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Resumo da Semana: Taurus; Via Varejo; Previdência; Bolívia

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A segunda semana do mês de novembro contou com diversas notícias que agitaram o mercado interno e, também, o cenário internacional. No Resumo da Semana do SUNO Notícias você acompanha todas as notícias mais relevantes dos últimos sete dias.

O erro da empresa Taurus em anunciar incorretamente o seu novo ticker de negociação na Bolsa de Valores é o destaque do Resumo da Semana. Além disso, a Via Varejo também se destacou por ter sido alvo de uma polêmica, relacionada ao seu balanço, revelada exclusivamente e primeiramente no Portal Suno Notícias durante a semana. A semana ainda teve a promulgação da reforma da Previdência no Congresso e a crise na Bolívia.

Confira os principais pontos do Resumo da Semana:

Taurus

Para iniciar o Resumo da Semana, temos a empresa Taurus, que na segunda-feira (11) informou que passaria a operar sob um novo ticker de negociação na Bolsa de Valores de São Paulo (B3). Antes da mudança, os papéis da Taurus eram negociados sob os tickers FJTA3 e FJTA4. Com a alteração, as ações ordinárias passaram a serem negociadas sob o código de negociação TASA3 e as preferenciais sob o ticker TASA4.

O problema, entretanto, foi que a empresa anunciou, no dia 7 de novembro, que o ticker de operação seria o “TAUR”. Dessa forma, ocorreu uma confusão entre os investidores.

A mudança do código ocorreu por conta de uma exigência da B3. De acordo com a Taurus Armas, a empresa responsável pela bolsa de valores exigiu a mudança “devido a não identificação do código anterior de estar sendo utilizado por outro emissor”.

A empresa informou que a mudança faz parte da alteração de sua denominação social. Anteriormente, a empresa utilizava o nome Forjas Taurus, no entanto, não atua mais no setor de forjas. De acordo com a companhia, o objetivo agora é focar totalmente no setor de armas.

“A Taurus Armas S.A., vem informar aos seus acionistas e ao mercado que, em alinhamento ao processo iniciado na AGE 29 de junho de 2018, onde foi deliberada e aprovada a alteração de sua denominação social, excluindo a expressão “Forjas”, por se tratar de atividade que não mais exerce”, informou a companhia por meio de um comunicado ao mercado.

Resposta da Taurus sobre o erro do ticker

“A empresa esclarece que o código “TAUR”, informado anteriormente como o novo ticker, havia sido confirmado pela B3 S.A. e, inclusive, divulgado ao mercado. No entanto, na véspera da mudança, no dia 11 de novembro de 2019 às 18h, a B3 entrou em contato com a Taurus informando que, embora tenha sido confirmado a disponibilidade do código “TAUR” para ser utilizado pela companhia, não seria possível, tendo em vista já ser utilizado por outro emissor”, informou a produtora de armas em nota de esclarecimento à imprensa.

Balanço da Taurus

A Taurus Armas (TASA3; TASA4) reportou seu prejuízo líquido de R$ 26,4 milhões, na última quarta-feira (13).

O resultado mostra que a Taurus Armas reverteu o lucro líquido de R$ 48 milhões registrado no mesmo período do ano passado. A fabricante de armas listou os fatores que a fizeram registrar prejuízo:

  • Aumento das despesas financeiras líquidas em decorrência da variação positiva da moeda norte-americana em relação ao Real
  • Menor lucratividade da operação em função das condições do mercado local e promoções realizadas
  • Aumento das despesas operacionais, com registro de despesas extraordinárias.

A receita operacional líquida passou de R$ 192,3 milhões para R$ 242,3 milhões, um avanço de 26% no trimestre. No acumulado do ano até setembro, o aumento foi de 16,7%, alcançando R$ 727,4 milhões.

O Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) teve queda de 18,2% e atingiu R$ 192,3 milhões. A margem Ebtida teve queda de 5% e encerrou o trimestre em 8,2%. Por sua vez, no acumulado dos nove meses, o Ebtida cresceu 18,2% passando de R$ 97,1 milhões para R$ 114,8 milhões. A margem ficou em 15,8%.

Confira Também: Taurus Armas erra divulgação do novo ticker; entenda o caso

As despesas operacionais somaram R$ 157,9 milhões no acumulado até setembro. Em comparação ao mesmo período no ano passado, esse valor é equivalente a uma redução de 3,1%.

As despesas com vendas somaram R$ 87,5 milhões no acumulado, um aumento de 17,6% . As despesas gerais administrativas se mantiveram praticamente estáveis nos primeiros nove meses, apresentando uma redução de 0,2% no período. Na comparação do período trimestral houve uma redução de R$ 6,1 milhões ou queda de 16,3%.

O lucro bruto da Taurus Armas totalizou R$ 256,3 milhões nos 9M19, superando em 8,5% o desempenho registrado no mesmo período do ano anterior.

Via Varejo

Em semana de divulgação de balanços, a Via Varejo foi alvo de uma polêmica, noticiada primeiramente pelo Suno Notícias. Dessa forma, a empresa não poderia ficar de fora do Resumo da Semana. As negociações das ações da Via Varejo (VVAR3) na bolsa de valores de São Paulo (B3) foram suspensas após uma reportagem exclusiva do portal SUNO Notícias revelar que a empresa estava investigando possíveis fraudes em seus balanços. Às 12h35, da última quarta-feira (13), antes da segunda suspensão das negociações, os papéis caiam 9,17% e eram negociados a R$ 6,44.

