dedo duro
Por: Tiago Reis

Dedo duro: entenda como funciona a retenção desse imposto sobre ações

Tão importante quanto investir no mercado financeiro é saber como é feita a tributação sobre as operações com ações. Nesse contexto, uma das cobranças mais conhecidas é a chamada “taxa dedo duro”

É justamente pelo dedo duro que a Receita Federal consegue estimar e identificar dados referentes ao Imposto de Renda destas transações.

O que é o Dedo Duro?

O dedo duro nada mais é do que o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) pelas corretoras de valores sobre os ganhos com uma operação com ações. Ele é chamado assim por seu caráter de denúncia, já que o mesmo mostra à Receita Federal, de forma indireta, quais foram as movimentações daquele investidor no mês.

O intuito deste mecanismo é evitar a sonegação do imposto sobre ações destes investidores.

Guia do Imposto de Renda para Investidores

Como funciona o dedo duro?

No caso da tributação de day trade, o percentual retido pela corretora é 1% sobre o lucro obtido neste tipo de operação.

Este percentual cai para 0,005% sobre as vendas comuns de ações. Ou seja, para os investidores ocasionais que realizam seus ganhos em operações com um prazo maior que um dia, a cobrança é bem menor.

Porém, este é apenas uma “amostra”, digamos assim, do imposto devido. Esta é a origem da alcunha de imposto de renda dedo duro.

Por que o dedo duro existe?

O Imposto de Renda Retido na Fonte incide no rendimento da maioria dos brasileiros. Porém, na tributação sobre ações, esse instrumento tem uma função que vai além da cobrança do impostos.

A cobrança dedo duro existe para indicar à Receita Federal que o investidor realizou uma operação com lucros, e por isso, precisa fazer a respectiva declaração dos mesmos para o Receita Federal.

Ou seja, a lógica do dedo duro é que, se houve aquele recolhimento, é porque há mais impostos a serem pagos.

Isso porque o total do imposto de renda cobrado sobre o lucro de operações de day trade é de 20% para a compra e venda de ações.

Lembrando que o day trade não goza do benefício de isenção do imposto sobre operações com valor abaixo de R$ 20 mil, como os demais investimentos.

Logo, é importante manter e consultar os extratos de IR das corretoras de valores, a fim de calcular corretamente o imposto devido.

Dedo duro e o IRPF no day trade

O tributo sobre transações, para quem atua como day trader, é mais alto do que para outras transações.

O motivo disto é o entendimento da Receita de que quem atua neste segmento tem maior potencial de “ganho fácil”.

Este imposto deve ser pago mensalmente pelo investidor, por meio de um Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf).

Este documento deverá ser utilizado como auxílio na Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRF) para uma operação de day trade. Especialmente para demonstrar que os pagamentos obrigatórios foram feitos.

Logo, uma dica é guardá-los por pelo menos cinco anos, se possível. Ainda que em uma versão digital.

Esta medida visa prevenir problemas com uma eventual malha fina. Afinal, as dívidas tributárias, bem como os créditos, expiram em cinco anos.

Aprenda como analisar uma ação

É importante salientar que o imposto é cobrado apenas sobre o lucro das operações, não sobre o montante envolvido. Até porque não faria sentido se fosse diferente.

Para auxiliar na compreensão deste tema, a Suno Research oferece um curso sobre Imposto de Renda na Bolsa.

Assim será mais fácil lembrar sobre como pagar o IRPF sem precisar ser delatado pelo dedo duro.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

9 comentários

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  • Leandro Fernandez 7 de julho de 2019

    Caso eu compre e venda ações abaixo do valor de R$ 20 mil, é necessário declarar imposto de renda?

    Responder
    • Suno Research 25 de julho de 2019

      Sim, você é isento de pagar, mas deve sempre declarar
      abraços

      Responder
  • Paulo Matos 11 de julho de 2019

    Faço minhas vendas de ações sempre abaixo do limite de 20 mil reais, no total, por mês, sempre com lucro. Esse dedo duro sempre aparece, centavos, não implicando em que tenha que recolher mais IR pois o limite não foi atingido.

    Responder
  • Rodrigo Esposito 26 de julho de 2019

    Qual a alíquota do “dedo duro” em FII?

    Responder
    • Suno Research 26 de julho de 2019

      É a mesma que das ações, abraços

      Responder
  • Fernando 10 de outubro de 2019

    Fiz uma venda nos meus direitos de subscrição no FII XPML13. Eram poucas cotas que ocasionaram um montante de menos de 200 reais. Preciso sobre esse valor gerar uma DARF e pagar os 20% de imposto de renda? Grato!

    Responder
    • Suno Research 14 de outubro de 2019

      Precisa sim! Abraço.

      Responder
  • Nicolas Cardoso 14 de novembro de 2019

    Nos casos de vendas abaixo de R$20 mil/mês, posso abater os centavos do dedo duro no imposto de renda anual da mesma forma que as taxas de corretagem, emolumentos da bolsa e etc?

    Também percebi que algumas corretoras cobram ISS, esse imposto pode ser abatido também?

    Responder
  • Orlando MZ 5 de dezembro de 2019

    lendo direito e vendo as respostas e não respostas, ficou faltando elementos pra a plena compreensão do tal dedo duro; Poderia ser mais objetivo e completo, sem a costumeira encheção de linguiça, com todo respeito. Então, no caso de marcação do dedo duro, quando em operações feitas swing trade, com vendas abaixo do valor de R$ 20.000,00, o que deveria ser feito? Apenas a declaração de ajuste anual?

    Responder
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