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As três principais small caps para 2020

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Após um ano de euforia na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), as small caps se mostraram uma ótima oportunidade de investimento no médio e longo prazo.

Possuindo um valor de mercado inferior às blue chips ou large caps, as small caps são diamantes escondidos que podem se tornar surpresas positivas para seu acionistas. Majoritariamente, as grandes empresas já passaram por momentos de menor capitalização, menor liquidez e, posteriormente, provaram-se com o tempo que foram cases vencedores.

Dessa forma, pode-se constatar que as companhias que possuem maior potencial de valorização são as que poucos analistas ou fundos de investimento cobrem os seus resultados. Isso faz com que a precificação dos ativos seja distorcida. Portanto, quanto maior o risco assumido, maior o potencial retorno.

Prêmio de risco em small caps

Cerca de 50% das empresas listadas na bolsa brasileira são de pequeno porte. Dessas, 26% possuem um valor menor de R$ 1 bilhão.

Com a taxa de juros básica (Selic) na mínima histórica, empresas que antes não cogitavam listar suas ações na B3, agora consideram essa possibilidade. Para alguns especialistas, os anos a seguir serão marcados por uma tendência de ofertas públicas iniciais de ações (IPOs).

De acordo com o analista de Small Caps da Suno Research, Rodrigo Wainberg, essa modalidade de investimento é a que melhor pode recompensar o tempo disposto pelo investidor que foca no Value Investing.

“É interessante ter em uma carteira de longo prazo, porque, em geral, são empresas menores que já passaram por uma fase de teste e que guardam um grande potencial de crescimento. Toda large cap já foi uma small cap”, disse Wainberg.

Salientando que rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura e o risco é inerente ao investimento em ações, confira três das principais small caps para o ano que vem.

JSL

Antes chamada de Júlio Simões S.A., a JSL (JSLG3) foi criada em 1956 pelo português que carregava o nome da companhia.

A empresa iniciou operando como uma simples transportadora. No final da década de 1950, a JSL firmou uma parceria com a Suzano (SUZB3) que permanece vigente até hoje, o qual presta serviços. Na década de 1970, procurando diversificar a operação, a companhia comprou a antiga Transfaço, abrindo espaço para o transporte de aço.

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Já no início dos anos 2000, a JSL se torna presente no Porto de Santos, por meio de serviços de limpeza em áreas comuns e de coleta de resíduos sólidos. Apenas em 2010, a JSL realizou seu IPO.

É importante ressaltar que a JSL possui subsidiárias e participações societárias em outras empresas. São elas:

  • JSL Logística
  • CS Brasil
  • Vamos
  • Original
  • Movida (MOVI3)

Segundo Wainberg, a JSL tem “boas perspectivas em todos os negócios, tanto na parte logística como na Vamos, locação de caminhões. […] Esse movimento de terceirização de frotas [com Movida e CS Brasil], por parte das empresas, ajuda a companhia a ter cada vez mais negócios”.

São Carlos

O histórico da São Carlos (SCAR3) começou em 1989, quando ainda era controlada pela Lojas Americanas. Nesse momento, a atividade da empresa era adquirir, desenvolver e administrar shoppings centers, auxiliando na expansão da marca.

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No final dos anos 1990, no entanto, a São Carlos recebeu de sua controladora, através de um aumento de capital, ativos imobiliários da Lojas Americanas, incluindo unidades de rua, centros de distribuição, edifícios de escritórios, imóveis vagos e terrenos.

A partir desse período, foram firmados contratos de locação com a São Carlos, o que acarretou em seu spin-off, fazendo com que a companhia se tornasse de capital aberto.

A São Carlos trabalha com duas vertentes de negócio atualmente. Na aquisição de edifícios corporativos ou empreendimentos de varejo de conveniência, sobretudo de padrão A em São Paulo e Rio de Janeiro, para depois revendê-los por um preço superior.

“Enxergamos um bom desenvolvimento em todas as linhas de negócio, e com essa emissão recente de debêntures, a São Carlos terá o poder de fogo para fazer novas aquisições. O objetivo primário é fazer aquisições na cidade de São Paulo, onde estão as maiores oportunidades”, afirmou o especialista.

PetroRio

A PetroRio (PRIO3) opera prioritariamente na exploração e produção de petróleo em campos já consolidados, os campos maduros. Atualmente, a maior parte das reservas estão no Campo de Polvo, próximo à Bacia de Campos, no Rio de Janeiro e no Campo de Frade, o qual a companhia adquiriu os 30% restantes da Petrobras (PETR3; PETR4) e possui 100%.

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A PetroRio é uma empresa que passou por um profundo processo de turnaround. Desafiando os resultados e perspectivas negativas, conseguiu melhorar grandemente os seus resultados.

O Ebitda (lucro antes de lucros, impostos, depreciação e amortização) ajustado do terceiro trimestre deste ano foi de R$ 215,9 milhões, a maior margem trimestral da história da empresa (54%).

É importante salientar que a companhia exporta 100% de sua produção, portanto, está exposta a variação do dólar.

“A PetroRio tende a se beneficiar da estabilização do preço do barril de petróleo e a alta do dólar. Além disso, o Campo de Fraude ainda tem muito trabalho pra fazer. E mesmo o trabalho que já foi feito, abrindo alguns postos, já têm um ganho de revitalização do campo”, afirmou Wainberg.

Essa matéria não é uma recomendação de investimento, cabe ao investidor identificar a melhor oportunidade que se encaixa com o perfil de risco. Para isso, a SUNO Research tem os melhores relatório sobre small caps do Brasil para auxiliar na decisão.

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Jader Lazarini
Jader Lazarini escreve sobre mercado financeiro, política e economia para o portal de notícias da Suno Research. Anteriormente, trabalhou na Unidas. Estuda Relações Internacionais na Universidade Anhembi Morumbi.