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    A psicologia nos investimentos

    As voltas e reviravoltas do comportamento humano – vulgo psicologia – não têm vez diante da Hipótese do Mercado Eficiente, de Eugene Fama, nem diante da Teoria Moderna do Portfólio, de Markowitz.

    De acordo com os defensores destas teorias, a eficiência do mercado acontece porque os investidores, diante do benefício da disponibilidade de informações, ajustam os preços instantaneamente e racionalmente.

    Cabe, então, levantar um ponto importante: desde quando o ser humano é racional quando o assunto é dinheiro?

    Poucos aspectos da existência humana são mais guiados por emoções do que a nossa relação com o dinheiro. Me arrisco a dizer que nós, seres humanos, fazemos mais decisões sem lógica em questões financeiras do que em quaisquer outras atividades.

    Tentar desenvolver o entendimento financeiro sem levar em consideração o fator humano é como navegar com uma bússola e sem mapa. Ou seja, você está ignorando metade da fórmula.

    O mercado de ações e o fator humano

    É particularmente importante incluir o fator humano quando estamos falando sobre o mercado de ações. Quanto mais abstrato é o ambiente – e as ações são demasiadamente abstratas para muitas pessoas – mais significativa é a influência dos fatores psicológicos.

    As decisões no mercado de ações são, em grande parte, explicadas apenas por princípios do comportamento humano. Como o mercado é, por definição, o coletivo das decisões feitas por todos os compradores de ações, não é um exagero dizer que o mercado como um todo é guiado por forças psicológicas.

    A Hipótese do Mercado Eficiente foi aceita fortemente durante um longo tempo. Neste período, qualquer discussão a respeito do mercado que englobasse conceitos de psicologia não era bem recebida.

    No entanto, ao final do século passado, o estudo das finanças sob a ótica do comportamento humano ganhou mais força. Este misto de economia e psicologia ficou conhecido como finanças comportamentais.

    Benjamin Graham

    Graham é amplamente conhecido como o pai não apenas do investimento em valor, como também da análise. Foi responsável por ensinar três gerações a navegarem no mercado de ações. Além disso, sua abordagem ajudou milhares de pessoas a realizar boas escolhas no mercado.

    No entanto, frequentemente os ensinamentos de Graham sobre a psicologia aplicada ao mercado são negligenciados. Em seus livros, Security Analysis e The Intelligent Investor, Graham dedicou um espaço considerável para explicar as emoções humanas e sua relação com as flutuações no mercado.

    Graham explica que o pior inimigo de um investidor é ele mesmo, não o mercado. O indivíduo pode ter grandes habilidades em matemática, finanças e contabilidade, mas, se não for capaz de dominar suas emoções, estará em condições desfavoráveis para atuar no mercado.

    Segundo Ben, “o verdadeiro investidor é raramente forçado a vender suas ações e, em todas as outras situações, é livre para ignorar a queda na cotação”.

    Para endereçar este ponto, Graham criou seu famoso personagem: o Senhor Mercado. Trata-se de uma brilhante lição de “como” e “por que” os preços das ações frequentemente não são oriundos de racionalidade. É um personagem que todo investidor deve conhecer intimamente, para reconhecer suas aparições no cotidiano dos investimentos.

    Tiago Reis
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