Selic: como os cortes na taxa de juros afetam os investidores?

Selic: como os cortes na taxa de juros afetam os investidores?
Como os cortes na taxa Selic afetam os investidores

A taxa Selic é taxa que o governo paga quando pega dinheiro emprestado. Por isso, ela também é conhecida como taxa básica de juros da economia, justamente porque serve como a base para os juros de toda a economia do país.

Assim, a Selic tem uma influência direta sobre a vida das pessoas, principalmente na dos investidores, já que sua variação pode afetar o controle da inflação, que se relaciona diretamente com a atividade econômica.

Além disso, A Taxa Selic é definida através de reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), órgão do Banco Central (BC) , formado pelo seu presidente e diretores.

Suno One: acesse gratuitamente eBooks, Minicursos, Artigos e Video Aulas sobre investimentos com um único cadastro. Clique para saber mais!

Durante os últimos dias, esse tema ficou no radar dos investidores brasileiros, após o BC decidir cortar a taxa nas últimas 8 reuniões do comitê. O último corte ocorreu no dia 17 de junho quando a taxa caiu de 3% para 2,25% ao ano, uma nova mínima histórica. Contudo, esse corte já era esperado pelo mercado.

A decisão da autoridade monetária foi tomada em um momento de forte contração do nível de atividade da economia no Brasil e no mundo, provocada pela pandemia de coronavírus (Covid-19).

Além disso, o corte da taxa de juros aumenta a liquidez nos mercados para tentar sustentar a demanda e limitar a queda no Produto Interno Bruto (PIB).

Mas, afinal, como os cortes na taxa básica de juros tem influência sobre os investidores brasileiros?

Como a Selic afeta os investidores

Embora a taxa básica de juros afete todos os tipos de investimentos e investidores, alguns são afetados de forma mais direta que outros.

Um exemplo de investimento que sofre influência direta dos cortes na taxa, são os de renda fixa, visto que os rendimentos desse tipo de aplicações são calculados de acordo com a Selic.

Frente a isso, se a taxa básica de juros estiver alta, a remuneração dos investimentos em renda fixa e títulos públicos serão maiores. Contudo, o oposto também é verdadeiro, assim, quanto mais baixa a taxa, menores os rendimentos nesses tipos de investimentos.

Veja também: Bolsonaro comemora corte na Selic: ‘Nunca se sonhava em ter essa taxa’

Assim, o rendimento dos Títulos do Tesouro Direto também é afetado pelas mudanças na taxa básica de juros, bem como o Tesouro Selic . Ambos acabam rendendo menos a cada corte.

O Certificado de Depósito Bancário (CDB). e o Certificado de Depósito Interbancário (CDI) também passam a render menos quando a taxa é resumida.

Outro tipo de aplicação bastante impactada pelos cortes do Copom, é a poupança. Uma das opções que agrada os brasileiros, rende 70% da taxa básica de juros somado a Taxa Referencial quando a Selic estiver menor ou igual que 8,5% ao ano. Vale destacar que a taxa está em 2,25% ao ano atualmente.

Dentre os investimentos que são afetados indiretamente pela Selic, estão o mercado de ações e os fundos imobiliários.

Já que a atuação da economia influencia na atuação das companhias, as ações dessas podem variar, trazendo lucros ou prejuízos aos portadores.

Saiba mais: Banco Central corta taxa de juros em 0,75% e Selic vai para 2,25%

Alguns investidores também acabam migrando para a Bolsa de Valores  quando a Selic cai, e outros acabam indo para a renda fixa, quando a taxa está alta.

Uma mudança cultural

Comentando sobre como a taxa afeta os investimentos de Renda Fixa, professora e especialista em finanças, sócia da BSG DuoPrata e do Instituto de Inteligência em Finanças e Economias (IIFE), Betty Grobman, destacou que “já vem acontecendo, desde as últimas reduções da taxa, uma mudança cultural e de direção por parte do investidor. A Taxa Selic se encontra em patamares semelhantes aos das taxas de países cujas economias são fortes e assim, para o investidor que pretende destinar parte de seus recursos (ou a totalidade deles, caso seja conservador), a tendência é que produtos pós-fixados cuja remuneração seja vinculada à Taxa Selic ou DI percam seu apelo, diante do nível atual ou de futuras reduções das taxas de juros. Dessa forma, os investidores têm tido maior interesse em produtos pré-fixados ou híbridos (pré-fixados acrescidos da variação da inflação). Ainda há opções interessante para este público no Tesouro Direto (exemplo: LTN ou Tesouro Prefixado 2026 pagando 6,41% ao ano). E, contando com a garantia do FGC-Fundo Garantidor de Créditos de até R$ 250 mil por emissor  temos alguns produtos emitidos por bancos e financeiras, como CDB, RDB, Letra de Câmbio, Letra de Crédito Imobiliário e Hipotecários, sobretudo aqueles emitidos por instituições de menor porte (que naturalmente pagam taxas maiores) e distribuídos por corretoras e DTVMs”.

