Por: Tiago Reis

3 ações que se beneficiam da alta do dólar

Manter uma parcela do patrimônio atrelada ao dólar é algo fundamental para muitos investidores, que desejam ter uma parte de seu patrimônio mais protegida, exposta a uma moeda forte e consolidada, como a moeda norte-americana.

Essa costuma ser uma estratégia interessante, visto que, a moeda americana é muito mais forte e consolidada que a nossa, e geralmente, quando o dólar se encontra em valorização, as coisas por aqui não costumam estar indo muito bem, e, portanto, o investimento lastreado em dólar garante ao investidor uma certa proteção contra a volatilidade do mercado interno.

Assim, geralmente quando se percebe uma alta do dólar, como a que pode ser observada nos últimos meses por exemplo, muitos investidores procuram investimentos lastreados em dólar.

Normalmente, é também comum pensarem que a única maneira de se beneficiar da valorização da moeda americana é através de um fundo cambial ou da compra direta de dólar, que pode ser feito através das casas de câmbio.

De fato, um fundo de investimento cambial, que investe em dólar ou em ativos que acompanham diretamente a moeda americana (como índices de dólar, por exemplo), costuma ser um investimento que se valoriza de forma expressiva em momentos que o dólar encarece, entregando ao investidor uma rentabilidade acima da média.

Porém, considerando a tributação desses fundos, e as próprias taxas de administração, que muitas vezes são elevadas, na prática, os resultados podem acabar sendo comprometidos, ficando abaixo do que se esperava.

Portanto,  reconhecer outras oportunidades de investimentos atrelados ao dólar ou que estejam ligados diretamente à moeda americana é interessante na busca de rentabilidades mais atrativas.

Investindo em empresas exportadoras para se expor ao dólar

O que muitos não sabem é que é possível investir em ações e com elas, também se expor às variações cambiais, se beneficiando da valorização da moeda, ou no caso, também sendo afetado negativamente por possíveis variações negativas.

Nos referimos basicamente às ações de empresas exportadoras, que por terem parcelas relevantes de suas receitas provenientes de atividades de exportação, em boa parte para os Estados Unidos, são diretamente beneficiadas com a valorização do dólar.

Na prática, quando a moeda norte-americana se valoriza, essas empresas, por receberem em dólar, passam a observar grandes incrementos em suas receitas, assim como também conseguem obter ganhos de margens e avanço na lucratividade.

Como um reflexo natural desse cenário, esses ativos acabam se valorizando expressivamente em momentos que o dólar se valoriza, e muitas vezes com valorizações até bem superiores a da própria moeda.

Um exemplo interessante é o da Suzano, empresa do segmento de papel e celulose e que tem grande parte de suas receitas provenientes de exportação.

Como podemos ver abaixo, o desempenho das ações da Suzano tem sido muito forte, reflexo da arrancada do dólar e as perspectivas animadoras quanto aos resultados deste ano.

Empresas que se beneficiam da alta do dólar

Com o dólar subindo de forma expressiva, os investidores estimam que a empresa continuará crescendo seu faturamento e seus resultados de forma robusta, o que leva a uma natural apreciação das ações.

Além de garantir uma boa valorização quando a moeda americana se valoriza, investir em empresas exportadoras também é interessante pelo fato delas pagarem dividendos, e no caso, dividendos também fortemente atrelados ao dólar.

Na prática, ao investir em exportadoras, o investidor consegue um desempenho que acaba acompanhando as variações do dólar, e muitas vezes, inclusive, superando o desempenho da própria moeda, e ainda recebe dividendos atrativos, para poder reinvestir ou utilizar como quiser.

3 EXEMPLOS NA PRÁTICA 

Sabemos que muitos buscam oportunidades de investimentos com lastro em dólar, além dos tradicionais fundos cambiais.

Como vimos acima, as ações de exportadoras costumam ser opções inteligentes de investimentos para quem quer expor uma parte de seu patrimônio a moedas fortes.

Pensando nisso, no artigo de hoje,  reunimos 3 empresas exportadoras, que possuem boa parte de suas receitas atreladas ao dólar e que devem continuar se beneficiando da alta da moeda, especialmente neste segundo trimestre.

SUZANO PAPEL E CELULOSE S.A – SUZB3

A Suzano é um exemplo perfeito de empresa que se beneficia da alta do dólar e o desempenho de suas ações, como vimos anteriormente, demonstra claramente o quanto a empresa tem sido afetada positivamente.

A Companhia de papel e celulose, hoje possui aproximadamente 73% de suas receitas provenientes de exportação, e sente diretamente os efeitos da valorização da moeda.

No primeiro trimestre deste ano, por exemplo, o lucro líquido da empresa saltou 80,6% em relação ao 1T17 e atingiu R$ 813 milhões, reflexo do preço líquido médio da celulose em dólar bem mais elevado.

BRASKEM S.A – BRKM5

A Braskem, empresa do segmento petroquímico, e única companhia integrada do segmento no Brasil, sendo líder na produção de resinas termoplásticas, é uma companhia global, que  tem uma parcela importante de suas receitas provenientes de exportação, estando também bastante correlacionada ao dólar.

Assim, por ter uma parcela relevante de suas receitas provenientes do mercado externo, a Braskem também é um papel que costuma apresentar um desempenho acima da média em momentos que o dólar está apreciado.

KLABIN S.A – KLBN11

 Por fim, citamos como um outro bom e legítimo exemplo de empresa exportadora, que possui grande exposição ao mercado externo, a Klabin.

A Klabin é a maior produtora e exportadora de papéis do Brasil, sendo uma empresa líder na produção de papéis e cartões para embalagens, embalagens de papelão ondulado e sacos industriais, além de também comercializar madeira em toras.

A Companhia brasileira, fundada em 1899, que possui 18 unidades industriais, sendo 17 no Brasil, atualmente tem aproximadamente cerca de 50% de seu faturamento oriundo do mercado externo, e se beneficia claramente da subida dos preços do dólar.

Com um dólar já mais elevado no 1T18 frente o 1T17, a empresa já viu efeitos positivos sobre seus resultados neste primeiro trimestre de 2018, e viu sua receita líquida e ebitda avançarem.

Esperamos que a Klabin se beneficie ainda mais do movimento do dólar verificado neste segundo trimestre, o que deve se traduzir em resultados fortes e também num bom desempenho dos papéis da empresa.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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