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COE: veja como ele supre a busca de diminuição de riscos do investidor

By 23 de outubro de 2017 No Comments

É de conhecimento de qualquer pessoa que queira investir os seus recursos que o risco é uma característica presente em qualquer tipo de aplicação financeira e, justamente no intuito de se diminuir as possibilidades de fracasso em uma operação que envolve capital é que o COE foi desenvolvido.

Assim sendo, o COE pode ser uma alternativa viável para as pessoas que têm muita aversão a riscos, mas que desejam expandir as suas posses no mercado financeiro

Características

O COE – Certificado de Operações Estruturadas –, também conhecido como Notas Estruturadas, é uma alternativa de investimento relativamente nova no Brasil, visto que em mercados mais maduros, como Estados Unidos e Europa, esses modelos são consumidos a bastante tempo por investidores.

O grande diferencial deste produto financeiro se faz na sua possibilidade de investimento em renda fixa e variável simultaneamente, visto que estes ativos são atrelados a indexadores que podem variar de acordo com o perfil e interesse do investidor, tais como: índices, moedas, ações brasileiras e internacionais, commodities e muitas outras.

Assim sendo, como o COE possui uma data específica de aplicação e resgate, ele apresenta um retorno que pode ser positivo ou, no pior cenário, o investidor resgata o montante que foi aplicado, sem perda alguma.

Dessa forma, como pode-se perceber, os COE’s são títulos de investimento bastante versáteis, e que possuem uma característica bastante interessante que se baseia no fato de o investidor ter o seu valor investido teoricamente protegido pela instituição financeira emissora, apesar deste produto não ser garantido pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito).

Entretanto, é preciso destacar que essa garantia não diminui a importância de se confiar o capital a instituições financeiras de renome e credibilidade no mercado.

Princípio de operação

O mecanismo que permite ao investidor se garantir ao investir em COE é baseado no fato de a instituição financeira geradora deste ativo utilizar uma porcentagem do capital investido para ser aplicado em renda fixa no tempo pré-determinado de resgate do investimento, utilizando o restante do principal para aplicação nos interesses do cliente.

Assim sendo, o percentual do valor aplicado na renda fixa pela instituição tem por objetivo a reestruturação do capital inicial provido pelo investidor, ao passo que o restante do montante visa a ampliação deste patrimônio de acordo com o perfil de risco do cliente da entidade em questão.

Para exemplificar

Suponha-se que um investidor decida aplicar R$ 10.000,00 em um COE baseado na variação do dólar com prazo de vencimento de um ano.

Assim sendo, a corporação responsável pelo ativo usa parte desse valor – por exemplo R$9.000,00 – para aplicação em títulos para que resultem em R$1.000,00 de rentabilidade no final do período, garantindo assim o capital que foi investido inicialmente de R$10.000,00, mesmo num cenário onde o dólar tenha perdido valor.

Já os R$1.000,00 iniciais separados, esses sim são aplicados nos indexadores que o investidor julgou serem interessantes de acordo com sua pré-disposição ao risco (neste caso, o dólar) por acreditar em sua rentabilidade no final do período pré-determinado e acordado entre as partes.

É claro que este é um exemplo fictício e bem didático para a compreensão da engenharia financeira por trás do produto, e vale lembrar que cada COE possui a sua especificidade e particularidade, que pode e deve ser bem detalhada antes da emissão e compra por parte do investidor junto à instituição financeira.

Tributação

Para este tipo de investimento, a tributação é a mesma aplicada em investimentos de renda fixa, ou seja, a tabela regressiva.

Para investimentos com um prazo de até seis meses, o Imposto de Renda é de 22,5% dos ganhos, mas vai caindo até um mínimo de 15% em investimentos com prazo superior a dois anos.

Esse fato pode ser considerado uma vantagem tributária visto que o COE é geralmente estruturado pelas instituições financeiras de um lado com um derivativo do ativo financeiro a que ele está atrelado – uma opção de dólar, por exemplo – e no outro lado há algum investimento de renda fixa.

Conclusão

Percebe-se que, no universo dos investimentos, diversas são as alternativas disponíveis para os mais variados perfis de aversão ao risco que, como se sabe, tendem a se caracterizar por serem bastantes característicos e individuais para cada investidor.

Assim sendo, o COE é uma alternativa que supre as necessidades daqueles que apresentam uma aversão mais acentuada de exposição à riscos e volatilidades presentes no mercado de renda variável como um todo, exercendo um caráter de equilíbrio interessante para quem pretende investir sem assumir um grau considerável de incertezas.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.