“Também é possível encontrar debêntures, letras financeiras e certificados de recebíveis (CRI ou CRA) com remunerações interessantes, mas com maior risco de mercado e de crédito”, completou Grobman.

“Por outro lado, partindo para a renda variável, para investidores que têm ainda maior tolerância a riscos de mercado ou de crédito e que podem dispor de parte de seus recursos para fins mais especulativos, já vem acontecendo uma migração natural para produtos de Bolsa de Valores, principalmente investimento em ações, de forma generalizada (investidores de todos os “tamanhos”), conforme informações da própria B3”, salientou ela.

Para Grobman, outros produtos que vêm despertando interesse dos investidores, conforme seu perfil, tolerância a riscos e volume de recursos são alguns fundos de renda fixa; multimercado e de crédito privado. “Há bons produtos no mercado a partir de um investimento inicial R$ 500,00”, apontou.

“Ainda, para o investidor rentista, o foco tem migrado e podemos observar um crescente interesse deste pelo mercado imobiliário, seja através de investimentos em Fundos Imobiliários ou, principalmente, através da aquisição de imóveis para locação, cujo percentual de retorno (aluguel mensal/valor do imóvel) pode chegar a 0,75% ao mês”.

Situações inusitadas ao mercado

De acordo com a professora, “a Taxa Selic chegou ao patamar de 2,25% e trouxe algumas situações inusitadas ao mercado”.

“Um bom exemplo (de como a o ajuste trouxe situações inusitadas) é a remuneração do FGTS-Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. Nós não poderíamos imaginar, até há pouco tempo, que deixar os recursos no FGTS seria uma boa opção de investimento! Com saldo remunerado à taxa nominal de juros de 3% ao ano (+ variação da TR, atualmente em 0%), se considerarmos inflação (IPCA) de 1,69% ao ano, deixar o dinheiro no FGTS renderá 1,288% de taxa real de juros (ou seja, rendimento acima da inflação) ao ano. Essa remuneração é bem maior do que a de muitos investimentos oferecidos, sobretudo produtos bancários, e muito mais do que a Caderneta de Poupança, atualmente com Taxa Nominal de 1, 575% ao ano”, explicou ela.

Saiba mais: Segundo Campos Neto, um eventual ajuste na Selic ‘será residual’

Quando questionada sobre os cortes na taxa, explicou que “na ATA da última reunião do COPOM – Comitê de Política Monetária, em que a Taxa Selic Meta foi reduzida de 3% ao ano para 2,25% ao ano, o Banco Central revela a sua intenção de reduzir a velocidade e os percentuais da taxa até o final do ano. Entretanto, analistas econômicos das principais instituições financeiras acreditam que ainda haja espaço para que a Taxa Selic chegue a 2% ao ano e alguns, inclusive, estimam que poderá chegar a 1,75% ao ano”.

Por fim, Grobman reforçou que “a dica é a mesma, a qualquer tempo: diversificação sempre!”.

Já Gabriela Mosmann, analista CNPI da Suno Research, comentou sobre como a taxa básica de juros se relaciona com os investimentos e indicou que “atualmente a gente tem a rentabilidade da maior parte dos investimentos de renda fixa atrelados a taxa Selic, embora na verdade eles estejam atrelados a taxa CDI, que é muito relacionada com a taxa Selic”.

Em relação a restabilidade, afirmou que: “vale lembrar que estamos com um nível de inflação muito baixo que não prejudica tanto em termos de rentabilidade real essas últimas quedas que tiveram, acaba caindo sim, mas não prejudica tanto”, destacou Mosmann.

Veja também: Selic a 2,25% após novo corte do Copom rende menos que FGTS

Além disso, explicou que ao cortar a taxa Selic, o BC visa fazer a economia se aquecer mais, o que está sendo mais difícil devido a pandemia do novo coronavírus.

Segundo ela, a taxa básica de juros mais baixa auxilia uma economia estável, com inflação controlada, produção voltando, vai auxiliar o crédito privado como um todo, pois isso estimula a economia e as empresas a se desenvolverem e assim as empresas serão estimuladas a tomar crédito, emitirem títulos de crédito. Assim em um médio e longo prazo pode ser algo positivo para o desenvolvimento de outras modalidades de renda fixa, onde podemos ter títulos de renda fixa, não mais atrelados ao CDI, mas a valores de absolutos.

Previsões sobre a taxa básica de juros

Mosmann ainda apontou que a previsão do Boletim Focus é que a taxa Selic acabe o ano em 2%, já o PNB Paribas prevê a taxa a 1,5% ao ano, ainda em 2020. A perspectiva é que a taxa baixe ainda mais esse ano devido a pandemia, mas cresça pra 3% no ano que vem.

Já em 2023 e 2024 a taxa deve subir mais um pouco, mas apontou que Selic a dois dígitos ‘dificilmente a gente vai ver novamente na nossa economia’, explicou a analista.

Por fim, o SUNO Notícias destaca que essa matéria sobre a influência da Selic nos investimentos, não representa indicações de aplicações.

Laura Moutinho

Compartilhe sua opinião