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S&P rebaixa rating da Argentina para default seletivo

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A agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou nesta quinta-feira (29) o rating da Argentina. A nota sobre a dívida soberana do país vizinho passou de B- para SD (default seletivo).

Na última quarta-feira (28), o presidente da Argentina, Mauricio Macri, decretou moratória da dívida junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI). O montante de US$ 56 bilhões deveria inciar a ser devolvido do final de 2019 até 2021.

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Segundo o ministro da Fazenda de Buenos Aires, Hernán Lacunza, a “Argentina propôs [ao FMI] iniciar o diálogo para reperfilar os vencimentos da dívida”.

Objetivo de aliviar pressão sobre reservas

De acordo com Lacunza, a revisão do pagamento da dívida junto ao FMI tem como objetivo aliviar as pressão sobre as reservas internacionais e “preservar” a moeda argentina.

Desde o começo do ano o país vizinho passa por fortes turbulências financeiras. O peso se depreciou mais de 20% e o índice de risco país subiu mais que 2.000 pontos. Uma trajetória que piorou após a derrota de Macri para o candidato de centro-esquerda Alberto Fernández nas eleições primárias no dia 11 de agosto.

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Nesta quinta-feira (28) o peso argentino chegou a registrar queda de 3% no câmbio com o dólar. Além disso, o risco-país avançou para o patamar mais alto desde 2005, chegando a 2.037 pontos. O principal índice da Bolsa de Valores de Buenos Aires, o Merval, caiu 5,79%, fechando em 23.984,83 pontos.

Fuga de capitais da Argentina

Mesmo com a moratória, muitos economistas e analistas iniciam a prever que o país possa ficar sem reservas de dólares muito em breve. A demanda interna da moeda norte-americana deverá aumentar nos próximos meses devido às incertezas políticas e monetárias.

Dessa forma, o aumento da demanda fomentará ainda mais a turbulência no mercado cambial. A fuga de capitais da Argentina chegou a US$ 13 bilhões em 2019.

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Carlo Cauti
Editor-chefe da SUNO Notícias. Formado em Ciências Políticas pela universidade LUISS G. Carli de Roma e mestre cum laude em Relações Internacionais, Jornalismo Internacional e de Guerra e em Economia Internacional. No Brasil, teve passagem por veículos de comunicação como O Estado de S.Paulo, G1, Veja e EXAME. Também trabalhou nas agências de notícias italianas ANSA e NOVA.