Safari Capital: crise está longe do fim e abre oportunidades por China

Safari Capital: crise está longe do fim e abre oportunidades por China
No dia 9 de julho, o Ibovespa voltou a atingir 100 mil pontos, marca que não registrava desde o dia 6 de março.

A crise causada pelo coronavírus (covid-19) fez com que todo o mercado se mexesse. Antes da pandemia, a Safari Capital apostava que a recuperação do emprego e do consumo faria com do varejo o carro chefe no Brasil.

Agora, a gestora simplificou a carteira e aposta em ativos ligados a China, que devem ter uma recuperação mais rápida, dado que o problema que abateu o país asiático meses antes de aparecer por aqui.

“Simplificamos muito o portfólio, reduzindo ou zerando as empresas mais expostas à crise (aéreas, locadoras, etc) e adicionando ou aumentando outras mais ligadas ao segmento de commodities (alimentos, petróleo após a grande queda e minério de ferro), dado que a China está um passo à frente do resto do mundo no controle do vírus”, disse Marcelo Cavalheiro, gestor da Safari Capital.

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Para o investidor iniciante, que em grande parte foi à B3 em meio a trajetória de queda da Selic nos últimos anos, Cavalheiro diz que a gestão passiva em papéis listados na Bolsa ainda farão sentido no curto e médio prazo.

“Se ainda tiver uma folga de caixa deve alocar aos poucos em fundos de ações que, ao longo de dois ou três anos deverão ter uma boa performance”, completou.

Confira o bate papo com Marcelo Cavalheiro, da Safari Capital:

-Como vocês estão analisando a crise? Ainda está longe de acabar?
Sim, a crise ainda está longe de acabar, mas as medidas dos EUA são bastante fortes e suficientes para acalmar os mercados por lá. Aqui também há medidas importantes sendo tomadas mas num ritmo aquém do desejado.

-Quais as principais alterações desde o início na carteira de vocês desde então?
Reduzimos tanto o gross da carteira como o net long. O gross veio de 145% para 96% e o net long partiu de 110% para atingir agora 75%, tendo passado por 30% e depois 50%.

Simplificamos muito o portfólio, reduzindo ou zerando as empresas mais expostas à crise (aéreas, locadoras, etc) e adicionando ou aumentando outras mais ligadas ao segmento de commodities (alimentos, petróleo após a grande queda e minério de ferro), dado que a China está um passo à frente do resto do mundo no controle do vírus.

-Com um cenário de crescimento zero ou recessão, quais ativos chamam mais a atenção?
Estamos finalizando nossa análise das empresas que cobrimos do ponto de vista da solvência, já que o comprometimento de caixa é brutal nesta crise, então buscamos aquelas que tenham mais resiliência, que sejam líderes de mercado e que tenham entrado na crise em melhores condições financeiras.

O custo do crédito, que ficará mais escasso, vai subir (apesar da queda na Selic), e certamente haverá mudanças de comportamento no consumidor. Exportadoras em geral ou empresas que tenham boa parte do fluxo de caixa no exterior tendem a se beneficiar.

-O que o investidor iniciante pode fazer em um momento como o atual?
O investidor iniciante deve se informar sobre seus investimentos, em especial procurar saber quais as alocações principais dos fundos. Se ainda tiver uma folga de caixa deve alocar aos poucos em fundos de ações que, ao longo de dois ou três anos deverão ter uma boa performance dado que os preços das ações estão bastante deprimidos.

Vinicius Pereira

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