capital de terceiros

Nem sempre as empresas trabalham somente com o capital próprio, você sabia? É comum a prática de utilizar também o capital de terceiros para financiamento das operações.

De fato, ao analisar o balanço patrimonial, encontramos várias empresas utilizam mais capital de terceiros do que capital próprio na sua estrutura de capital.

Então, esse capital que vem de terceiros é simplesmente as dívidas que a sociedade contrai junto às instituições financeiras e ao mercado de capitais. As empresas levantam esses recursos pois esperam gerar uma rentabilidade maior do que os juros a serem pagos.

Basicamente, os três tipos mais comuns de dívidas são:

  • Empréstimos
  • Financiamentos
  • Debêntures

Os empréstimos e financiamentos são dívidas tomadas principalmente junto aos grandes bancos brasileiros e ao BNDES.

Enquanto os empréstimos são utilizados pela companhia para qualquer finalidade, os financiamentos possuem um destino específico.

Geralmente, esse destino costuma ser a compra de algum imobilizado ou de uma participação societária.

Por outro lado, as debêntures são originadas junto ao público investidor do mercado de capitais.

Ou seja, ao investir em debêntures, você está emprestando dinheiro para as sociedades de capital aberto da bolsa de valores.

Além disso, muitas companhias nacionais emitem debêntures em outros países, em outras moedas. Nesse caso elas são chamadas de bonds. Existem três tipos:

  • Eurobonds
  • Foreign Bonds
  • Global Bonds

Juros, Moeda e Vencimento

Sempre que a empresa toma dinheiro emprestado, ela precisará pagar juros aos seus credores. Assim, existem três formas de calcular esses juros:

  1. Pré-fixado. Exemplos: 5% ao ano, 0,76% ao mês.
  2. Pós-Fixado. Exemplos: 105% CDI, 100% Selic.
  3. Mistos. Exemplos: IPCA + 5% , IGP-M +3,6%, TJLP + 2%

Mas além dos juros, outra característica das dívidas é a moeda em que ela denominada. Pode ser Real, Euro, Dólar, etc..

E dependendo do cenário cambial e de taxas de juros, a companhia pode utilizar derivativos para substituir suas dívidas por outras. Um instrumento muito utilizado para esse fim são os Swaps.

Por exemplo, se a empresa espera que o Dólar irá desvalorizar frente ao Real, ela pode trocar sua dívida em Real por uma dívida em Dólar.

Ou então, caso acredite que a Selic irá cair, ela pode trocar um empréstimo pré-fixado para um pós-fixado.

Por fim, as dívidas possuem variados vencimentos, então a companhia precisa administrar de perto o fluxo de pagamentos aos seus credores e pode inclusive, ter que “rolar” a dívida para frente.

 

Avaliando os Recursos de terceiros da Cemig

capital de terceiros – CEMIG

Acima mostramos os recursos de terceiros da Cemig. Veja que mais de 75% da dívida vem de Debêntures, enquanto o restante veio basicamente de empréstimos e financiamentos junto ao Banco do Brasil e à Caixa Federal.

Além disso, note que a maior parte desse capital é remunerado por uma taxa pós-fixada ao CDI.

E por fim,veja como existem ainda empréstimos denominados em EURO e USD, representados pelo banco alemão KFW e pelas Eurobonds, respectivamente.

 

Conclusão sobre o Capital de Terceiros

recursos de terceirosO capital de terceiros pode ser usado para gerar valor ao acionista desde que a companhia consiga remunerá-lo a uma taxa maior que os juros. Contudo, a empresa deve estar atenta quanto à taxa de juros, moeda, e vencimento dessas dívidas. Dependendo da dose, as dívidas podem melhorar o resultado ou matar uma companhia.

 

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Rodrigo Wainberg

Rodrigo Wainberg

Profissional aprovado no Level III da certificação CFA, investidor em ações há 6 anos, possui registro de Analista e Consultor de Valores Mobiliários, e é Bacharel em Física pela UFRGS.