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Os cinco principais riscos à economia global em 2020

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Após 2019 cheio de tensões econômicas, políticas e sociais, 2020 começou não menos conflituoso. Diversos riscos à economia global vieram à tona desde janeiro, quando os noticiários de todo o planeta divulgaram as tensões entre Estados Unidos e Irã.

As incertezas geopolíticas, além da desaceleração econômica da China, segunda maior potência do mundo, transformaram este ano como um dos mais desafiadores dos últimos tempos para a economia global.

Ademais, o coronavírus (Covid-19), epidemia originada na província de Hubei, na China, preocupa o mundo após chegar a pelo menos 40 países. O Fundo Monetário Internacional (FMI) informou, na quarta-feira (19), que a epidemia pode trazer riscos para a recuperação da economia global em 2020.

Além disso, o banco suíço UBS cortou a projeção de alta do Produto Interno Bruto (PIB) global neste ano por conta da doença. A instituição financeira cortou a previsão de avanço econômico mundial de 3,2% para 0,7%.

Saiba mais: FMI: economia da América Latina avançará menos do que esperado em 2020

O jornal britânico The Ecomist, por meio de sua pesquisa The Economist Intelligence Unit, levantou alguns ponto ofensores à economia global 2020. Confira quais foram os cenários analisados pelo jornal, esclarecendo as possíveis oportunidades e ameaças da conjuntura internacional vigente.

O conflito geopolítico entre Estados Unidos e Irã

O assassinato de Qasem Suleimani, general militar iraniano, no dia 3 de janeiro por drones norte-americanos, escalou as tensões entre Estados Unidos entre Irã.

No entanto, o governo norte-americano e seus aliados do Golfo procuram evitar um conflito que possa desencadear uma desestabilização nos preços do petróleo. O Irã, ademais, não tem meios militares ou financeiros para travar uma guerra contra os Estados Unidos.

Segundo o jornal, embora as incertezas geradas pelo conflito permaneçam constantes, os estadunidenses e a Rússia têm a capacidade de elevar a produção de petróleo para conter um possível choque temporário no fornecimento da commodity, impedir a inflação dos preços e mitigar a queda do estímulo aos negócios em todo o mundo.

A disputa comercial entre União Europeia e Estados Unidos

A disputa comercial entre Estados Unidos e União Europeia (UE) ocorre desde meados de 2018, quando os norte-americanos instauraram uma investigação sobre a importação de carros estrangeiros. Após isso, foi estipulada a taxação de 25% sobre a importação e exportação de automóveis da Europa.

E não parou por aí. Em outubro do ano passado, os EUA impuseram tarifas sobre uma série de mercadorias da UE, após investigações sobre o fornecimento de subsídios da UE à Airbus. Os EUA também ameaçaram colocar tarifas adicionais sobre a França devido ao imposto sobre serviços digitais criados.

Déficit nas transações dos EUA, em bilhões de dólares (Fonte: FMI e The Economist)

O desenrolar dessa disputa comercial entre o bloco europeu e a maior potência econômica do mundo pode ser prejudicial para ambas as partes. Caso os EUA prossigam com a taxação sobre a importações de automóveis da UE, a indústria automobilística do bloco pode ser fortemente impactada. Esse mercado corresponde a 6% do total de empregos gerados na UE.

De acordo com o The Economist, inevitavelmente a UE iria retaliar o movimento norte-americano, elevando as tensões entre as partes. Além disso, os países terceiros teriam que se posicionar em um dos lados. O que, por fim, causaria uma grande desaceleração da economia global, aumento da inflação e queda na confiança dos empresários e consumidores.

Disseminação do coronavírus

Os primeiros casos do coronavírus vieram à tona no final de 2019, em pessoas que tinham algum tipo de contato com o mercado de frutos do mar em Wuhan.

A cidade tem 12 milhões de habitantes, tamanho comparável a São Paulo. Em 31 de dezembro, a OMS divulgou o primeiro alerta. Atualmente, a organização já trabalha com um “elevado risco internacional“.

O governo chinês confirmou, na última quarta-feira (26), mais 52 casos de morte ocasionadas pela doença. Dessa forma, apenas na China, já foram registrados 2,71 mil mortos. O número total de infectados no país passou de 78 mil. Segundo o jornal, o impacto econômico da epidemia tende a ser maior que o da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Saars), de 2003.

Segundo as estimativas do veículo de comunicação britânico, em um cenário otimista, no qual o vírus seria contido ainda em fevereiro (chance de 25% de acontecer), o crescimento da economia da China seria de 5,7% neste ano. Em um cenário mais provável, quando o surto seria controlado em março (50% de chance de ocorrer), a China cresceria 5,4%.

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No entanto, por uma perspectiva pessimista, no qual o coronavírus seria mitigado apenas em junho (20% de chance de acontecer), a economia subiria 4,5%. Todavia, se a epidemia não for controlada em 2020, a economia da China iria crescer abaixo de 4,5%, a maior desaceleração em décadas.

Dívida externa de países emergentes

A onda de juros baixos em todo o mundo fez com que as dívidas externas dos países, sobre tudo nos mercados emergentes, fossem elevados substancialmente em comparação com 2009.

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Como resultado desse movimento observado na última década, as perspectivas de crescimento global tornaram-se mais vulneráveis a alterações de política monetária, como aumento em taxas de juros e elevação do custo de financiamento a países endividados.

Um exemplo disso ocorreu quando, em 2019, o aumento da taxa de juros dos EUA e o fortalecimento do dólar norte-americano em relação a moedas mais frágeis acarretou em uma ampla volatilidade cambial entre os mercados emergentes. Tal cenário desencadeou em crises cambiais e recessões econômicas, como na Argentina e na Turquia.

Desde então, o Federal Reserve (Fed) e o Banco Central Europeu adotaram medidas monetárias mais flexíveis, aliviando a situação de empresas endividadas e governos emergentes. Entretanto, essas economias permanecem vulneráveis a repentinas e inesperadas deteriorações das condições de mercado e precificação de commodities, por exemplo.

Tensão política em Hong Kong, maior centro financeiro da Ásia

Desde junho do ano passado, as ruas de Hong Kong estão em convulsão política e social. Os manifestantes condenam as políticas de extradição do governo. Segundo informações locais, é possível que os protestos voltem a surgir neste ano se os cidadãos entenderem que os direitos civis estejam sob ameaça no longo prazo.

Se as tensões continuaram a subir, segundo o jornal inglês, existe o risco da China, em resposta aos atos pró-independência do local, suspenda o modo de governança de dois sistemas.

Isso causaria um deslocamento econômico grave e ameaçaria o posto de Hong Kong de terceiro maior centro financeiro do mundo. Os conflitos políticos levariam a uma “fuga de cérebros”, os mesmos que colaboraram com o exponencial crescimento local.

Além disso, segundo o jornal, a economia global também seria movimentada, uma vez que as empresas ali localizadas mudariam suas operações para Cingapura, Tóquio ou Bangkok.

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Jader Lazarini
Jader Lazarini escreve sobre mercado financeiro, política e economia para o portal de notícias da Suno Research. Anteriormente, trabalhou na Unidas. Estuda Relações Internacionais na Universidade Anhembi Morumbi.