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Promessa de taxação de aço não deve afetar siderúrgicas brasileiras

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A promessa de retomar a taxação do aço e alumínio brasileiro pelos EUA, anunciada pelo presidente americano Donald Trump no Twitter nesta segunda-feira (2), não deve abater o valor das siderúrgicas brasileiras listadas na B3.

Segundo especialistas ouvidos pelo SUNO Notícias, apesar de o anúncio ser um duro golpe na diplomacia brasileira, o resultado prático em relação as empresas siderúrgicas exportadoras brasileiras é limitado.

Essa limitação ocorre por dois motivos:

  • As empresas siderúrgicas brasileiras de aço exportam pouco nos EUA
  • Trump tem pouca capacidade de persuasão com os analistas brasileiros

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O discurso do presidente dos EUA não convenceu boa parte dos analistas do mercado, que enxergam com descrença as promessas do mandatário.

“Trump não detalhou como seriam as taxas ou ao menos o percentual. Isso parece só mais uma polêmica que ele cria na internet”, disse Pedro Galdi, analista de investimentos da Mirae Asset.

Siderúrgicas brasileiras exportam pouco

As barreiras impostas pelos EUA para o aço e alumínio brasileiro desde o ano passado fizeram com que a indústria do País buscasse novos clientes. Além disso, o empresariado também começou a olhar mais para o mercado interno, diminuindo a dependência dos EUA.

Desde o ano passado, quando Washington anunciou que iria taxar as importações oriundas do Brasil, o setor conseguiu negociar uma troca de cotas ao invés das taxas.

Desde então, somente as exportações que excederem um volume previamente acertado têm uma sobretaxa aplicada. O acordo foi assinado com Brasil, Argentina e Coreia do Sul, sem ter um prazo definido para acabar.

Entretanto, mesmo com a relativa vitória em relação ao protecionismo norte-americano, as cotas fizeram com que as exportações brasileiras nos EUA caíssem.

Segundo dados do Ministério da Economia, o Brasil exportou US$ 2,26 bilhões em produtos de ferro ou aço para os EUA no acumulado deste ano. O montante representa 16% a menos que o total exportado no mesmo período de 2018.

“Em função das cotas já implantadas, as companhias brasileiras procuraram outros mercados. Então, elas exportam pouco aço e, por isso, não haverá um impacto tão significativo no balanço”, afirmou Luiz Francisco Caetano, analista da Planner.

Ao todo, o mercado americano representa cerca de 1% do destino do aço brasileiro, segundo dados do Ministério da Economia.

Dessa forma, os principais operadores da indústria de aço brasileira, como CSN (CSNA3) e Usiminas (USIM5), se tornaram mais dependente do mercado interno que das exportações. Já em relação a Gerdau (GGBR3), única que possui plantas nos dois países, a taxação extra aos produtos brasileiros pode ser até mesmo positiva.

As ações da Usiminas fecharam o dia em alta de 1,29%, cotada a R$ 9,41. Já os papéis da CSN encerraram em alta de 4,22%, a R$ 13,09. As ações da Gerdau tiveram alta de 0,70%, a R$ 14,39.

Por outro lado, não há nenhuma exportadora de alumínio brasileira listada na Bolsa de Valores de São Paulo (B3).

“Se a promessa acaba virando algo para o restante do mundo todo, [essa nova taxação] será um ponto positivo à siderúrgica, pois ela tem indústria nos EUA e conseguiria escapar, resultando em um diferencial competitivo em relação às concorrentes”, concluiu Pedro Galdi, da Mirae.

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Vinicius Pereira
Vinicius Pereira foi repórter de economia da Folha de S.Paulo, stringer do jornal no Canadá e colaborador de VEJA. Já escreveu também para BBC Brasil, The Intercept Brasil e UOL.