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XP é acusada de fraude por escritório de advocacia dos EUA

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A XP Inc. (NASDAQ: XP) está sendo acusada de fraude nos Estados Unidos por parte do escritório de advocacia Block & Leviton.

Conforme as acusações, existem discrepâncias significativas entre as auditorias internas da XP e as demonstrações financeiras que a empresa forneceu aos investidores em seu prospecto de abertura de capital. A informação foi divulgada pelo próprio escritório.

A XP Inc, em nota, afirmou que o procedimento é comum nos EUA, onde escritórios visam ingressar com ações coletivas (class action) para tentar buscar acordos financeiros e reiterou os procedimentos contábeis. Também disse que o autor da denúncia tem posição vendida de ações da empresa [Confira a íntegra da nota ao final da reportagem]. 

A XP, uma das maiores corretoras do Brasil, realizou sua oferta pública inicial (IPO) no 13 de dezembro de 2019 no Nasdaq. A operação teve um valor de US$ 2,25 bilhão (cerca de R$ 10 bilhões).

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Menos de três meses depois, no dia 6 de março de 2020, a consultoria de investimentos The Winkler Group publicou um breve relatório levantando sérias dúvidas sobre a precisão dos dados financeiros fornecidos pela XP.

Além das acusações de fortes diferenças entre as auditorias internas e os dados fornecidos aos investidores, o relatório alega que a XP demitiu seu auditor depois que ele descobriu deficiências materiais nos controles internos da empresa.

“Os investidores têm o direito de confiar em documentos de ofertas precisos ao decidir investir em uma nova empresa. Essas alegações são muito preocupantes”, salientou Mark Delaney, o advogado da Block & Leviton responsável pela acusação contra a XP.

O escritório Block & Leviton é especializado em investigações sobre empresas listadas, que são relativamente comuns nos Estados Unidos. Atualmente, pontua em seu site pelo menos outras 16 acusações em andamento, incluindo contra empresas como a Tupperware e a TrueCar.

Relatório questiona XP sobre demonstrações financeiras

O relatório publicado pela consultoria de investimentos The Winkler Group afirma que a XP divulgou informações financeiras inadequadas e discrepâncias entre o prospecto do IPO e das auditorias internas.

Além disso, o documento também questiona o valor dos ativos da XP, que, segundo o relatório, pode estar sendo avaliado em R$ 44 milhões a mais do que o valor real.

Segundo o The Winkler Group, auditorias internas da corretora mostraram uma discrepância de R$ 38 milhões na receita anual relatada, em relação a outra auditoria contratada no ano seguinte.

No caso do fluxo de caixa anual das operações, a discrepância ficaria em torno de R$ 167 milhões. Há também práticas contábeis irregulares que aumentariam o ágio dedutível dos impostos em 200%.

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O relatório também afirma que a XP demitiu o auditor que teria encontrado tais discrepâncias nos valores. O CEO da XP, Guilherme Benchimol, também teria lucrado ao prejudicar os clientes e escondido uma multa de R$ 5,47 milhões antes do IPO, de acordo com o relatório da The Winkler Group.

Prospecto indicava possibilidade de erros

No prospecto divulgado em ocasião do IPO, a XP escreveu que: “We have identified material weaknesses in our internal control over financial reporting and, if we fail to remediate such deficiencies (and any other ones) and to maintain ef ective internal controls over financial reporting, we may be unable to accurately report our results of operations, meet our reporting obligations and/or prevent fraud.

Prior to this offering, we were a private company with limited accounting personnel and other resources to address our internal control over financial
reporting and procedures. Our management has not completed an assessment of the effectiveness of our internal control over financial reporting and our independent registered”

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[“Identificamos deficiências materiais em nosso controle interno sobre os relatórios financeiros e, se falhamos na correção dessas deficiências (e quaisquer outras) e na garantia de controles internos eficazes sobre os relatórios financeiros, talvez não possamos relatar com precisão nossos resultados operacionais, respeitar nossas obrigações de comunicação e/ou evitar fraudes.

Antes desta oferta, éramos uma empresa privada com pessoal de contabilidade limitado e outros recursos para tratar de nosso controle interno sobre relatórios e procedimentos financeiros. Nossa administração não concluiu uma avaliação da eficácia de nosso controle interno sobre os relatórios financeiros e independente registrado”, na tradução em português]

Nesta sexta-feira (6), as ações da empresa na bolsa americana caíram 13,34%. Os papéis estão cotados a US$ 30,99.

Confira o posicionamento da XP na íntegra:

Tivemos acesso ao press release de dois escritórios de advocacia que atuam no mercado de ações coletivas (class action) e afirmam investigar a XP Inc. com base em um relatório produzido por uma empresa de investimentos. Infelizmente, no mercado norte-americano, press releases desta natureza envolvendo companhias abertas são extremamente comuns. Observamos que tal empresa de investimentos não é uma empresa de análise (equity research) e, como se não bastasse, trata-se de investidor que afirma estar com uma posição vendida em ações da XP Inc. O relatório contém diversos erros e possui pontos que são imateriais ou irrelevantes. Não temos conhecimento de qualquer investigação ou processo contra a XP Inc., seja no Brasil ou no exterior, com base nas alegações contidas em referido press release.

Durante o processo recente de IPO, a XP Inc. passou pelo escrutínio de quatro escritórios de advocacia reconhecidos mundialmente e duas das maiores firmas de auditoria do mercado. Além disso, diversos investidores institucionais de classe mundial auditaram a Companhia de todas as formas possíveis, inclusive por meio de processo próprio de diligência legal e/ou contábil.
A XP Inc. reforça seu total compromisso de transparência com seus clientes e investidores.”

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Carlo Cauti
Editor-chefe do SUNO Notícias. Italiano, formado em Ciências Políticas pela universidade LUISS G. Carli de Roma e mestre cum laude em Relações Internacionais, Jornalismo Internacional e de Guerra e em Economia Internacional. Concluiu também um MBA em Finanças na B3. No Brasil, teve passagem por veículos de comunicação como O Estado de S.Paulo, G1, Veja e EXAME. Também trabalhou nas agências de notícias italianas ANSA e NOVA.