis com menor liquidez, em média, são comprados depois dos nomes mais óbvios do mercado.

Assim, estes ativos fora do radar ainda “dão sopa” para quem estiver disposto a fazer um garimpo mais profundo na bolsa.

Atenção a bolhas e valuations extremos

Geralmente, mais compramos do que vendemos no longo prazo.

Via de regra, é preciso ser muito mais seletivo na hora de vender do que na hora de comprar.

Quando compramos, fazemos um estudo grande. Já na hora de vender, precisamos ter argumentos suficientes para desbancar a nossa tese.

Mesmo assim, em alguns momentos vale a pena se aproveitar da irracionalidade do mercado para vender ações.

Assim como o Value Investing ajuda a comprar, também ajuda a vender.

Aqui no Brasil é mais raro termos bolhas generalizadas, como foi o caso dos EUA com a bolha de internet dos anos 2000.

Mas nada impede que uma ou outra ação seja negociada por múltiplos absurdos, fora de proporção.

Não importa quão boa seja uma empresa, nada justifica um preço infinito. Existe preço pra comprar e vender.

Estamos sempre de olho.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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