Charlie Munger
Por: Tiago Reis

A carreira de investimentos de Charlie Munger

Charlie Munger é considerado não apenas um dos maiores investidores, como também um dos maiores pensadores do mundo dos investimentos. Ainda assim, são poucos detalhes que sabemos a respeito de sua estratégia de investimentos.

Ao contrário de seu sócio, Warren Buffett, que vem escrevendo cartas a seus investidores há várias décadas, Charlie Munger possui raras publicações que dizem respeito a detalhes de suas atividades de investimento.

Apesar disso, reunindo várias fontes, é possível ter alguns insights sobre sua carreira, que podemos dividir em três etapas.

Início de carreira

Ao contrário de Buffett, que investia desde cedo, Munger se concentrou primeiro em atuar na área do direito. É interessante observar que, antes mesmo dessa etapa, ele chegou a servir a U.S. Army Air Corps, alcançando o posto de segundo tenente. Por fim, passado seu tempo no mundo do direito, ele migrou para os investimentos.

Seus primeiros investimentos foram focados em real estate. Buffett, na reunião dos acionistas da Berkshire de 2006, explicou o estilo inicial de Munger.

Segundo o Warren, seu sócio começou pelo ramo de real estate porque esta área exigia quantias pequenas. Além disso, outro ponto de destaque do setor era que um bom cérebro e energia eram capazes de multiplicar pequenas somas de uma maneira que dificilmente seria alcançável no universo das ações de empresas.

Assim, Munger foi capaz de acumular cerca de três a quatro milhões de dólares em poucos anos.

Wheeler, Munger & Company

Após conhecer Buffett, Munger entrou para os negócios de gestão de investimentos. Nessa fase, temos uma ideia melhor de como ele gostava de investir.

De acordo com várias fontes, Munger estava satisfeito em investir grandes somas, suas e de seus investidores, além de, por vezes, pegar dinheiro emprestado para impulsionar os retornos.

Em um trecho da biografia de Warren Buffett (A Bola de Neve), a autora Alice Schroeder conta que Munger fez uma arbitragem com as ações da British Columbia Power, que estavam sendo vendidas a US$ 19 e, posteriormente, seriam compradas pelo governo canadense por cerca de US$ 22.

Nessa operação de arbitragem, Munger não somente colocou todo o seu dinheiro, como o de seus sócios, além de todo dinheiro que ele também conseguiu pegar emprestado. Tudo em apenas uma ação – mas apenas porque as chances de falha eram quase nulas.

O grande problema desta abordagem de Charlie foi que, embora ele estivesse confortável com a volatilidade, os outros donos do dinheiro não se sentiam da mesma maneira. Assim, tal desconforto acabou fazendo com que alguns investidores se afastassem. Diante disso, Charlie se abalou e resolveu liquidar o fundo em meados da década de 1970.

The Daily Journal

O próximo grande estágio da carreira de Munger se deu com seu trabalho no Daily Journal, empresa na qual ele é chairman. Este ponto de sua carreira é notável e é de fácil destaque, pois é mais publicamente conhecido.

Na companhia, Munger esperou anos pela oportunidade certa. Ele colocava todo capital excedente em notas do tesouro americano. Então, quando a oportunidade apareceu, Munger agiu com rapidez e convicção.

Foram US$ 15,5 milhões do Daily Journal investidos no ápice da crise de 2008. Munger comprou ações do Bank of America, do Wells Fargo, U.S. Bancorp e Posco.

Quando perguntaram para ele o motivo pelo qual ele decidiu comprar o Wells Fargo, em particular, ele respondeu: “Nós compramos as ações a US$ 8, e eu não acho que teremos outra oportunidade como esta”.

Lições

A lição principal que podemos extrair a partir do histórico de investimentos de Charlie Munger é de que o lendário investidor sempre buscou fazer apostas desproporcionais e relevantes. Ele age com baixíssima frequência, pois aguarda pacientemente as oportunidades emergirem. Este parece ser seu segredo.

 

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Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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