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Risco-Brasil recua ao mesmo patamar de 2013

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O risco-Brasil recuou ao menor nível dos último seis anos, voltando ao patamar de 2013. Os contratos de Credit Default Swap (CDS) registraram taxas próximas da época em que o País tinha ainda o grau de investimento.

O Risco-Brasil acabou se reduzindo após uma época de forte nervosismo dos mercados globais registrada no mês de agosto. A percepção de risco sobre a economia brasileira por parte dos investidores estaria melhorando. Assim como a percepção sobre os países emergentes como um todo.

O custo do CDS de cinco anos do Brasil está atualmente em 124 pontos-base. Esse nível de avaliação do Risco-Brasil iguala as mínimas do ano, registradas no final de julho.

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Um nível menor do que esse tinha sido registrado em maio de 2013. Entretanto, naquele momento as agências de classificação de risco Fitch, S&P e Moody’s consideravam o Risco-Brasil baixo, excluindo o risco de default sobre a dívida soberana.

O Brasil teve o grau de investimento de 2008 até 2015. Atualmente, o País é avaliado em “BB-” pela Fitch e pela S&P, enquanto a Moody’s o coloca em “Ba2””. Ou seja, o Brasil deverá subir três degraus para retomar o grau de investimento na escala das duas primeiras agências, enquanto apenas dois no caso da Moody’s.

Roberto Campos Neto comentou o Risco-Brasil

Na última semana, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, comentou sobre essa redução do Risco-Brasil. Para o banqueiro central, “os CDS mostram que poderíamos ter dois upgrades [elevações de rating]”.

Entretanto, segundo analistas o movimento no mercado ainda não reflete uma possível aposta dos investidores em uma volta do grau de investimento do Brasil no curto prazo.

Juros baixos e contas externas ajudaram

A queda do Risco-Brasil foi favorecida pelo ambiente global de juros baixos, além da situação favorável das contas externas do País. Uma condição que afasta a percepção de risco de calote por parte dos investidores internacionais.

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Além disso, existe um fator técnico atrás desse resultado. As empresas estão captando recursos dentro do Brasil, graças também a redução da taxa básica de juros (Selic). Por isso, elas conseguem reduzir seu endividamento externo em um processo que acaba diminuindo a necessidade de instrumentos de proteção sobre o crédito.

Entretanto, mesmo estando em níveis baixos, os CDS indicam apenas o Risco-Brasil, e não são uma previsão de volta do grau de investimento.

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Carlo Cauti
Editor-chefe da SUNO Notícias. Formado em Ciências Políticas pela universidade LUISS G. Carli de Roma e mestre cum laude em Relações Internacionais, Jornalismo Internacional e de Guerra e em Economia Internacional. No Brasil, teve passagem por veículos de comunicação como O Estado de S.Paulo, G1, Veja e EXAME. Também trabalhou nas agências de notícias italianas ANSA e NOVA.