Por: Tiago Reis

A psicologia nos investimentos

As voltas e reviravoltas do comportamento humano – vulgo psicologia – não têm vez diante da Hipótese do Mercado Eficiente, de Eugene Fama, nem diante da Teoria Moderna do Portfólio, de Markowitz.

De acordo com os defensores destas teorias, a eficiência do mercado acontece porque os investidores, diante do benefício da disponibilidade de informações, ajustam os preços instantaneamente e racionalmente.

Cabe, então, levantar um ponto importante: desde quando o ser humano é racional quando o assunto é dinheiro?

Poucos aspectos da existência humana são mais guiados por emoções do que a nossa relação com o dinheiro. Me arrisco a dizer que nós, seres humanos, fazemos mais decisões sem lógica em questões financeiras do que em quaisquer outras atividades.

Tentar desenvolver o entendimento financeiro sem levar em consideração o fator humano é como navegar com uma bússola e sem mapa. Ou seja, você está ignorando metade da fórmula.

O mercado de ações e o fator humano

É particularmente importante incluir o fator humano quando estamos falando sobre o mercado de ações. Quanto mais abstrato é o ambiente – e as ações são demasiadamente abstratas para muitas pessoas – mais significativa é a influência dos fatores psicológicos.

As decisões no mercado de ações são, em grande parte, explicadas apenas por princípios do comportamento humano. Como o mercado é, por definição, o coletivo das decisões feitas por todos os compradores de ações, não é um exagero dizer que o mercado como um todo é guiado por forças psicológicas.

A Hipótese do Mercado Eficiente foi aceita fortemente durante um longo tempo. Neste período, qualquer discussão a respeito do mercado que englobasse conceitos de psicologia não era bem recebida.

No entanto, ao final do século passado, o estudo das finanças sob a ótica do comportamento humano ganhou mais força. Este misto de economia e psicologia ficou conhecido como finanças comportamentais.

Benjamin Graham

Graham é amplamente conhecido como o pai não apenas do investimento em valor, como também da análise. Foi responsável por ensinar três gerações a navegarem no mercado de ações. Além disso, sua abordagem ajudou milhares de pessoas a realizar boas escolhas no mercado.

No entanto, frequentemente os ensinamentos de Graham sobre a psicologia aplicada ao mercado são negligenciados. Em seus livros, Security Analysis e The Intelligent Investor, Graham dedicou um espaço considerável para explicar as emoções humanas e sua relação com as flutuações no mercado.

Graham explica que o pior inimigo de um investidor é ele mesmo, não o mercado. O indivíduo pode ter grandes habilidades em matemática, finanças e contabilidade, mas, se não for capaz de dominar suas emoções, estará em condições desfavoráveis para atuar no mercado.

Segundo Ben, “o verdadeiro investidor é raramente forçado a vender suas ações e, em todas as outras situações, é livre para ignorar a queda na cotação”.

Para endereçar este ponto, Graham criou seu famoso personagem: o Senhor Mercado. Trata-se de uma brilhante lição de “como” e “por que” os preços das ações frequentemente não são oriundos de racionalidade. É um personagem que todo investidor deve conhecer intimamente, para reconhecer suas aparições no cotidiano dos investimentos.

Aprenda como analisar uma ação
Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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