Pouco tempo após a postagem da reportagem, a companhia publicou um fato relevante confirmando a investigação interna e afirmando que, ao final da primeira fase de investigações, a denúncia não havia sido confirmada. Por isso, não havia fato que alterasse a publicação de seus resultados trimestrais, que aconteceu na última quarta após o fechamento do pregão.

O SUNO Notícias apurou que há aproximadamente um mês, a área de compliance da Via Varejo recebeu uma denúncia sobre possíveis práticas ilícitas de executivos da empresa. Logo depois do recebimento, a varejista contratou advogados e auditores para auxiliar na investigação, dado a riqueza dos detalhes das operações que a denúncia continha.

A própria Via Varejo pediu para a B3 suspender as negociações dos papéis na quarta-feira. Vale destacar que em fato relevante enviado ao mercado, a Via Varejo afirmou que “ao final de setembro e no início de outubro de 2019, a Companhia recebeu denúncias anônimas relativas a supostas irregularidades contábeis”.

Balanço da Via Varejo

A Via Varejo divulgou o seu balanço referente ao terceiro trimestre de 2019, na noite da última quarta-feira (13). A empresa apresentou prejuízo de R$ 383 milhões. No mesmo período do ano passado, o prejuízo havia sido de R$ 83 milhões, mais de quatro vezes menor.

A Receita Líquida da empresa teve queda de 10,7%, chegando a R$ 5,68 bilhões, frente a R$ 6,36 bilhões em comparação ao igual período de 2018. No acumulado do ano, a receita atingiu R$ 18,04 bilhões.

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O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), que no terceiro trimestre do ano passado foi de R$ 322 milhões, no período de julho a setembro deste ano foi de R$ 176 milhões negativos.

O Lucro Bruto Operacional foi de R$ 1,7 bilhão no trimestre, com margem bruta de 30,7%, cerca de 0,5% acima do terceiro trimestre de 2018 e 2,7% maior que o trimestre anterior.

A Via Varejo destacou a redução de R$ 1,1 bilhão em estoques em comparação com o mesmo período de 2018. A empresa encerrou setembro com caixa, incluindo recebíveis de cartão de crédito não descontados, de R$ 2,8 bilhões.

Reforma da Previdência

Na manhã da última terça-feira (12), o Congresso Nacional promulgou a reforma da Previdência do governo de Jair Bolsonaro. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 103/2019 altera as regras para a aposentadoria no País.

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (DEM-AM), afirmou que o dia da promulgação da reforma no Congresso era histórico e salientou o esforço de todos os parlamentares para que o texto fosse aprovado.

Alcolumbre também disse que o Senado, como Casa da Federação, carrega o dever de ajustar as contas da União, dos estados e dos municípios. No entanto, reforça a necessidade da aprovação das demais reformas propostas pelo governo.

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“Temos consciência do tamanho da nossa responsabilidade. O Senado Federal e a Câmara dos Deputados estão construindo um caminho para unirmos as forças do Parlamento, com a participação do governo federal, para realizarmos também uma reforma Tributária onde o grande beneficiado será o povo brasileiro”, disse o senador.

A reforma da Previdência foi aprovada em plenário no dia 22 de outubro, após seis meses de tramitação na Câmara dos Deputados e três meses no Senado. De acordo com o Executivo, espera-se que a economia nas contas públicas, com a nova Previdência, seja de pouco mais de R$ 800 bilhões nos próximos 10 anos.

Bolívia

Outro destaque do Resumo da Semana foi o cenário agitado da Bolívia. Evo Morales renunciou à presidência da Bolívia no último domingo (10) em meio a crise política do país. O mandatário estava há 13 anos no poder.

“Renuncio a meu cargo de presidente para que (Carlos) Mesa e (Luis Fernando) Camacho não continuem perseguindo dirigentes sociais”, afirmou o ex-presidente da Bolívia em discurso transmitido pela TV boliviana.

Morales afirmou ter sido vítima de golpe e que seus opositores o acusam de roubo. “Não roubamos ninguém. Se alguém tem uma prova de roubo que apresente. [A renúncia] não é nenhuma traição. A luta continua. Estamos deixando uma nova Bolívia livre e em processo de desenvolvimento. Vamos continuar junto ao povo”, reiterou o ex-presidente em seu discurso.

Os acontecimentos na Bolívia mexeram com o mercado nacional e internacional. Na última quarta-feira (13), a estatal petrolífera boliviana YPFB comunicou à Petrobras que pode haver “eventual variação” no fornecimento de gás natural para o Brasil. Vale ressaltar que a Bolívia é responsável por um quinto do fornecimento de gás brasileiro.

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É importante destacar que Brasil e Bolívia dividem um gasoduto de 3.000 quilômetros e têm um contrato de fornecimento que vence em 31 de dezembro deste ano.

Fique ligado no Resumo da Semana da Suno Notícias para ficar por dentro de todas as informações mais relevantes dos últimos dias.

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Juliano Passaro
Juliano Passaro escreve sobre política, economia e negócios para o portal da Suno Research. Antes da Suno, trabalhou no Portal da Band. É formado em jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.