Economia

Carnaval: os setores da economia mais movimentados durante o feriado

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Tradicionalmente festejado entre fevereiro e março, o carnaval é uma das épocas do ano em que a economia brasileira é mais movimentada. Turistas do mundo inteiro aguardam pelas comemorações em todos os cantos do Brasil.

Um período que se confirma uma oportunidade para empresas de diferentes setores, que elevam suas vendas com um melhor aproveitamento operacional. Os quatro dias de carnaval deste ano, como nos anos anteriores, devem gerar bilhões de reais para o comércio.

No Rio de Janeiro, por exemplo, uma das cidades mais procuradas nesta época do ano, o carnaval de 2019 movimentou R$ 3,78 bilhões. Segundo a prefeitura, a receita de setores de comércio e serviços cresceu 26%.

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Para este ano, segundo uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o carnaval na capital fluminense deverá movimentar cerca de R$ 2,6 bilhões, além de R$ 1,95 bilhão em São Paulo e R$ 1,13 bilhão em Salvador.

Além disso, apenas no Rio, serão criados 8,5 mil empregos temporários, enquanto no País inteiro, serão geradas 25,4 mil vagas. Saiba mais sobre os setores da economia brasileira que serão impactados positivamente durante esta semana.

Turismo

O setor de turismo é um dos mais beneficiados pelo Carnaval, e esse ano não será diferente. Segundo a CNC, o setor deve faturar cerca de R$ 8 bilhões, um aumento real de 1% em comparação a 2019 e o maior valor em termos nominais desde 2015. O valor equivale a 0,12% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.

De acordo com a confederação, a paulatina recuperação da economia, junto à baixa inflação, demonstra ser um cenário positivo, o qual os serviços turísticos podem ser beneficiados.

“Nos meses que antecedem o carnaval, a taxa de câmbio teve uma desvalorização de 10% ante o mesmo período de 2019, estimulando, portanto, gastos com turismo no território nacional, em 2020”, afirmou em nota Fabio Bentes, economista da CNC responsável pelo estudo.

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Além disso, Bentes indicou que esses fatores deve favorecer um maior fluxo interno de turistas em 2020. É importante salientar que a desvalorização do real frente ao dólar pode restringir as opções os viajantes brasileiros ao País.

Algumas empresas do setor podem ser influenciadas positivamente, como é o caso dos intermediários de distribuição de produtos turísticos Decolar e da CVC (CVCB3). De acordo com o Cuponomia, em uma pesquisa junto ao jornal O Estado de S.Paulo, as passagens aéreas no carnaval deste ano ficaram até 250% mais caras.

Um trecho entre São Paulo e Rio, que no início de janeiro estava cerca de R$ 295, agora não sai por menos de R$ 1.038. A pesquisa foi realizada com voos os trechos de ida e volta em São Paulo, Rio, Salvador, Belém, Recife, Fortaleza e Curitiba.

Hotelaria

A hotelaria também terá um movimento considerável no carnaval. Segundo o Centro de Inteligência e Economia do Turismo (CIET), Secretaria do Turismo de São Paulo e a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-SP), os hotéis do interior e litoral de São Paulo devem atingir a ocupação de 75% a 95%. Na capital, essa taxa deve ficar acima de 65%, a depender do tipo de acomodação.

Algumas das cidades devem ter a ocupação ainda maior. No Rio de Janeiro, por exemplo, é esperado que os hotéis da Zona Sul, local mais procurado da cidade, fiquem com 95% de ocupação.

Uma das principais cidades procuradas por turistas para se hospedar em São Paulo durante o carnaval é Brotas. A expectativa é de atingir 100% dos 2,4 mil leitos disponíveis nesta semana. A cidade de Socorro, no interior paulista, já registra 85% de ocupação dos 4,2 mil lugares disponíveis.

De acordo com os dados das instituições, alguns hostels (tipo de acomodação mais econômica procurada pelo público mais jovem) não tem mais vaga desde janeiro. E essa categoria de hospedagem é uma das mais procuradas no Booking (NASDAQ: BKNG).

A Booking é uma empresa sediada em Connecticut, nos Estados Unidos, que possui e opera vários agregadores de tarifa de viagens e mecanismos de metasearch de tarifa de viagem e hospedagem. Ela é líder e player mais eficiente no mercado de agências de viagens online.

Ela é líder e player mais eficiente no mercado de agências de viagens online, atuando em mais de 40 idiomas e em mais de 180 países. O Brasil, claro, não fica de fora e é um das unidades operacionais mais rentáveis da empresa.

Consumo

Assim como em qualquer feriado, o carnaval é um importante período para o comércio brasileiro. Os shopping centers, por exemplo, são movimentados e costumam gerar um grande volume de vendas, por mais que sejam aplicados horários diferenciados.

Até mesmo antes do feriado prolongado, os shopping centers são procurados para as compras do carnaval, seja as fantasias, algo para viagens, etc. As compras dos turistas são elevadas nessa época do ano.

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Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), no carnaval de 2018, entre os turistas, 88% foram brasileiros, que tiveram uma permanência média de 6,6 dias e gastaram R$ 280,32 por dia (média) no Rio de Janeiro. Já entre os estrangeiros, que ficaram em média 7,7 dias, o gasto, em média, foi ainda maior: R$ 334,01.

Dessa forma, empresas como a Br Malls (BRML3) e o Iguatemi (IGTA3), administradoras e detentoras de participações em shopping centers listadas na B3 e o fundo imobiliário XP Malls (XPML11) tendem a surfam a onda de bom aproveitamento dos shopping centers.

Com a gradativa recuperação econômica do Brasil, a baixa inflação, ou seja, o poder de compra controlado, a população tende a gastar mais. De acordo com o Ifluix, indicador que calcula o fluxo de pessoas em shopping centers no Brasil, 2019 teve uma alta de 3,6% em relação a 2018.

Portanto, o carnaval é uma importante época para a economia do Brasil, quando diversos setores são expandidos e empregos são criados.

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Jader Lazarini
Jader Lazarini escreve sobre mercado financeiro, política e economia para o portal de notícias da Suno Research. Anteriormente, trabalhou na Unidas. Estuda Relações Internacionais na Universidade Anhembi Morumbi.