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Vale: um ano após Brumadinho, vale a pena investir nas ações?

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No dia 25 de janeiro de 2020 a tragédia de Brumadinho (MG), que deixou 259 pessoas mortas, completará um ano. À época, a Barragem Córrego do Feijão, de propriedade da Vale (VALE3), se rompeu, soterrando com 13 milhões de metro cúbicos de lama tóxica, seres humanos, animais, casas e florestas.

Neste dia, sexta-feira, as ações não estavam sendo negociadas devido ao feriado do aniversário da cidade de São Paulo. Na quinta-feira (24), o dia anterior ao desastre, os papéis encerraram o pregão cotados a R$ 56,15. Já na segunda-feira, dois dias após o ocorrido, as ações encerraram a R$ 42,38.

Com base na última semana, a Vale retornou ao patamar em que seus ativos estavam sendo negociados antes da tragédia. No dia 17 de janeiro de 2020, os papéis encerraram sendo cotados a R$ 57.

O especialista de renda variável da SUNO Research, Felipe Tadewald, informou que a mineradora está retomando a produtividade de operações que haviam sido suspensas e que as consequências da tragédia não devem surtir grandes efeitos em seus papéis.

“A Vale já realizou a maior parte de suas provisões ao longo do primeiro semestre de 2019. Com isso, os efeitos daqui para frente, em termos de resultados, tendem a ser limitados. Há boas perspectivas para geração de caixa”,  informou o especialista.

“Como a maior parte dos valores referentes à tragédia já foi provisionada, os efeitos nos resultados da empresa e também nas suas ações devem ser pequenos e pontuais”, completou.

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Segundo Tadewald, o investidor que visa o longo prazo pode ficar tranquilo quanto ao seu investimento.

“Tendo em vista que a produção já está sendo normalizada e a Vale está atuando em inúmeras frentes para reduzir a necessidade de barragens nas suas operações, não vemos consequências para o case da mineradora para o longo prazo”.

Isso porquê, segundo o especialista, o posicionamento que a empresa tomou mediante ao desastre foi suficiente para evitar novas tragédias, além disso, o provisionamento para futuras multas e outras obrigações da empresa é adequado.

Para o futuro,  Tadewald avalia que as projeções da mineradora são “bastante positivas”.

“As projeções são bastante positivas, uma vez que a Vale está reduzindo sua margem Breakeven do minério do ferro e aumentando sua produtividade, o que significa que a empresa elevará de forma substancial sua geração de caixa, sobretudo com o minério nesses patamares, acima de US$ 70”

Vale: o desastre de Brumadinho

A Barragem 1 de rejeitos da mina de Córrego do Feijão estourou em janeiro. A mina, localizada na área metropolitana de Belo Horizonte, é de propriedade da Vale.

O acidente gerou uma avalanche de lama, que destruiu parte do centro administrativo da empresa em Brumadinho, e arrastou casas e até uma ponte. Até o momento foram confirmadas 259 mortes, mas ainda há trabalho de busca e identificação de fragmentos de possíveis vítimas.

A barragem rompida faz parte do complexo de Paraopeba. A mina é responsável por 7,3 milhões de toneladas de minério de ferro do terceiro trimestre de 2018. O volume corresponde a 6,2% da produção total de minério de ferro da Vale.

No período de três anos, esse foi o segundo desastre com barragem em que envolve a mineradora. Em 2015 ocorreu a tragédia de Mariana, com o rompimento da barragem da Samarco. Naquele desastre morreram 19 pessoas e a lama destruiu centenas de casas e construções.

A Samarco é controlada pela Vale e pela mineradora anglo-australiana BHP Billiton, cada uma com 50% das ações. As duas empresas se tornaram alvo de ações na Justiça por conta do desastre. As pessoas afetadas ainda esperam por reparação.

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Poliana Santos
Poliana Santos escreve sobre economia e política para o portal Suno Notícias. Antes, colaborou na Rádio Gazeta AM, onde era responsável pela produção do programa Bom Dia Gazeta. É estudante da Faculdade Cásper Líbero.