É de conhecimento de qualquer pessoa que queira investir os seus recursos que o risco é uma característica presente em qualquer tipo de aplicação financeira e, justamente no intuito de se diminuir as possibilidades de fracasso em uma operação que envolve capital é que o COE foi desenvolvido.

Assim sendo, o COE pode ser uma alternativa viável para as pessoas que têm muita aversão a riscos, mas que desejam expandir as suas posses no mercado financeiro

Características

O COE – Certificado de Operações Estruturadas –, também conhecido como Notas Estruturadas, é uma alternativa de investimento relativamente nova no Brasil, visto que em mercados mais maduros, como Estados Unidos e Europa, esses modelos são consumidos a bastante tempo por investidores.

O grande diferencial deste produto financeiro se faz na sua possibilidade de investimento em renda fixa e variável simultaneamente, visto que estes ativos são atrelados a indexadores que podem variar de acordo com o perfil e interesse do investidor, tais como: índices, moedas, ações brasileiras e internacionais, commodities e muitas outras.

Assim sendo, como o COE possui uma data específica de aplicação e resgate, ele apresenta um retorno que pode ser positivo ou, no pior cenário, o investidor resgata o montante que foi aplicado, sem perda alguma.

Dessa forma, como pode-se perceber, os COE’s são títulos de investimento bastante versáteis, e que possuem uma característica bastante interessante que se baseia no fato de o investidor ter o seu valor investido teoricamente protegido pela instituição financeira emissora, apesar deste produto não ser garantido pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito).

Entretanto, é preciso destacar que essa garantia não diminui a importância de se confiar o capital a instituições financeiras de renome e credibilidade no mercado.

Princípio de operação

O mecanismo que permite ao investidor se garantir ao investir em COE é baseado no fato de a instituição financeira geradora deste ativo utilizar uma porcentagem do capital investido para ser aplicado em renda fixa no tempo pré-determinado de resgate do investimento, utilizando o restante do principal para aplicação nos interesses do cliente.

Assim sendo, o percentual do valor aplicado na renda fixa pela instituição tem por objetivo a reestruturação do capital inicial provido pelo investidor, ao passo que o restante do montante visa a ampliação deste patrimônio de acordo com o perfil de risco do cliente da entidade em questão.

Para exemplificar

Suponha-se que um investidor decida aplicar R$ 10.000,00 em um COE baseado na variação do dólar com prazo de vencimento de um ano.

Assim sendo, a corporação responsável pelo ativo usa parte desse valor – por exemplo R$9.000,00 – para aplicação em títulos para que resultem em R$1.000,00 de rentabilidade no final do período, garantindo assim o capital que foi investido inicialmente de R$10.000,00, mesmo num cenário onde o dólar tenha perdido valor.

Já os R$1.000,00 iniciais separados, esses sim são aplicados nos indexadores que o investidor julgou serem interessantes de acordo com sua pré-disposição ao risco (neste caso, o dólar) por acreditar em sua rentabilidade no final do período pré-determinado e acordado entre as partes.

É claro que este é um exemplo fictício e bem didático para a compreensão da engenharia financeira por trás do produto, e vale lembrar que cada COE possui a sua especificidade e particularidade, que pode e deve ser bem detalhada antes da emissão e compra por parte do investidor junto à instituição financeira.

Tributação

Para este tipo de investimento, a tributação é a mesma aplicada em investimentos de renda fixa, ou seja, a tabela regressiva.

Para investimentos com um prazo de até seis meses, o Imposto de Renda é de 22,5% dos ganhos, mas vai caindo até um mínimo de 15% em investimentos com prazo superior a dois anos.

Esse fato pode ser considerado uma vantagem tributária visto que o COE é geralmente estruturado pelas instituições financeiras de um lado com um derivativo do ativo financeiro a que ele está atrelado – uma opção de dólar, por exemplo – e no outro lado há algum investimento de renda fixa.

Conclusão

Percebe-se que, no universo dos investimentos, diversas são as alternativas disponíveis para os mais variados perfis de aversão ao risco que, como se sabe, tendem a se caracterizar por serem bastantes característicos e individuais para cada investidor.

Assim sendo, o COE é uma alternativa que supre as necessidades daqueles que apresentam uma aversão mais acentuada de exposição à riscos e volatilidades presentes no mercado de renda variável como um todo, exercendo um caráter de equilíbrio interessante para quem pretende investir sem assumir um grau considerável de incertezas.

Comentários
Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

©2017 SUNO RESEARCH | Investimentos inteligentes

[i]
[i]

Fazer login com suas credenciais

ou    

Esqueceu sua senha?

Create Account