O índice dívida líquida/patrimônio líquido é uma das principais formas de medir o endividamento das empresas de maneira geral.

Podemos dizer que a métrica dívida líquida/ patrimônio líquido é calculada pela divisão do passivo líquido de uma empresa por seu patrimônio líquido.

Esse índice indica quanto de dívida uma empresa está usando para financiar os seus ativos em relação ao patrimônio dos acionistas. O resultado do calculo pode ser expresso tanto como em números como em porcentagem.

 Analisando a utilidade da métrica dívida líquida/patrimônio líquido

É quase um consenso dizermos que as empresas que aceitam trabalhar com uma elevada relação de endividamento sobre o patrimônio possuem uma estratégia agressiva de financiar o seu próprio crescimento.

Geralmente, práticas de alavancagem agressivas são frequentemente associadas a altos níveis de risco. Fato que pode gerar ganhos voláteis, dado a incerteza quanto ao resultado do pagamento de juros.

No entanto devemos salientar que quando estamos avaliando empresas que possuem uma elevada rentabilidade, é conveniente que não devamos analisar o seu endividamento em relação ao patrimônio líquido, mas sim em relação ao seu EBITDA.

Devemos entender que quando uma empresa decide financiar as suas operações com capital de terceiros, (ou seja, endividamento) ela acredita que, no futuro, poderá gerar mais lucros dos quais serão suficientes para pagar os juros dessa dívida.

Caso os ganhos nos lucros forem num montante superior ao custo dessa dívida, então os acionistas se beneficiariam dessa geração de valor adicional.

Porém, se o custo do financiamento da dívida acabar superando os retornos amealhados pela empresa, então a companhia estará destruindo valor para os seus acionistas com essa operação.

Caso a dívida de forma repentina apresente custos elevadíssimos para a empresa (como aconteceu no Brasil, na recente alta de juros) ela pode simplesmente levar o negócio a falência ou a um processo de recuperação judicial.

Limitações da métrica dívida líquida/patrimônio líquido

Para utilizarmos de maneira mais assertiva essa métrica, é indicado sempre usarmos em empresas lotadas em um mesmo setor de atuação.

Isso acontece porque como diferentes negócios demandam diferentes estruturas de capital para tocar as suas operações, então um índice de endividamento como esse pode ser alto para uma empresa e ser baixo para outra.

Por exemplo, é muito comum que empresas intensivas em capital, como as siderúrgicas tendam a apresentar métricas de endividamento mais elevadas.

Outro ponto importante que devemos ressaltar é que essa é apenas mais uma métrica fundamentalista que auxilia o investidor em suas análises e não deve, sobre hipótese nenhuma, ser substituta de uma verificação completa sobre o negócio da empresa.

Companhias, principalmente as de grande porte, apresentam uma complexidade acima da média e devem ser analisadas com muito cuidado antes da tomada de decisão em um investimento.

É por isso que o nosso trabalho dentro da Suno Research é acompanhar de perto o andamento das companhias de capital aberto, de modo a estarmos sempre preparados para indicarmos as melhores oportunidades disponíveis no mercado de capitais brasileiro.

Por fim, gostaríamos de dizer que a análise da métrica do endividamento líquido/ patrimônio líquido é fundamental para compreendermos a estrutura de capital e risco de uma empresa, porém esse não deve ser o único indicador a ser analisado, mas acreditamos que já é um bom começo para uma análise fundamentalista.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.