commercial paper

Por mais que esta não seja a opção mais comum quando pensamos em investimentos, o commercial paper ainda é frequentemente visto no mercado financeiro global.

Por isso, mesmo quem não pretende investir por meio de um commercial paper, comumente ofertado no mercado secundário, precisa conhecer seu funcionamento geral.

Um commercial paper, também conhecido como nota promissória, é um título emitido por empresas que precisam captar recursos rapidamente e que desejam fugir dos altos juros que teriam de pagar com empréstimos bancários.

Esses financiamentos geralmente são utilizados para despesas pontuais, como gastos com a folha de pagamento ou com fornecedores. Estes valores seriam retirados do capital de giro do empreendimento se houvessem recursos suficientes para tanto.

O commercial paper é um financiamento de curta duração, uma vez que seu prazo máximo de emissão é de 180 dias para empresas de capital fechado e 360 dias para empresas de capital aberto.

Vale lembrar que o commercial paper, assim como as ações, é um valor mobiliário e, por isso, precisa de registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Compra de commercial paper

commercial paper

Estes títulos podem ser adquiridos no mercado secundário ou através de fundos de investimentos.

A esta altura, você já deve estar pensando “mas por que alguém compraria um commercial paper?”. A resposta é simples: por lucro.

Se não houvesse possibilidade de o investidor receber o dinheiro aplicado de volta com mais algum rendimento sobre ele, o commercial paper não teria apelo nenhum e, portanto, não funcionaria.

Então, para que esta aquisição de recursos seja possível, a empresa oferta o título ao investidor que o comprará com uma taxa de desconto previamente acordada, para posteriormente readquiri-la no valor original.

Ou seja, recebendo tanto o valor investido quanto o seu rendimento.

Ao decidir comprar um commercial paper, o investidor precisa ter uma coisa em mente: estes papéis não possuem garantia real de retorno, o que faz com que adquirir um título deste de empresas desconhecidas ou com reputação duvidosa não seja um bom negócio.

Emitindo um commercial paper

commercial paper

Atenção a um detalhe: só podem emitir um commercial paper as companhias saudáveis economicamente, aquelas cujo índice de endividamento não ultrapassa 1,2.

Este cálculo é feito com a soma do passivo circulante ao exigível a longo prazo dividido pelo patrimônio líquido do empreendimento.

Há ainda uma série de empresas que, por mais que queiram, não poderão resolver seus problemas financeiros por meio de commercial papers.

Isso porque esta opção é barrada às:

  • Instituições financeiras;
  • Sociedades corretoras;
  • Sociedades distribuidoras de valores mobiliários; e
  • Empresas de leasing.

Pensando no negócio, é preciso considerar que por mais que a tarifa seja inferior a de um empréstimo convencional, a emissão de commercial papers tem um custo para a empresa.

Isso porque, além de ter de pagar o rendimento prometido ao investidor, há ainda a taxa de emissão junto à CVM, que é de 0,4% do valor do título e o gasto com publicações, se for o caso.

Assim, é preciso que tanto as empresas quanto os investidores analisem a viabilidade da emissão e compra de um commercial paper, para que o que deveria ser um respiro nas contas não se torne alta de ar.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.